Uma denúncia anônima levou novamente equipes da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros e da Brigada Militar a Canoas com o objetivo de encontrar os corpos da família Aguiar, os pais e a filha de Cachoeirinha assassinados no começo deste ano.
Cães farejadores foram usados na tentativa de localizar Silvana de Aguiar, de 48 anos, e dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira de Aguiar, 70.

Foto: Paulo Pires/GES
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Foi uma denúncia encaminhada ao 190 da Brigada Militar que levou os policiais até o matagal às margens da BR-448, logo no final da manhã desta terça.
Inicialmente, a força-tarefa acabou reunida em uma área alagadiça na estreita Rua da Prainha, no bairro Mato Grande. Posteriormente, foi necessário acessar uma propriedade privada para acessar um terreno pantanoso.
“A denúncia não se confirmou”
Apesar da quantidade de agentes envolvidos e dos esforços dos bombeiros e dos policiais presentes, não houve a localização dos corpos e as buscas foram encerradas próximo às 16 horas.
“A denúncia não se confirmou, mas seguem as buscas”, disse o delegado Cristiano Alvarez. “O cão se esgota bastante rápido e, como a área é bastante grande, ele acabou se exaurindo e não achamos nada.”
Ainda conforme o delegado, que responde pela direção do Departamento Metropolitano da Polícia Civil, a área acabou descartada após o trabalho, de modo que não haverá nova busca no local. “Viemos para fazer uma averiguação, mas os bombeiros disseram que o trabalho nesta área foi encerrado.”
Ministério Público garante buscas
O ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, e outras duas pessoas são réus por duplo feminicídio, homicídio e ocultação de cadáver no caso da família Aguiar.
A denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra o brigadiano, a atual companheira dele e o irmão dele foi aceita pela Justiça em maio de 2026. Na época, o MP marcou até uma coletiva para tratar do caso.
Os promotores de Justiça deixaram claro que as buscas continuariam até que fossem encontrados os corpos das três vítimas, mesmo após os indiciamentos dos envolvidos.
“Ainda não termos encontrado os corpos é algo que certamente não desistiremos”, avisou a promotora Carla Feijó. “É um desfecho que precisamos dar. Vai além de um desfecho jurídico. Precisamos localizar os corpos para haver o rito do luto, que é tão necessário.”
Segundo o delegado Anderson Spier, que respondeu pelo inquérito, buscas têm sido executadas pela Polícia Civil e Corpo de Bombeiros de modo sistemático desde o início da apuração.
“Sempre que surge uma informação nova, existe uma preocupação de ir até o local e descartar a suspeita sobre a área”, esclarece. “Agora, houve uma denúncia envolvendo Canoas e concentramos novas buscas.”
Entenda o caso
Silvana Germann de Aguiar foi vista pela última vez no dia 24 de janeiro, já que supostamente saiu de casa para encontrar um amigo em direção a Gramado, na Serra gaúcha. Os pais dela, Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar, desapareceram no dia seguinte, 25 de janeiro, após saírem de casa para procurar a filha.
Uma publicação por meio de uma rede social de Silvana é considerada crucial para a investigação, segundo a Polícia Civil.
Ainda no dia 24 de janeiro, foi publicado que ela havia sofrido um acidente de trânsito quando retornava de Gramado, mas que estava “bem”.
A motivação dos crimes está relacionada a conflitos envolvendo a guarda e a convivência do filho de Silvana com o PM, além do inconformismo com limites impostos pela vítima durante a guarda da criança, após a polícia.
Anderson, vale lembrar, era um soldado lotado no 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Canoas. O inquérito inclusive apontou que ele chegou a trabalhar em Canoas com o celular da ex-mulher morta no bolso da farda.