A Prefeitura de Novo Hamburgo voltou, nesta segunda-feira (17), à residência de Louraci Atayde Corrêa, 83 anos, moradora da Rua Athanásio Becker, no bairro Canudos, para encaminhar sua inclusão em um programa de aluguel social. A idosa recebeu, há cerca de três semanas, uma notificação para deixar o imóvel onde vive há mais de 40 anos. A justificativa do Município é que a área onde a casa foi construída pertence ao poder público e será utilizada para a abertura de uma rua como parte de um projeto habitacional voltado a famílias vulneráveis, incluindo aquelas afetadas pela enchente de maio de 2024.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
FIQUE POR DENTRO: O que o prefeito de Novo Hamburgo diz sobre notificações que ameaçam demolir casas em áreas públicas
Além da idosa, dois de seus filhos também foram cadastrados no programa social, pois residem em terrenos adjacentes, que também seriam áreas públicas destinadas à obra. A família, no entanto, segue apreensiva com a falta de respostas do Poder Judiciário sobre uma ação movida na tentativa de reverter a remoção. O advogado da família não quis se manifestar.
CONFIRA AQUI: Mais uma construção irregular é derrubada em Novo Hamburgo
A principal preocupação de Louraci agora gira em torno das condições do aluguel social oferecido pela Prefeitura. Segundo Naiane Corrêa, filha da idosa, durante uma reunião na semana passada, o prefeito Gustavo Finck teria informado que o valor do benefício seria de R$ 1.000 mensais, mas, ao formalizar o cadastro, nesta semana, a idosa soube que o repasse mensal será de R$ 785. “Minha mãe se atacou dos nervos. Hoje ela não consegue nem mexer as pernas de tanto nervoso”, relata Naiane.
LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO: Como a Prefeitura de Novo Hamburgo pretende acabar com as ocupações irregulares na cidade
O prazo para que a idosa desocupe o imóvel expira em dez dias. Segundo a filha, o impacto emocional da situação tem afetado gravemente a saúde da mãe. “Estamos contando os dias, mas a verdade é que minha mãe tem a impressão de que a patrola vai entrar na casa e derrubar tudo com ela dentro”, afirma.
Apesar da aflição, Naiane expressa um sentimento de conformismo com a situação e já tenta encontrar uma moradia dentro das condições oferecidas pelo aluguel social à mãe, mas teme não conseguir um imóvel adequado pelo valor disponibilizado. Além disso, a incerteza sobre o tempo de duração do benefício aumenta sua insegurança.
Outro lado
A Prefeitura confirma que Loureci foi visitada por integrantes da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Habitação. Na ocasião, foi dado o encaminhamento aos programas habitacionais do Município. Ela também foi inscrita na lista de pessoas aptas a concorrerem a um dos imóveis que serão construídos no bairro Canudos, por meio da cedência do terreno pela Prefeitura, com recursos oriundos da Caixa Econômica Federal.
Quanto à moradia, informa que ela ficará em um local subsidiado integralmente pela construtora responsável pelo empreendimento, até que o mesmo seja concluído. “Ao todo, 900 unidades habitacionais serão construídas e vão possibilitar uma vida digna para centenas de famílias hamburguenses afetadas pela enchente de maio do ano passado”, observa a Prefeitura, em nota.