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TURISMO

Trem Porto Alegre-Gramado: Saiba em que ponto está projeto para construção de linha ferroviária

Trajeto de cerca de 84 quilômetros será percorrido em uma hora; custo estimado de investimento é de R$ 4,5 bilhões

Mônica Pereira
Publicado em: 06/04/2026 às 11h:40
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Com a promessa de iniciar a operação em agosto de 2032, o projeto da construção de uma linha ferroviária entre Porto Alegre e Gramado começa a avançar nos estudos ambientais.

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Trajeto inicial estipulado para o trem entre Porto Alegre e Gramado



Trajeto inicial estipulado para o trem entre Porto Alegre e Gramado

Foto: Arte Alan Machado/GES

Até o momento, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu dois documentos orientativos, que indicam o que precisa ser realizado para dar início ao licenciamento, incluindo o mais recente, que é uma autorização de manejo de fauna, com prazo de um ano.

Em uma iniciativa tida como histórica e inovadora, o investimento total estimado está na casa dos R$ 4,5 bilhões e será totalmente privado. Quando concluída, a ferrovia poderá transportar passageiros entre a capital e a Serra em apenas uma hora, em um trajeto de aproximadamente 84 quilômetros.

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Com impacto direto em 19 cidades, o percurso começará a 300 metros de distância do aeroporto Salgado Filho, tendo como destino Gramado. Na cidade, a estação ficará nas margens da RS-235, próximo ao NBA Park.

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Com uma viagem que remete ao passado, a nostalgia está presente. Isso porque, há quase 107 anos, em 1º de junho de 1919, o primeiro trem chegava à cidade, na estação do bairro Várzea Grande.

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Depois de ser desativada há mais de seis décadas, uma nova ferrovia será construída, mantendo os desafios da topografia da Serra. Serão, ainda, 27 cruzamentos rodoferroviários, 15 pontes e viadutos – incluindo um sobre a freeway (BR-290) – e nove túneis.

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Atuação em 25 projetos

Em 2024, a SulTrens Transportes Ferroviários foi criada exclusivamente para a execução do projeto, formada pelas empresas RG2E Engenharia Consultiva, STE Engenharia, BF Capital e Piva Advogados.

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Quem iniciou o projeto foi o engenheiro civil Renato Ely, que é gaúcho, mas mora em Brasília há 46 anos. Ele atuou no governo federal por dez anos e depois no setor privado. “A vida me colocou a possibilidade de trabalhar nessa área de trens e metrôs. Eu já trabalhei em 25 projetos”, conta.

Renato Ely é engenheiro e administrador da SulTrens Transportes Ferroviários



Renato Ely é engenheiro e administrador da SulTrens Transportes Ferroviários

Foto: Divulgação

Com o novo regime e autorização ferroviária no Brasil, aprovado em 2021, Renato aponta que começou a procurar projetos que pudessem ser interessantes. Com menos burocracia, a chamada Lei das Ferrovias permite que empresas construam e operem, por 99 anos, ferrovias no País.

Renato explica que, de um modo geral, o transporte de passageiros por trens não se viabiliza por causa dos custos. Para equacionar essa conta, a passagem precisa ter um valor mais elevado. “Mas eu estudei alguns projetos e cheguei à conclusão de que a linha Porto Alegre-Gramado seria viável”, assegura o engenheiro.

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Depois de passar por diferentes etapas, o modelo foi apresentado ao governo do Estado, em março de 2024. Contudo, por causa da catástrofe climática, os documentos para solicitar o requerimento de autorização foram entregues somente em novembro de 2024.

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Por quase um ano, um grupo de trabalho foi formado pelo Executivo estadual para estudar o pedido. Então, em 7 de agosto, a primeira etapa foi concluída. A SulTrens deixou de ser uma empresa requerente e se tornou autorizatária. “E, desde essa data que a gente, trimestralmente, presta contas do que está fazendo”, pontua Renato.

Frentes de trabalho

O projeto está seguindo duas principais frentes de trabalho. A primeira é a financeira – que apresenta projetos para investidores. A outra, técnica – que acompanha os estudos ambientais e também uma pesquisa de demanda.

