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PREVISÃO DO TEMPO

El Niño cada vez mais forte: "Pode trazer transtornos como alagamentos, inundações e cheias de rios", alertam meteorologistas sobre julho

Tendência é de que anomalias positivas de temperatura da superfície do mar na faixa equatorial do Pacífico sigam aumentando com intensificação do El Niño

Nadine Funck
Publicado em: 30/06/2026 às 15h:22 Última atualização: 30/06/2026 às 17h:29
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O mês de julho deve ser marcado por um El Niño cada vez mais forte, com temperaturas perto ou abaixo da média, bem como a chance de episódios de chuva volumosa a excessiva em partes do País, sobretudo o Centro-Sul do Brasil.

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Previsão de chuva pelo modelo EPS/ECMWF de 28 de junho a 28 de julho / el niño | abc+



Previsão de chuva pelo modelo EPS/ECMWF de 28 de junho a 28 de julho / el niño

Foto: MetSul

Mês central do inverno climático

Os meteorologistas Estael Sias e Luiz Nachtigall, da MetSul, explicam que, historicamente, como julho é o segundo do denominado inverno climático, que é compreendido pelo trimestre dos meses de junho, julho e agosto, sendo este o mês central da estação mais fria do ano, costuma registrar ondas de frio.

  • Em 2000, por exemplo, quase todo o Sul do Brasil ficou abaixo de zero;
  • Em 2013, ocorreu grande nevada em Santa Catarina e no Paraná;
  • Em 2021, uma nevada branqueou a Serra gaúcha nos últimos dias de julho.

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No RS, costuma ser chuvoso

No Rio Grande do Sul, julho costuma ser um mês chuvoso, enquanto no Centro do Brasil se instala a estação seca, com precipitações escassas no Centro-Oeste, no Sudeste e mesmo em parte do Paraná, o que favorece o aporte de umidade em direção às latitudes médias, como do Centro da Argentina, Uruguai e o estado gaúcho.

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Em Porto Alegre, a temperatura mínima média histórica é de 10,4°C, a menor entre os meses do ano. Já a temperatura máxima média é de 19,7°C, também a mais baixa entre todos os meses do calendário. Pelos padrões históricos, o sétimo mês é o mais gelado do ano na capital.

LEIA TAMBÉM: Onda polar e frio contrariam El Niño? Entenda por que fenômeno climático não garante fim de temperaturas geladas no RS

Em relação à precipitação, a cidade possui média de 163,5 mm, a mais alta entre todos os meses do ano, sendo seguida por outubro, com 153,2 mm; setembro, com 147,8 mm; e junho, 130,4 mm.

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Os meteorologistas esclarecem que a precipitação média mensal de 16,5 mm corresponde à nova normal mensal climatológica com base na série 1991-2020 – no comparativo com as séries históricas de 1961-1990 e 1991-2020, julho foi o mês mais frio e chuvoso nas últimas três décadas.

El Niño cada vez mais forte

No último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste está em +1,7°C pelo critério antigo de monitoramento, o ONI, o que significa El Niño Forte. Pelo novo critério, o Roni, a anomalia está em +1,2°C, na faixa de El Niño moderado.

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Segundo a MetSul, a tendência é de que as anomalias positivas de temperatura da superfície do mar na faixa equatorial do Pacífico sigam aumentando com a intensificação do fenômeno. Os especialistas não descartam que possa atingir status de Super El Niño.

Em relação à temperatura, a tendência para o Sul do Brasil indica um julho com temperatura perto ou abaixo da média na maioria das áreas. O frio será mais sentido em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, mas, em particular, no estado gaúcho.

Situação do El Niño em 28 de junho de 2026 | abc+



Situação do El Niño em 28 de junho de 2026

Foto: NOAA

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Chuva volumosa

Há consenso entre os modelos de previsão de clima sobre a tendência de precipitação. Espera-se chuva entre acima e muito acima da média em quase todo o Centro-Sul do Brasil durante o mês, “com sinalização de riscos de excessos, um sinal claro de que a atmosfera já responde ao El Niño no Brasil e com reflexos na precipitação”.

Segundo os meteorologistas, no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil, a maior parte das áreas deve ter precipitação no mês acima da média. Para as duas regiões, esta é a estação de seca, mas, mesmo assim, um episódio de precipitação sem volumes altos pode fazer com que o mês termine com chuva acima da média histórica em alguns pontos.

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Onde os acumulados serão mais altos?

No Centro do Brasil, nos estados do Mato Grosso do Sul e em São Paulo, haverá possibilidade de volumes em algumas áreas muito superiores. “A projeção para o Centro-Oeste e o Sudeste de mais chuva que o normal foge muito ao padrão climático histórico do mês nas duas regiões, no auge da temporada seca anual, a ponto de não se descartar que possa chover em pleno mês de julho em cidades como Goiânia e Brasília”, pontua a MetSul.

No Sul do País, a tendência também é de chuva acima da média e mesmo muito acima da climatologia histórica no mês, com os maiores volumes concentrados nas mesmas áreas que mais tiveram precipitação em junho, ou seja, o Paraná, Santa Catarina e a metade norte do Rio Grande do Sul.

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Nestas áreas há risco de episódios de chuva volumosa ou excessiva no mês de julho, o que pode trazer transtornos como alagamentos, inundações e mesmo cheias de rios. As localidades nesta parte do Sul do país com maior precipitação têm ainda um risco aumentado de temporais com raios, vento e granizo”, salienta.

El Niño cada vez mais forte: "Pode trazer transtornos como alagamentos, inundações e cheias de rios"
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