O que esperar da infraestrutura de Gramado para o futuro? Em quais áreas ocorrerão expansões urbanísticas? Como acompanhar esse crescimento de forma ordenada?
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Foto: Divulgação
Esses são alguns dos questionamentos que foram levantados para os estudos do novo Plano Diretor da cidade, aprovado em 2022, e que começam a ser, de fato, respondidos. E mais do que isso, detalhados em projetos. Dessa forma, está prestes a ser lançado o projeto urbanístico relevante (PUR) da nova centralidade.
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A partir das discussões sobre o planejamento de Gramado – incluindo também saneamento básico e mobilidade urbana – ficou definido que a zona norte do município, próximo ao bairro Mato Queimado, seria a ideal para essa expansão, criando novos bairros com possibilidades de moradia, comércios, serviços, opções de lazer e entretenimento e áreas verdes.
Quem está à frente do projeto é a Secretaria de Planejamento de Gramado, junto com a pasta do Meio Ambiente, o Núcleo de Tecnologia Urbana (NTU) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), através do arquiteto Benamy Turkienicz, e a consultora jurídica Vanesca Buzelato Prestes.
O secretário de Planejamento, Rafael Bazzan, explica que, levando em consideração a dinâmica populacional em que 100 mil pessoas circulam por dia na cidade – entre moradores, trabalhadores e turistas, há a necessidade e a oportunidade de criar a nova centralidade, capaz de absorver e distribuir esse contingente de forma organizada, valorizando tanto a moradia fixa quanto a vocação turística que Gramado já tem.
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Um dos pontos ressaltados pelo secretário é que o projeto tem como objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas, pois haverá uma concentração maior em um mesmo local, reduzindo a necessidade de grandes deslocamentos para atividades do dia a dia.
Qual a ideia para o futuro

Foto: Arte Alan Machado/GES
A área delimitada pelo poder público para a nova centralidade tem 914 hectares – em torno de 9 quilômetros quadrados – e fica à esquerda de quem se desloca para Canela pela Estrada do Caracol. Esse território foi dividido em zoneamentos, com ocupações intensiva, intermediária e rarefeita, semelhante ao que ocorre com o Plano Diretor.
Dentro de todo o montante, há 88 hectares que foram delimitados para a zona intensiva – uma área em tamanho semelhante ao Centro de Gramado hoje. A definição ocorreu priorizando espaços com menor declividade e menor impacto ambiental.
Na prática, essa será a área em que será permitida uma maior ocupação, com, por exemplo, construção de prédios com maior índice construtivo. A projeção é de uma capacidade populacional de aproximadamente 15 mil habitantes. Esse entorno será composto por terminal rodoviário, comércios, opções de serviços e de lazer.
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A nova centralidade também possui espaços com potencial turístico. Toda a área prevista da nova centralidade é privada, dividida em 46 proprietários.
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Contudo, existe a estimativa de que 40% dos 914 hectares se transformem em área pública. Isso porque há a previsão em lei dessa destinação para ruas e áreas públicas, quando um empreendedor decide lotear ou construir em um terreno com tamanho superior a 2 hectares. Essas áreas, posteriormente, poderão receber escolas, praças e parques. E até uma casa de saúde, que terá parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
Projeto é um dos pioneiros no Brasil

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Rafael ressalta que o projeto é pensado para uma Gramado do futuro, daqui a 10, 15 anos. “A gente entende que aquela área realmente é a área mais propícia para uma expansão urbana”, reitera, reforçando que a ocupação vai depender do mercado imobiliário e do desejo dos proprietários de construir no local.
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O projeto é encarado com um dos pioneiros no Brasil, tendo diretrizes viárias estabelecidas e a infraestrutura definida. “É um projeto desafiador e ousado. Não estamos pensando somente no período em que estivermos na gestão, mas sim para o desenvolvimento futuro”, pondera o secretário de Planejamento.
Tramitação no Legislativo
Rafael Bazzan pondera que os estudos começaram a ser encomendados em 2023, focando na parte ambiental, questões urbanística e de direito urbanístico.
Os proprietários das áreas tiveram reuniões com o Executivo e obtiveram as informações gerais sobre o projeto. Agora, a prefeitura trabalha na fase final de ajustes e elaboração da minuta de lei que vai regular toda a ocupação.
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A área tem um zoneamento muito restritivo, o que impede de viabilizar alguns tipos de empreendimentos. Por isso, o secretário cita que os proprietários terão oportunidade de ampliar as possibilidades de uso das áreas. “O que estamos fazendo não é uma desapropriação é uma forma de possibilitar o uso da área de forma ordenada”, ressalta Rafael.
A previsão é que o projeto de lei seja protocolado na Câmara de Vereadores em meados de agosto e que inicie a tramitação, que precisa contar com audiência pública, uma oportunidade para que os proprietários possam conversar, tirar dúvidas e entender melhor como podem participar.
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O secretário acentua que, mesmo com as permissões, os projetos precisarão seguir os ritos de aprovação e de compensações, através de estudos de impacto de vizinhança (EIV).
Complexo de lazer
O complexo de lazer e entretenimento que terá o resort do Club Med deve impulsionar a nova centralidade, inclusive, porque possui a maior área do projeto – 205 hectares. A previsão dos investidores é que as obras da primeira fase sejam concluídas no final do ano que vem e que a operação inicie até maio de 2027.
Além do hotel, pista de esqui, teleférico, até montanha-russa tecnológica integram o projeto, que deve receber investimento de R$ 1 bilhão. Os empreendedores já tem a primeira licença da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), em 36 hectares, e protocolaram o projeto arquitetônico na prefeitura.
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