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SAÚDE MENTAL

Setembro Amarelo tem programação voltada a apoiar quem encara uma luta diária contra a depressão

A jovem Livia Gianini de Oliveira teve o primeiro diagnóstico da doença aos 14 anos. Com ajuda profissional e da família, ela está conseguindo vencer essa batalha; saiba como buscar auxílio

Mônica Pereira
Publicado em: 06/09/2025 às 14h:50 Última atualização: 06/09/2025 às 14h:50
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“Conversar pode mudar vidas.” Esse é o tema principal do Setembro Amarelo deste ano, com uma programação voltada a falar sobre saúde mental e a quebrar tabus. As ações envolvem diversas entidades nacionais, como o Centro de Valorização da Vida (CVV).

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Livia Gianini de Oliveira recebeu primeiro diagnóstico de depressão aos 14 anos



Livia Gianini de Oliveira recebeu primeiro diagnóstico de depressão aos 14 anos

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Engajada nessas ações, a Prefeitura de Canela terá um mês repleto de atividades e de divulgação dos serviços gratuitos oferecidos. Com tratamento adequado é possível voltar a perceber que a vida vale a pena.

Um desses exemplos é da canelense Livia Gianini de Oliveira, de 22 anos. O primeiro diagnóstico de depressão veio aos 14 anos, decorrente de episódios traumáticos vividos na infância. Desde setembro de 2017, ela busca ajuda para tratar a doença. Uma luta constante e diária para que entenda que faz a diferença no mundo.

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Livia conta que foi árduo até perceber que as coisas que lhe aconteceram não eram culpa dela. “Eu só queria que aquela dor parasse”, aponta, relatando que os quadros de depressão vêm acompanhados de um sentimento profundo de incapacidade. “Quando a gente está lá no fundo do poço, só precisamos que as pessoas não desistam da gente”, relembra.

Com apoio de profissionais da saúde e da família, Livia voltou a se redescobrir e fazer coisas que gostava e que lhe faziam bem. “Não é fácil, mas percebi que eu tinha um futuro que valia a pena”, atesta.

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Ao longo dos últimos oito anos, Livia acentua que aprendeu a ouvir e entender que os “sermões” que ela achava que ouvia eram de pessoas que se importavam com ela.

“Fui me desenvolvendo e aprendi que a depressão não me define”

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Livia recebeu diagnóstico de depressão aos 14 anos



Livia recebeu diagnóstico de depressão aos 14 anos

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

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Entre os diversos atendimentos no hospital, ela descobriu que estava grávida. Pela pequena Aurora, que está prestes a completar 3 anos, ela ouviu o conselho de uma médica e passou por um período de internação de quase um mês.

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“Eu tinha o preconceito de ser internada porque eu achava que isso era só coisa para ‘louco’. Mas foi tudo ao contrário do que eu imaginava e me ajudou muito. Tive esse período para cuidar de mim, conversar com psicólogos e fazer atividades em grupo. Até voltei a desenvolver o meu lado mais criativo”, pondera.

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Com a orientação médica que precisava, Livia foi voltando a se relacionar com as pessoas. “Hoje, eu sou muito feliz ao lado da minha esposa, filha e da minha família. Estou deixando de lado aquela vozinha que dizia que não sou capaz”, afirma. “Fui me desenvolvendo e aprendi que a depressão não me define”, assegura.

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Em busca de hobbies para ocupar a cabeça e passar o tempo, a jovem começou a trabalhar como manicure. No início, com amigos e familiares, mas que foi se tornando algo sério e agora é profissão.

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Para Livia, que fez todo o tratamento na rede pública de Canela, é importante conscientizar a todos sobre a importância de um olhar carinhoso a quem está enfrentando a doença e, mais do que isso, uma mão que se estenda na busca por um atendimento especializado. “Falar com as pessoas ajuda muito, tira aquela carga de que não é preciso aguentar tudo sozinha. O que mais precisamos é de apoio, que não virem as costas para a gente”, acentua.

Ainda em tratamento regular com o uso de medicamentos e sessões de terapia, a manicure ressalta a importância das atividades do Setembro Amarelo para auxiliar as pessoas que estão com a doença e também os familiares.

