“Em um segundo você perde a sua família inteira”. O relato é da corretora de imóveis Mariana Niro. Quase um ano após o trágico acidente em que ela perdeu 10 familiares, na queda de um avião em Gramado, a empresária falou sobre o assunto, durante as gravações do programa Amar Maternidade, de Mariana Kufper. (Veja o vídeo no fim da matéria).

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
O vídeo, disponível no Youtube, foi publicado no dia 26 de novembro. Ao longo de 57 minutos, Mariana fala sobre sua história, fé e espiritualidade.
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De acordo com a publicação, Mariana deixou o Brasil há mais de 20 anos para construir uma nova vida em Miami, nos Estados Unidos. Atualmente, é considerada uma das top 6 corretoras de imóveis da Flórida. Com uma história ligada a episódios de superação, ela enfrentou um divórcio durante a gravidez e sobreviveu a um grave acidente de bicicleta há dez anos.
E, no dia 22 de dezembro de 2024, passou pelo momento mais triste da vida: a perda da mãe, duas irmãs, sobrinhos e cunhados. A família decolou do aeroporto de Canela, por volta das 9 horas, com destino à cidade de Jundiaí, em São Paulo.
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Logo após, houve a perda de controle e a aeronave tocou no topo de um prédio em construção e em uma casa antes de invadir uma loja de móveis, onde explodiu, na Avenida das Hortênsias.
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Morreram no acidente o empresário e cunhado de Mariana Luiz Claudio Salgueiro Galeazzi, dono e piloto do avião; a esposa dele, Tatiana Natucci Niro; as três filhas do casal, Maria Eduarda Niro Galeazzi, Maria Elena Niro Galeazzi e Maria Antonia Niro Galeazzi; Lilian Natucci, sogra de Galeazzi; Veridiana Natucci Niro, irmã da esposa de Galeazzi; Bruno Cardoso Munhoz Guimaraes Araújo, diretor da empresa e marido de Veridiana; e as filhas do casal, Giulia e Matteo.
Além da família, Lizabel de Moura Pereira, de 56 anos, teve 43% do corpo queimado e faleceu após ficar três meses internada. Ela era camareira de uma pousada, que foi atingida pelas chamas causadas pela explosão do avião.
Falando pela primeira vez sobre o caso

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
No vídeo, Mariana explica que é a primeira vez que fala publicamente sobre o acidente. Ela conta que, no dia da tragédia, tinha acabado de chegar ao Brasil com o filho, pois a família se reuniria para uma viagem para a Bahia. “A gente ia para a casa da minha mãe esperar que eles iam sair de Gramado”, recorda.
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“Normalmente, eu sempre ligo para a minha mãe, eu não liguei. Eu mandei mensagem. Por que eu não liguei, sabe? Tipo, eu me culpo um pouco disso. Não sei se mudaria alguma coisa ou não se eu tivesse falado com ela. Se ela tivesse dividido comigo que o tempo não estava bom”, comenta Mariana.
Ela ressalta que recebeu a notícia sobre as mortes pela irmã do cunhado Luiz Claudio Galeazzi. “O telefone tocou e quando eu vi que era ela ligando, minha perna já estremeceu, porque ela nunca me liga. E aí ela falou que aconteceu um problema no avião e todo mundo morreu”, desabafa a corretora.
Mariana relembra que foi correndo abraçar o filho. “Caí no chão contra a parede e fiquei ali sentada. Eu lembro que abracei ele e falei: vai ser para o resto da vida eu e você. A gente fica descrente, porque em um segundo você perde a sua família inteira”, lamenta, citando a boa relação que tinha, principalmente com a mãe. “A minha mãe foi a minha melhor amiga. Realmente era um anjo, um ser muito iluminado e que estava sempre pronta para ajudar”, complementa.
Objetos intactos

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Ao salientar sua fé e espiritualidade, Mariana relata que sabe que “tem dez anjos lhe protegendo”. Ela cita que, um mês após o acidente, recebeu objetos que estavam no avião.
“As únicas coisas que resistiram foram objetos religiosos e fotos. As mochilas todas pretas, de fogo, laptop todo queimado, tudo. Só o que sobrou foi uma cruz, um Espírito Santo, um terço de plástico e umas fotos de plástico, que estavam dentro de uma carteira. A carteira toda destruída e as fotos intactas. Tudo que era de Deus, religioso e as fotos, ficaram intactos”, acentua.
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Como missão de vida, Mariana adianta que está escrevendo um livro sobre sua trajetória, com o propósito de fazer o “mundo ouvir a voz do silêncio”. Ainda, ela planeja criar uma fundação de apoio a pessoas em vulnerabilidade. “Eu vou seguir minha vida e eu vou honrá-los da melhor maneira”, frisa.
Investigação

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL/arq
Em agosto deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que parte da investigação sobre o acidente será executada nos Estados Unidos. Os motores da aeronave passarão por uma análise com o apoio técnico da empresa fabricante.
“Essas análises têm como objetivo confirmar ou descartar possíveis fatores contribuintes para a ocorrência”, informa o órgão.
Em um relatório preliminar, divulgado em janeiro, o Cenipa apontou dois fatores principais: voo controlado contra o terreno (Cfit) e uma perda de controle em voo (LOC-I).
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Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da Força Aérea Brasileira, o termo Cfit – do inglês controlled flight into terrain – caracteriza que o acidente aconteceu mesmo quando a aeronave está funcionando perfeitamente. Ainda, que o “principal fator contribuinte é o incorreto conhecimento, por parte do piloto, da real situação de sua aeronave em relação ao solo ou a obstáculos no terreno”.
A sigla LOC-I – do inglês loss of control in-flight – é informada quando acontece o desvio da trajetória pretendida.
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Em paralelo, a Polícia Civil de Gramado também investiga as circunstâncias do acidente para apurar se há alguma responsabilidade do ponto de vista penal. Contudo, aguarda o relatório final que será publicado pelo Cenipa para dar andamento ao inquérito.
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