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MARCO LEGAL DO SANEAMENTO

Corsan vai ampliar em 11 quilômetros a rede de esgoto em Gramado até o final de 2026 e alerta comunidade sobre a necessidade de ligações

Atendimento no município já abrange um percentual de 59%; confira a atualização sobre as obras e as mudanças nos casos de soleira negativa

Mônica Pereira
Publicado em: 06/04/2026 às 09h:49 Última atualização: 06/04/2026 às 09h:50
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A cada dia que passa, aproxima-se o prazo para que o País alcance o marco legal do saneamento básico. Até 2033, há a obrigatoriedade para que 90% do esgoto seja coletado e tratado. Em Gramado, a Corsan atua para expandir as redes e ampliar o percentual de tratamento, que hoje está em 59%.

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AMPLIAÇÃO: Corsan afirma que Gramado terá 90% do esgoto coletado e tratado até 2029

Obras de esgotamento sanitário da Corsan em Gramado



Obras de esgotamento sanitário da Corsan em Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Atualmente, as obras na cidade estão ocorrendo nos bairros Mato Queimado e Várzea Grande. Em uma parceria pioneira com empresários e a prefeitura, a Corsan deve acelerar a universalização do serviço.

Com um investimento de R$ 153,6 milhões somente nesse projeto, existe a projeção de aumento de cerca de 33% do sistema de esgotamento sanitário até o final de 2028. Para este ano, a Corsan fará o aporte de R$ 14,7 milhões, contemplando 11,5 quilômetros de redes coletoras. Isso deve gerar pouco mais de 1 mil ligações.

INFRAESTRUTURA: Corsan inicia investimento de R$ 153,6 milhões para ampliar tratamento de esgoto em Gramado

A atualização foi informada pelo superintendente regional de Relações Institucionais da Corsan, Lutero Cassol, durante uma sessão especial, realizada na Câmara de Gramado, na noite de quarta-feira, dia 1º.

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O encontro foi solicitado pelo vereador Ike Koetz (PP). Na oportunidade, Lutero pôde apresentar o cronograma de obras da companhia e sanar dúvidas. Os parlamentares fizeram questionamentos sobre a qualidade do serviço realizado e abordaram problemas enfrentados pela comunidade.

R$ 39,7 milhões para 2027

Para o próximo ano, o comprometimento de investimento será maior. Em 2027, a expectativa é atingir um montante de R$ 39,7 milhões, com 36,3 quilômetros de tubulações instaladas – o que oportunizará mais de três mil ligações.

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Nesses dois anos, serão construídas também 51 unidades elevatórias de esgoto. Elas serão instaladas em locais em que os efluentes não têm saída por gravidade. Assim, há a necessidade de bombeamento. Serão dois motores em cada unidade, com funcionamento constante.

Sessão apresentou detalhes do cronograma de obras



Sessão apresentou detalhes do cronograma de obras

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

“É um investimento muito expressivo para a construção, e um gasto contínuo de manutenção. Ligações elétricas serão realizadas para a operação dos motores que vão fazer esse bombeamento. São motores que ficam funcionando dia e noite, é uma operação complicada”, destaca Lutero.

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As obras são executadas por duas empresas terceirizadas, Aguiar/Voltex e a Ihsot. De janeiro a março deste ano, foram 2,5 mil metros de redes construídas. No mesmo período, 213 ligações foram realizadas. “São obras complexas, com rompimento de rochas, mas que são extremamente necessárias. Já passou do tempo de sanar o problema do esgotamento na cidade”, atesta Lutero, ressaltando que Gramado pode ser a primeira cidade na abrangência da companhia na Serra a atingir o marco legal.

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“Estamos avançando, apesar dos transtornos. Eu sempre friso que temos que olhar para o futuro. O transtorno é temporário, mas o benefício é permanente”, cita o superintendente regional, ao mencionar o estudo que aponta que, a cada R$ 1 investido em saneamento, economizam-se R$ 4 em saúde pública.

