“Trata-se do meu maior desafio profissional. O maior desafio da minha trajetória”. Assim Ricardo Silveira resume a indicação do nome dele pelo prefeito Heliomar Franco para assumir a presidência da Fundação Hospital Centenário.

Foto: Fotos Renata Strapazzon/GES-Especial
Administrador, pós-graduado em Gestão em Saúde, Gestão Hospitalar e Gestão da Clínica, Silveira tem quase 30 anos de experiência na área, com conhecimentos de redes de atenção à saúde, operações e processos de serviços de saúde, políticas públicas e princípios técnicos do sistema de saúde brasileiro e de organização do SUS nas esferas municipal, estadual e federal.
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Após 30 dias à frente do hospital, Silveira aponta problemas e desafios encontrados, e também destaca projetos e iniciativas para o local que atende cerca de 5 mil pessoas por mês e é referência para 20 municípios. “O Centenário é um hospital pujante, ele só precisa ser cuidado, tratado. Ele pode ter um protagonismo muito maior do que tem hoje.”
Diagnóstico completo
Segundo Silveira, um diagnóstico preciso da situação da casa de saúde leopoldense deve ser entregue ao prefeito dentro de até 60 dias para que sejam decididas as principais ações a curto, médio e longo prazo. De início, garante que a prioridade será dada “a tudo aquilo que impacta no atendimento ao paciente”.
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“Estamos com ações estruturantes, e é muito importante salientar, que neste primeiro momento, a Prefeitura, através da Secretaria da Fazenda e do Gabinete do Prefeito, está alocando recursos próprios para que possamos arrumar banheiros, mesas adequadas para refeição, questões de higiene e conforto para as pessoas internadas e acompanhantes”, esclarece.
Dívidas
Segundo Silveira, os primeiros dias foram de busca de soluções imediatas para problemas que afetavam atendimentos e o andamento da casa de saúde. “No dia 2, quando fomos identificar as relações com nossos fornecedores e prestadores, encontramos R$ 28 milhões em atrasos, alguns desde agosto do ano passado. Em sua maioria, todos informando que estariam paralisando atividades se não tivesse alguma medida e reclamando da falta de diálogo até dezembro (de 2024)”, diz.
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“Recebemos o hospital com problemas estruturantes gravíssimos, sem estoques de insumos para a produção de alimentos, sem higienização (havia uma paralisação dos higienizadores), estoques de materiais médicos e hospitalares escassos. Sem medicamentos para atender à área assistencial, tivemos que cancelar cirurgias e rever processos assistenciais para evitar danos aos pacientes”, completa.
“Não daremos calote em ninguém”
Ricardo Silveira chama a atenção para a dificuldade em realizar o levantamento patrimonial, em localizar bens do HC. “Percebemos a ausência importante de documentos, alguns serviços prestados sem contratos. O hospital hoje não identifica cadê o seu enxoval, uniformes dos profissionais”, lamenta.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
Além disso, há, ainda, dívidas. “Temos muitos fornecedores com valores importantes a receber do hospital. Estamos nos dedicando a receber todos eles de forma transparente. Não daremos calote em ninguém. Só precisamos da compreensão que estamos aqui há um mês e pretendemos encontrar juntos a solução para todos os problemas do hospital”, esclarece.
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Concurso neste ano
Dentre os projetos a curto prazo, segundo Silveira, está a realização de um concurso público, ainda em 2025. “Vamos dar prioridade à área que atende o nosso trabalhador, a saúde dele. Serão vagas para engenheiro do trabalho, enfermeiro do trabalho, técnico de segurança do trabalho. Temos profissionais da instituição com quadros de adoecimento pelas condições precárias de trabalho. Não havia um cuidado com quem cuida e vamos mudar isso”, promete. Além disso, a estrutura organizacional do HC terá mudanças.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
“A maioria das pessoas que ocupavam funções estratégicas na organização saíram no dia 31 de dezembro. Temos uma nova lógica, que é aproveitar o quadro permanente do hospital também em posições estratégicas. Estamos nomeando pessoas qualificadas para os cargos de gestão, todas com formação e vida acadêmica. Uma aliança da experiência profissional com a vida acadêmica”, conta.
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“E recebemos uma área de apoio administrativo, que presta sustentação à atividade fim deste hospital, que é atender as pessoas, completamente sucateada, abandonada e bravamente sustentada por estagiários. Nunca foi tão valoroso para uma instituição ter estagiários”.
Ex-presidente fala que se manteve atendimento apesar do déficit
Ex-presidente da Fundação, Clairton Rodrigues da Fé rebate as críticas. “É importante relembrar e reiterar que São Leopoldo há muito tempo enfrenta um tratamento desigual por parte do governo do Estado. Nosso hospital já deixou de receber cerca de R$ 700 milhões devido à falta de orçamentação e/ou alguma complementação financeira. Atualmente, há uma diferença de pelo menos R$ 30 milhões por ano nos repasses estaduais entre São Leopoldo e cidades vizinhas”, diz.

Foto: Renata Strapazzon/GES-Especial
“Mesmo enfrentando um déficit mensal de quase R$ 3 milhões, conseguimos manter o Centenário operando plenamente. Apesar das dificuldades, sempre priorizamos o abastecimento de insumos essenciais para a segurança dos pacientes.”