Telas, pincéis, lápis, câmeras fotográficas. Os artistas estão de volta ao interior de Gramado para retratar as belezas, curiosidades e as paisagens na Serra. As cores, texturas e contrastes vão se transformando em obras de arte e eternizando cenários.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Ao longo de 20 saídas de campo pelas linhas da área rural, pintores e outros profissionais das artes visuais disseminam o movimento do “en plein air”. Na tradução do francês, ao ar livre. E é com esse intuito de valorização que está sendo preparada a segunda edição do Gramado Natural.
ARTE: Artistas estão eternizando em telas as belezas do interior de Gramado
O projeto foi sonhado e idealizado pelo artista Alessandro Müller. O pintor ressalta que um dos objetivos é chamar atenção para as belezas de Gramado com foco em um turismo sustentável. Fazer com que as pessoas vivenciem a vida no interior, as tradições e a cultura de uma maneira que não destrua o ambiente em volta.
Para Alessandro, é reforçar o potencial humano e o espírito empreendedor da comunidade, mas com respeito ao passado, colocando a natureza como protagonista dessa história.
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É realizando esses encontros ao ar livre que o projeto tem a missão de reunir entusiastas da área, com eixos de criação artística, formação, mostra de arte e intercâmbio cultural. Para 2025, mais de 300 pessoas devem participar do evento – que ocorrerá entre os dias 24 e 28 de setembro, no território criativo Vila Joaquina. Realizado através de incentivo do governo estadual, o projeto une também capacitações para artistas e alunos da rede municipal.
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Ao todo, são 40 pessoas envolvidas na ação de forma direta ou indireta. Ao longo dos cinco dias de evento, será realizada a exposição com as 80 obras que estão sendo pintadas nas saídas de campo, com o coletivo Ateliê das Utopias. Na programação, haverá também uma série de atividades artísticas gratuitas. As inscrições já estão abertas e podem ser acessadas pelo perfil do Instagram @pleinairgramado.natural.
“Temos coisas aqui que são patrimônio natural, com valor inimaginável”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Nesta edição, a fotografia analógica é um dos diferenciais. O biólogo Gustavo de Marchi, mais conhecido como Gus, de 49 anos, está buscando contrastes pela região. Ele trabalha com esse tipo de fotografia desde 1992.
“Esse processo todo do Gramado Natural foi um aprimoramento gigante para minha técnica. Resolvi encarar só esse lado da fotografia analógica sem materiais importados ou coisas caras. Estou buscando só com o que tem por perto, o que é acessível”, declara Gus, citando a utilização de chapas de raio-x e químicos para a impressão com receitas antigas.
Há mais ou menos 25 anos, o biólogo começou a se especializar na fotografia analógica de paisagens. Segundo ele, uma interpretação da realidade, já que as imagens saem em escala de cinza.
Gus trabalha com prestação de serviços, como licenciamento ambiental, por isso, está sempre pelo interior. Para não deixar nenhum momento passar, circula com o kit com a câmera e chapas a postos. “Quando você sai do carro e começa a caminhar, descobre uma riqueza inacreditável”, acentua. E, quando questionado se não seria mais fácil uma câmera digital é enfático: “Nem sei usar direito. Fiquei no sistema antigo que é mais garantido”, brinca. Alguns cliques chegam a demorar até dois minutos para capturar toda a luz necessária.
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Mesmo conhecedor do interior de Gramado, o biólogo reforça que está descobrindo raridades, com árvores e plantas que podem até virar objeto de artigos científicos. “Acho muito bacana a interação do ser humano com a natureza e a mistura do exótico com o natural, isso que é herança cultural”, pondera, reforçando a necessidade de preservação de todas as espécies. “Temos coisas aqui que são patrimônio natural, com valor inimaginável”, complementa.
Incentivo para dar continuidade ao trabalho

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Alessandro comenta que a receptividade da comunidade do interior tem sido um combustível para a continuidade do trabalho. Nos locais em que voltaram, são incentivados pelos moradores que abrem as propriedades para o grupo.
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Um dos momentos de emoção para o pintor foi voltar até a Linha Pedras Brancas. No ano passado, a localidade foi severamente atingida por um deslizamento de terra, durante a catástrofe climática. Seis pessoas morreram.
“Quando eu vi a foto da destruição me abalei muito porque era do mesmo ângulo em que eu havia pintado aquele cenário”, relembra. “Fiz questão de voltar lá e pintar, só que o cenário é outro. Pintei uma das pedras que rolou do morro. A gente começa a perceber que não é mais um fato estético e nem a arte pela arte, o Gramado Natural está trazendo uma discussão e é um manifesto pelo meio ambiente”, atesta.
Terceira edição já confirmada
A terceira edição do projeto também já foi viabilizada, através do apoio via governo federal, Ministério da Cultura e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
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“Viabilizar projetos culturais locais através da captação de recursos federais é uma tarefa complexa. Garantir esta viabilização nos deixa contentes, pois estamos trazendo uma nova opção de desenvolvimento para o turismo cultural da cidade, de forma sustentável e através da economia criativa. Outra novidade é que, a partir desta edição, estamos elevando o evento ao nível internacional, através da presença confirmada de renomados pintores estrangeiros”, afirma a gestora cultural responsável pelo evento, Luana Michel
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