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Aumento de casos

Um dos especialistas convidados pela Secretaria da Saúde de Canela para integrar a programação é o médico psiquiatra Neury José Botega. Ele também é professor titular da Faculdade de Ciências Médicas e da Universidade Estadual de Campinas, além de ser o autor do livro: A tristeza transforma, a depressão paralisa. O profissional falará sobre esse tema, na sexta-feira, dia 26, às 19 horas, no auditório do campus de Canela da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

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Neury cita que, desde a pandemia, houve uma maior conscientização das pessoas sobre as dificuldades emocionais e a saúde mental. O profissional reforça que tem percebido o aumento de casos de depressão e ansiedade, principalmente entre os jovens e adultos jovens.

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“A tristeza faz parte do nosso desenvolvimento emocional. Se a gente não se frustra e não sente tristeza, não consegue amadurecer. E esse é um problema muito presente da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), que é muito imediatista, passa muito tempo com telas e possui dificuldade nos relacionamentos reais. Esses jovens têm uma incapacidade de tolerar a frustração e de lidar com o sofrimento”, explica.

“A gente não deve cobrar a pessoa para ela reagir”

Médico psiquiatra Neury José Botega



Médico psiquiatra Neury José Botega

Foto: Divulgação

Segundo o médico, a duração é o que pode diferenciar uma tristeza, que costuma ser passageira, de um quadro de depressão – que pode durar mais que semanas. “Com a depressão, a pessoa sente um vazio, um desespero, se estranha, não consegue se animar. A pessoa muda muito, chega a ter medo de enlouquecer. Quando o desespero é muito grande, pode pensar que a vida não vale mais a pena”, declara.

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Neury classifica a doença como uma “perda da esperança” por parte do paciente, que pode ficar mais irritado, ser grosseiro e sem paciência. Beber mais também é um ponto observado em quem tem a doença. O psiquiatra aponta que, nesses casos, é preciso ajudar e não repreender. “A gente não deve cobrar a pessoa para ela reagir e superar e nem comparar dores. A depressão é uma doença e precisa de tratamento”, diz.

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“A maneira de ajudar não é dar tapinhas nas costas e falar ‘força e melhora’. Para quem quiser ajudar alguém com depressão precisa ser algo mais pragmático, no sentido de levar essa pessoa até um tratamento e ajudar ela a manter-se em tratamento”, salienta. Neury pontua que o uso de medicamentos é um importante aliado na cura da depressão, mas que, atualmente, também são utilizados tratamentos não farmacológicos, com estimulação do cérebro.

Proporcionar qualidade de vida

A coordenadora da Saúde Mental em Canela, Tânia Aguiar, reforça que o município dispõe de equipe de saúde mental na atenção primária, composta por psicólogos e assistente social, que acolhem situações de crianças, adolescentes, adultos e idosos em casos considerados de fragilidade emocional e de baixa complexidade.

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Há, ainda, acolhimento de casos mais graves pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e, também, se necessário, pelo Hospital de Caridade de Canela (HCC). “Estamos inseridos em vários setores da comunidade, com o objetivo de proporcionar a prevenção à saúde mental, gerando mais qualidade de vida a todos”, destaca.

O psicólogo Dhones Stalbert Nunes da Silva é um dos profissionais que atende os pacientes nas UBSs Canelinha e Central. São cerca de 120 ao mês.

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“São pessoas que chegam até nós em sofrimento mental por diferentes motivos e nosso trabalho é fazer com que elas ressignifiquem esse sofrimento. A rede de atenção psicossocial busca combater o adoecimento da população através da conscientização para a importância do cuidado que cada um deve ter com suas emoções”, destaca.

Busque ajuda

Centro de Atenção Psicossocial (Caps): Rua São Francisco, nº 180, das 7 às 17 horas. Telefones: (54) 3282-5159 e 9 9112-8691 (WhatsApp);
Unidades de saúde: São Luiz: 3282-5115; Canelinha: 3282-5116; Santa Marta: 3282-5112; Leodoro: 3282-5117 e Central: 3282-5119;
CVV: 188 ou cvv.org.br

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