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Mais prazo para adequações

Um dos assuntos mencionados no encontro foi em relação ao prazo para as ligações na rede da Corsan. Inicialmente, são 30 dias, mas que podem chegar a 90.

Os vereadores solicitaram que esse tempo seja estendido, principalmente por causa das dificuldades de contratação de mão de obra na cidade. Lutero, por sua vez, assegura que a Corsan possui diretrizes estabelecidas em lei.

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“A concessionária vai fazer aquilo que está regrado no marco legal do saneamento, mas nós, como usuários desse sistema, temos que ter a responsabilidade ambiental e nos conectarmos nos prazos determinados”, complementa o representante da empresa.

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Superintendente da Corsan da Regional Nordeste (Surne), Lutero Cassol



Superintendente da Corsan da Regional Nordeste (Surne), Lutero Cassol

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Quando não há a ligação na rede, o usuário paga pela taxa de disponibilidade, equivalente a 140% do valor do metro cúbico de água. A Corsan justifica que a tarifa de disponibilidade não isenta o usuário da obrigação de conectar-se à rede, e que o descumprimento dessa obrigação fica sujeito a multas e demais sanções.

Novas regras para soleiras negativas

Lutero reforça que novas regras estabelecidas por resolução normativa irão baratear os custos de ligação para locais que possuem soleira negativa – que é quando as economias estão abaixo da rede de esgoto e é necessário o bombeamento.

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Desde janeiro, há a possibilidade de implementar o chamado coletor de fundos. Assim, unem-se os lotes em uma rede única até que se possa dispensar o esgoto por gravidade. Dessa forma, não é necessária a instalação de bombas.

“Melhorou muito, porque não se tem o gasto de instalação e de manutenção, somente a tubulação. Mas é preciso ser construído um documento entre todos os vizinhos, e registrado em cartório”, alerta Lutero.

Aumento no valor das contas

Os vereadores solicitaram explicações sobre aumentos nas contas relatados por moradores. Lutero enfatiza que houve apenas o reajuste anual na tarifa, de 4,68%, em janeiro deste ano. Um dos pontos abordados é que, com o avanço da rede de esgoto, há a cobrança pelo serviço.

Após o início da utilização, 70% do valor consumido de água é cobrado como taxa de esgoto. Se, por exemplo, uma fatura tem R$ 100 de consumo de água, haverá a cobrança de mais R$ 70 pelo esgoto.

“Isso porque estudos mostram que, de toda a água que entra em uma residência, 70% volta em forma de esgoto. Isso contando vaso sanitário, máquina de lavar roupa, pia, chuveiro”, enumera Lutero.

Comunicação de obras e qualidade do serviço

A comunicação sobre o início das obras e a qualidade da repavimentação também foram questionadas. O superintendente regional alega que a empresa possui um programa de responsabilidade social e que há colaboradores que informam os cidadãos sobre o começo das intervenções.

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Lutero ainda salienta que a companhia fica à disposição e busca lideranças locais para a realização de reuniões, mesmo que fora do horário comercial. “A Corsan não está satisfeita com o padrão de todas as obras. Tem algumas empresas que precisam melhorar e nós cobramos. Nós queremos fazer uma única vez e resolver o problema, evitar o ruído, mas nem sempre acontece assim”, corrobora.

Enquadramento tarifário

A mudança no enquadramento tarifário para hotéis e pousadas também foi tema de perguntas. Segundo a Corsan, essa iniciativa tem como objetivo uniformizar o modelo de cobrança dos serviços, sem criação de nova tarifa.

A companhia ressalta que isso não resultará em elevação das despesas com abastecimento de água e esgotamento sanitário.

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Lutero afirma que as discussões ainda estão ocorrendo e que não houve mudanças na região. “Essa adequação de cobrança é negociada individualmente com cada consumidor de grande porte. O preço por metro cúbico é ser até mais barato quando há o contrato por demanda”, assegura.

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