Entre letras, sílabas, palavras e frases a criançada vai se tornando cidadã. Como o acesso à educação é um direito de todos, a alfabetização é o primeiro passo para o pleno exercício da democracia. Para reforçar a importância e os impactos sociais e econômicos do tema, no dia 8 de setembro é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização.
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Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Em Gramado, desde meados de 2022, professores da rede pública estão envolvidos em planejar estratégias para alcançar a alfabetização de crianças até o 2º ano do ensino fundamental – entre os 6 e 7 anos. No município, um dos programas desenvolvidos é o Alfabetiza Tchê, do governo estadual.
“Nós trabalhamos em equipe em prol da melhoria da alfabetização das nossas crianças, porque entendemos que é um direito”, destaca a subcoordenadora municipal do Alfabetiza Tchê, Josiéli Spannenberger, que também atua como coordenadora dos anos iniciais na Secretaria de Educação.
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Atualmente, são cerca de 800 alunos envolvidos e um grupo que se reúne semanalmente para debater projetos e fazer análises. Um dos pontos avaliados é a chamada Escada da Psicogênese, que descreve as etapas da língua escrita, desde o nível pré-silábico até o nível alfabetizado. A partir de três avaliações anuais, é possível acompanhar a evolução do processo de aprendizagem das crianças.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
A partir desse processo, são executadas ações para o desenvolvimento de cada criança, para que ela consiga ir avançando os degraus. “Apesar de termos uma rede única, as escolas apresentavam resultados com muita disparidade. Agora, temos um trabalho alinhado”, reitera Josiéli.
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A articuladora municipal da Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa), Sueli de Oliveira, reforça que é um desafio constante alcançar a meta para que as crianças se alfabetizem na idade certa. Por isso, a importância de uma política de alfabetização que possa ser continuada, independente de um governo.
“A gente faz o mapeamento para saber em que ponto da alfabetização cada aluno está e, a partir disso, vamos fazendo a formação dos professores para que pensem em ações pedagógicas para garantir a aprendizagem”, aponta. “A gente vai poder falar de democracia quando todo mundo aprender a ler. Se tem quem não lê é porque ainda há uma desigualdade social muito grande”, acrescenta.
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A coordenadora municipal do Alfabetiza Tchê, Ionara da Silva, reforça que é imprescindível acompanhar o processo individual de cada estudante. “Não adianta a gente achar que todo mundo está no mesmo nível. Não podemos dar atividades de nível alfabetizado para uma criança que está no pré-silábico e nem ao contrário”, argumenta.
Estímulo às crianças

Foto: Divulgação
Para a subcoordenadora municipal do Alfabetiza Tchê, um dos pontos destacados é o estímulo às crianças. “Reforçamos essa necessidade da escrita espontânea, de ações voltadas para a leitura e para a escrita, trabalhando o lúdico, porque não dá para fazer uma quebra muito brusca da educação infantil para o ensino fundamental”, atesta Josiéli.
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Mesmo com as diferentes realidades de cada família, os pais e responsáveis são convidados para que participem desse processo, que tenham interação e leiam para os pequenos. Pensando nisso, atividades são realizadas, como as sacolas literárias, em que as crianças levam livros para casa.
“Procuro fazer com que eles tenham vontade de voltar para a aula no dia seguinte”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Uma das professoras alfabetizadoras da rede municipal de Gramado é a Flávia Kramer. Na carreira há 15 anos, ela atualmente atua com uma turma de 1º ano na escola Henrique Bertoluci Sobrinho, no bairro Casagrande.
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Com exercícios lúdicos e muitas atividades diferentes, ela vai ensinando os alunos a ler e escrever. Tudo através da curiosidade e da brincadeira. Para isso, são feitos vários planejamentos diferentes, pensando nas crianças em diferentes níveis de aprendizagem. “Com isso, fazemos com que fique estimulante para os estudantes”, acentua Flávia. “Eu sempre procuro fazer com que eles tenham vontade de voltar para a aula no dia seguinte”, complementa.
Como pontos de atenção e de desafios a serem encarados, a professora pontua a infrequência nas aulas e um número muito grande de alunos por turma.
Resultados de 2024
Em uma análise do último ano, Ionara comenta que a metade dos alunos que ingressou no 1º ano estava em nível pré-silábico, que é quando não existe uma relação entre a pronúncia e a escrita. Enquanto que, em torno de 14%, já tinham um nível alfabético ou alfabetizado.
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Ao longo do ano, no terceiro ciclo de avaliação, constatou-se que 86% dos alunos alcançaram os níveis alfabético ou alfabetizado. Para as crianças que estão no 2º ano, a avaliação inclui a escrita espontânea de um texto, a partir de um conto.
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A coordenadora cita que, em 2024, 76% dos alunos iniciaram na etapa de alfabetizados (Alf1 e Alf2) e, em novembro, a rede municipal contava com 93% dos estudantes alfabetizados, sendo a maior parte no Alf3. O reconhecimento dos resultados vai para toda a rede. “Temos diversos trabalhos inovadores de professores, mas também aqueles que são simples e que apresentam bons frutos”, pondera Josiéli.