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Família Aguiar

"Acabou minha paciência", diz PM suspeito de matar ex e os pais dela em Cachoeirinha; ouça áudio

Em mensagem de voz no qual chama Silvana de Aguiar de "megera", soldado deixa claro o desentendimento entre eles

Publicado em: 27/04/2026 às 17h:24 Última atualização: 27/04/2026 às 17h:37
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Mesmo após o indiciamento do policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, principal suspeito das mortes da família Aguiar, provas anexadas ao inquérito sustentam o desentendimento com Silvana de Aguiar, 48, que teria acabado em feminicídio e nas mortes dos pais dela, Isail, 69, e Dalmira, 70.

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Os corpos nunca foram achados, o que permanece suscitando comentários a respeito do comportamento dos envolvidos. Além do PM, outros cinco acabaram indiciados no último dia 17.

 Tidos como mortos, Silvana de Aguiar e os pais dela, Dalmira e Isail, permanecem desaparecidos | abc+



Tidos como mortos, Silvana de Aguiar e os pais dela, Dalmira e Isail, permanecem desaparecidos

Foto: REPRODUÇÃO

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O áudio

A reportagem teve acesso a um áudio encaminhado pelo policial dias antes do desaparecimento de Silvana, no dia 24 de janeiro. Na mensagem por WhatsApp enviada à atual companheira, também indiciada no caso, ele se refere à vítima como “megera”. O ex-casal teria tido um desentendimento sobre o filho, um menino de 9 anos.

“Tá pronto, resolvido. Falei com megera. Ele teve um problema no estômago. Ela tá dizendo que ele tá ruim desde segunda-feira. Colocou a culpa tudo no teu brigadeiro de colher, que tu fez pra ele, porque ele falou que comeu isso, né? Que comeu carne lá em casa, e ela disse que é por causa disso. E eu não vou pegar o [nome do filho] no fim de semana. Vai ficar com ela, e fez um bolor. Já batemos o boca, se xinguemos e deu. Mas amanhã eu vou lá ver ele. Assim ó, acabou minha paciência.”

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“Perdi a paciência”, diz suspeito de matar a ex em áudio antes do desaparecimento da família Aguiar

O áudio acima está anexado como prova no inquérito que soma 20 mil páginas, montado pela Polícia Civil responsabilizando o PM antes lotado no 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Canoas.

Segundo o delegado Anderson Spier, havia uma animosidade muito grande entre o policial e ex por conta da guarda da criança. Isso acabou se tornando estopim para a violência desencadeada no começo do ano.

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“Motivação é bem clara”

Por meio de quebras de sigilo garantidas pela investigação, os policiais descobriram que até a senha para o Wi-Fi criada pelo PM no aparelho celular de Silvana se destacava pela animosidade: “Megera77”.

A motivação é bem clara desde o começo da apuração”, explica o delegado. “Tudo parte de uma tensão existente entre a Silvana e o Cristiano em razão da educação do filho. Isso fica bem comprovado durante toda a nossa investigação.”

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Parentes se envolveram no caso

Além de Cristiano, cinco pessoas acabaram indiciadas, embora não pela participação direta no assassinato. São elas: a atual esposa do PM, a mãe dele, o irmão, a sogra e um amigo que teria mentido em depoimento.

Todos eles teriam trocado mensagens por saberem do crime. Colaboraram desde o começo da apuração para ocultar provas e retardar o trabalho da Polícia Civil na investigação do caso.

“Não há evidências da participação de nenhum deles nas mortes e ocultação de cadáveres, mas sabemos que colaboraram com o Cristiano, escondendo provas, mentindo e dificultando o trabalho da Polícia”, ressalta o delegado Anderson Spier.

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Simulador de voz

Conforme a apuração conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, por se tratar de um policial, Cristiano possui conhecimento de investigação e, após eliminar Silvana, criou um esquema para eliminar os pais dela.

O PM se valeu de um software sofisticado para simular a voz de Silvana e atrair os pais dela para uma armadilha, induzindo-os a acreditar que a filha havia sofrido um acidente.

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“Ele escrevia o texto e depois passava para o programa”, esclareceu o delegado Ernesto Prestes. “Foi assim que conseguiu atrair o pai dela com a história do acidente de carro que nunca aconteceu.”

Onde está a criança?

Desde a conclusão do caso, paira dúvida sobre o filho de 9 anos do ex-casal. Atualmente, a criança está sob a guarda dos pais de Cristiano. No entanto, há um processo da defesa da família para reversão da guarda.

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Defesa

A reportagem entrou em contato com o advogado responsável pela defesa do PM Cristiano Domingues Francisco. Acabou informada que só haverá manifestação após haver acesso ao inquérito policial.

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