O Exército Brasileiro exumou e transferiu os restos mortais do tenente-general Patrício José Correia da Câmara, o Visconde de Pelotas, da Igreja dos Passos em Rio Pardo para Bagé. A operação ocorreu na segunda-feira (14), encerrando um período de 198 anos em que o corpo permaneceu sepultado na cidade histórica.
O militar, que faleceu em 1827, será homenageado em um mausoléu na 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada.

Foto: Prefeitura de Rio Pardo
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A exumação foi realizada após dois meses de planejamento, com a participação de militares da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. Durante o procedimento, foram encontradas partes da farda militar e dos restos mortais do tenente-general.
O general de Brigada Talmo Evaristo do Nascimento explicou à Rádio Rio Pardo os motivos da transferência. “O general Patrício é o patrono 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada. As autoridades alinharam as tratativas e, na segunda passada, realizamos a exumação”, disse.
A transferência foi precedida por eventos na Igreja dos Passos e no Forte de Fortaleza, em Rio Pardo. Os restos mortais permanecerão nas instalações da 3ª Brigada até o dia 25 de julho, quando ocorrerá o sepultamento definitivo.
“Considerando o grande herói que foi Patrício Correia da Câmara, nos dá orgulho e satisfação poder levá-lo para o quartel”, afirmou o general Talmo.
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Quem foi Visconde de Pelotas
Patrício José Correia da Câmara nasceu em Lisboa, Portugal, em 12 de outubro de 1744. Naturalizou-se brasileiro e participou ativamente da Independência do Brasil em 1822. Após este marco histórico, foi nomeado tenente-coronel e assumiu o posto de comandante de fronteira em Rio Pardo, função que exerceu por mais de 50 anos.
O militar teve uma carreira destacada, participando de importantes campanhas como a Guerra das Laranjas (1801), a Invasão da Cisplatina (entre 1811 e 1812) e a Guerra contra Artigas (1816 a 1820), no Uruguai. Faleceu em 28 de maio de 1827, aos 83 anos.

Foto: Reprodução
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Rio Pardo desconhecia que militar estava enterrado na cidade
Nicolau Cunha, vice-provedor da Irmandade Senhor dos Passos, responsável pela igreja onde o militar estava sepultado, comentou sobre o desconhecimento da história do Visconde. “Pesquisamos e descobrimos que Patrício Correia da Câmara foi um grande herói”, declarou.
Sobre a transferência, Cunha afirmou: “Ele está sendo levado para um mausoléu, onde será homenageado. Estamos ressuscitando a memória de uma pessoa que foi importante naquela época, e Rio Pardo ganha mais um personagem marcante.”
No local onde o Visconde estava sepultado, na Igreja dos Passos, será colocada uma identificação com registro sobre sua importância histórica.
Vera Schultze, coordenadora do Departamento de Patrimônio da Prefeitura de Rio Pardo, revelou que o município não estava inicialmente ciente do processo. “A Prefeitura não tinha conhecimento do início das tratativas para a exumação. Não sabíamos que o general estava sepultado em Rio Pardo”, disse.
Ela esclareceu que o processo seguiu todos os trâmites legais: “A prefeitura autorizou somente após todos os passos burocráticos serem realizados, foi um trabalho dentro da lei. As decisões não foram tomadas de maneira unilateral.”
Sobre o significado histórico da exumação, Vera acrescentou: “É como se tivesse sido ressuscitada a memória do general. Muitas pessoas não sabiam quem ele era. Temos o lado da comunidade, de ter tido um herói que estava esquecido em uma sepultura e que agora receberá todas as honras militares.”
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