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Renato acentua que pesquisas começarão a ser realizadas no aeroporto da capital e também nas cidades da região para verificar quanto do total de visitantes utilizaria o trem.

Em paralelo, dão sequência aos estudos ambientais. Um deles determina que sejam realizadas pesquisas do meio biótico, que mapeiam a flora e fauna nas quatro estações do ano. “Depois de termos essa pesquisa, vamos fazer o relatório de impacto e, se houver impactos negativos, estabelecer medidas mitigatórias”, pondera o engenheiro.

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Ainda, o rito determina que audiências públicas sejam realizadas. “Somente então a gente terá a licença prévia, quando poderemos detalhar a parte de engenharia. Em ato contínuo, vamos requerer a licença de implantação para começar a obra”, descreve.

Utilidade pública

Uma das maneiras de viabilizar o projeto é por meio de parcerias. Estações de embarque e desembarque exclusivas podem ser construídas. Duas delas estão sendo projetadas dentro de novos condomínios. A área de engenharia está verificando o real traçado da linha férrea. O desafio é minimizar o impacto.

“Estamos passando, normalmente, nos fundos das propriedades”, atesta Renato. A maior parte da faixa de domínio, que contabiliza os trilhos e entorno, fica entre os 25 e 30 metros. Porém, pode ter um mínimo de 16. “Quanto menor conseguirmos, melhor. Porque serão menos áreas de desapropriação”, salienta o engenheiro.

E são justamente as áreas de desapropriação que ganham destaque – já que são 84 quilômetros de trajeto, passando por áreas privadas. Será submetido à análise da Secretaria de Transportes do Estado um plano de desapropriações. Nele, serão identificadas as terras por onde passarão a ferrovia.

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A partir disso, com a aprovação, o governo estadual vai decretar essas áreas como de utilidade pública, com um orçamento de quanto vale cada lote ou gleba. “Vamos procurar cada proprietário e pagar pela área”, frisa Renato.

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Ele adianta que, pela decretação de utilidade pública, caso o proprietário não aceite a proposta, vai ser necessário ingressar na Justiça. “A lei nos dá essa prerrogativa, mas evidente que a gente não quer isso. Não queremos brigar com ninguém”, comenta.

Gramado está no centro do projeto

É com uma foto grande que mostra a área central de Gramado que Renato inicia as apresentações que realiza para investidores – inclusive, do exterior. “E eu pergunto se aquele lugar fica na Suíça, na Alemanha. E digo: ‘não, é Gramado’”, completa. “Gramado não é o Rio Grande do Sul, não é o Brasil. Gramado é Gramado. Só existe Gramado, não existe nada para comparar. É uma experiência única”, ressalta o engenheiro.

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O livro do historiador e morador de Gramado, Wanderley Cavalcante, sobre a ferrovia da região é utilizado para auxiliar a contar a história. “Já li mais de três vezes”, brinca Renato. “Temos um excelente projeto para a cidade, viabilizando um transporte rápido e com segurança total. Um produto inédito”, prospecta.

Pesquisas sobre os modelos

O modelo do trem que vai circular entre a capital e Gramado está sendo estudado. A expectativa é que tenha capacidade para mais de 500 passageiros. Os valores dos bilhetes não foram divulgados. Entretanto, Renato adianta que existirão valores diferenciados para moradores da região e estudantes, por exemplo, além de opções de pacotes mensais para as viagens.

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“Estamos muito satisfeitos e motivados para entregar para a população e para o turismo um produto que não existe. Entendemos que o sucesso do nosso projeto vai ser que a primeira atração da família que visita a Serra será o trem”, reforça Renato, que acredita que Gramado é o grande potencializador. “Gramado é um destino turístico absolutamente irreversível, e que tem um turista com capacidade de pagar um valor compatível com o serviço”, acrescenta.

22 mil trabalhadores

Para que as obras sejam executadas e a operação aconteça, mais de 22 mil trabalhadores devem se envolver no projeto de forma direta e indireta. Um grande centro de manutenção deve ser construído para atender às demandas. Um dos desejos da SulTrens é que o local fique próximo de uma escola profissionalizante, para que seja possível capacitar mão de obra e formar novos profissionais no ramo.

 

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