“Gramado vai continuar crescendo e esse crescimento pode ser ordenado ou não.” A frase do vereador Ike Koetz (PP) chama a atenção para as discussões sobre o que pode ser um dos projetos mais relevantes da cidade para as próximas três décadas.
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Foto: Reprodução/PMG
Por isso, na quarta-feira, dia 15, a Câmara de Vereadores abrirá as portas à comunidade para debater a expansão urbana do município – a nova centralidade. A partir das 18 horas, uma audiência pública será realizada, no Teatro Elisabeth Rosenfeld, para apresentar e discutir as regras de ocupação de 914 hectares da área norte do município, que compreende o entorno do Mato Queimado e do Parque dos Pinheiros.
O encontro, que também terá transmissão ao vivo pelas redes sociais do Legislativo, contará com a participação do secretário de Planejamento, Rafael Bazzan, e da secretária de Meio Ambiente, Cristiane Bandeira.
Discussões foram aprofundadas

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Para onde Gramado vai crescer? Essa é uma pergunta que foi respondida no Plano Diretor de 2022.
Durante esse planejamento de futuro, decidiu-se que a área norte seria mais propícia para essa expansão urbana, especialmente por questões topográficas e pelas possíveis conexões. É nessa região que deve ser construída a estrada que ligará a cidade ao aeroporto de Vila Oliva, com uma distância de aproximadamente 35 quilômetros do Centro.
Mas o questionamento que ficou é: como esse crescimento ocorrerá? E é justamente sobre isso o projeto de lei complementar 01/2026, que trata sobre a criação da nova centralidade.
Até então, são baixos os parâmetros de ocupação das áreas – que são totalmente privadas. A partir de agora, com os estudos apresentados, o intuito é coordenar os investimentos que serão realizados e, principalmente, proporcionar uma expansão planejada com sustentabilidade ambiental e inclusão social.
“Gramado é uma cidade que atrai muitos investimentos. Precisamos atuar nesse direcionamento, para que sejam interessantes para os empreendedores, mas que tenham relevância para a cidade. Nós precisamos parar de olhar cada projeto de forma individual e pensar em um todo”, explica Rafael.
O secretário de Planejamento reforça que a ideia da nova centralidade foi centrada em um formato de modelo espacial. “Fizemos uma sobreposição com todo o levantamento ambiental, com os maciços de Mata Atlântica, áreas de preservação permanente e zonas de amortecimento. Depois disso, entendendo as condições, projetamos os locais com maior aptidão para a urbanização”, acrescenta.
Equipe própria para tratar do tema

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Com o projeto de lei proposto, o intuito da prefeitura é ter uma equipe técnica – formada por três servidores – que fique focada na gestão e relacionamento com os futuros empreendedores. “Quando a gente faz isso, terá um uso mais inteligente do território, pensando nas conexões entre a área e na preservação ambiental”, salienta Rafael.
Teleférico
Um dos equipamentos que pode impulsionar o sucesso da nova centralidade é o teleférico, um projeto para interligar o Parque das Orquídeas e Parque dos Pinheiros. Para Rafael, é um ponto que realmente vai melhorar a acessibilidade do local com a área central, mas há diversas outras variáveis.
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“O teleférico dará uma dinâmica a esse desenvolvimento, mas o importante é que a gente tem apresentado o projeto e as pessoas se interessam e acreditam no potencial”, cita o secretário, ao frisar que já realizou conversas com diferentes segmentos da comunidade, inclusive, de fora do ramo da construção civil.
Sirena Gramado

Foto: Divulgação
Um dos empreendimentos que serão construídos no local é o Sirena Gramado, contando com um hotel do Club Med, com 200 apartamentos, e equipamentos de lazer, como uma pista de ski, jardim botânico e orquidário. No total, são 200 hectares de área.
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Conforme determinação do Plano Diretor, oito hectares serão destinados ao poder público. Esses terrenos, que serão divididos em dois, vão ter a finalidade exclusiva de área hospitalar e voltada à saúde.
Quando o projeto da nova centralidade for aprovado, o Sirena Gramado terá 60 dias para transferir ao município a primeira área, com quatro hectares, que tem acesso direto pela Estrada do Caracol. Nesse local, a prefeitura busca parceria para a instalação de um hospital de alta complexidade.
A pedra fundamental da obra foi lançada, em março deste ano, e a previsão é que a operação comece em junho de 2027. O projeto terá um investimento superior a R$ 1 bilhão.
Operação urbana consorciada
Dos 914 hectares, 65 serão destinados para uma zona de ocupação intensiva (ZOI). Funcionará basicamente como o Centro de Gramado hoje, possibilitando uma maior ocupação territorial. Uma operação urbana consorciada será estabelecida para viabilizar o projeto.
“Gramado não vai mais ser aquela cidade dos anos 1970 e 1980. A cidade cresceu e o mundo mudou, mas a gente precisa ser a nossa Gramado de hoje e planejar a nossa Gramado de 30 anos – que precisa ter a nossa cara”, atesta Rafael. “Independentemente de quem venha para Gramado, as coisas precisam ser gramadenses”, complementa Ike.
“Vai ser um legado”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Ike acompanha o projeto desde as primeiras discussões do Plano Diretor. A criação da nova centralidade está estipulada no artigo 50 da lei. Agora, haverá a regulamentação.
Como presidente da Comissão de Mérito, é o vereador que irá conduzir a audiência pública, um dos ritos necessários na análise e votação do projeto.
“Nós precisamos engajar a comunidade para que participe desses trâmites e entenda o que de fato esse projeto significa para a cidade”, pontua. “Muito se fala sobre desmatamento da área, mas é o contrário. Haverá um desmatamento caso a gente não tenha regramentos, que se instalem naquele local loteamentos irregulares. O que estamos tratando é de uma expansão urbana controlada e ordenada. Vai ser um legado para o município”, completa Ike.
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De maneira especial, o parlamentar relembra a história do avô, Orlando Koetz, um dos primeiros agrimensores da cidade. “Em 1965, ele escreveu em um dos mapas que desenhou: ‘Gramado, por sua natureza, seus maravilhosos acidentes naturais e seu clima torna-se permanente atração turística’”, acentua.