O nome de Gramado está sendo ecoado pelas mais diversas pistas de motocross Brasil afora. Ao longo de 2025, a cidade contou com representação dos pilotos João Otávio Borges Padilha, de 9 anos, e de Marina Becker, de 43 anos.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Os dois competiram pelo Sul-Brasileiro da modalidade e garantiram conquistas no esporte. Os gramadenses são associados do Gramado Cross Clube, que tem sede na Linha Carazal.
Marina empilha troféus na galeria. Neste ano, tornou-se campeã catarinense e sul-brasileira – por antecipação – na categoria MXF. Na carreira, também detém os títulos dos campeonatos gaúchos de motocross e de motovelocidade.
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Já o pequeno João Otávio, que há pouco mais de um ano se tornou piloto, ficou em segundo lugar no Sul-Brasileiro, na categoria MX. Ainda, foi vice-campeão das competições Pro Honda e Copa Serrana.
Para o ano que vem, eles irão encarar as disputas pelo campeonato brasileiro e querem buscar o tão sonhado título nacional.
Um prodígio no esporte

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João Otávio, que compete com o número 999, é um prodígio no esporte. O menino subiu em uma motocicleta pela primeira vez em meados de julho de 2024. Desde então, não parou mais. Dos treinos no final de semana, decidiu começar uma trajetória rumo ao profissional – que promete ser bem promissora.
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Ele competiu pelo Campeonato Brasileiro de Motocross neste ano. A etapa mais longe de casa foi em maio, em Cuiabá, em Mato Grosso. A oportunidade serviu para agregar experiência para voltar mais preparado em 2026.
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Os pais Juceleine Borges, de 46 anos, e Matheus Carvalho Padilha, 40 anos, estão investindo no futuro do rapaz. Com o avanço na modalidade, já está na quinta moto. Para 2026, competirá em uma 65 cilindradas. “É um esporte que tem que ter coragem, foco e habilidade. Exige resistência física e psicológica, porque você precisa estar 200% concentrado”, destaca a mãe.
Desejo de colocar a cidade no circuito

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Para João, o frio na barriga acontece no momento da largada das provas, quando todos os pilotos se alinham. Essa etapa é considerada essencial, pois há dificuldade em realizar ultrapassagens. “É o que define uma boa corrida”, relata Matheus.
Ao longo do circuito – que costuma ter cerca de 1,5 mil metros – há trechos em reta, curvas e saltos. E, claro, os momentos preferidos de João são quando as duas rodas estão no ar. A motivação é a adrenalina. Com foco em seguir nesse caminho, a rotina, que já era intensa, deve ficar ainda mais.
Neste primeiro ano de treinamentos, a família percorria mais de 200 quilômetros para que João pudesse treinar. Para conciliar com a escola, saíam antes das 5 horas para retornar para casa até o final da manhã. “Gramado está fora do eixo de treinamentos e a gente tem que correr atrás. O lugar mais perto é Montenegro”, reforça o pai do piloto.
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O empresário cita que está em contato com a Secretaria de Esporte e Lazer de Gramado para buscar incentivos para que a cidade volte a ter provas e a movimentar o circuito. Em novembro, por exemplo, foi realizada a Copa Gramado de Motocross.

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“A ideia é voltar a fazer a Copa Gramado com quatro etapas e tentar a realização de uma etapa do campeonato gaúcho no ano que vem”, completa, destacando que o clube possui apoio da Secretaria de Obras que auxilia com maquinário para ajustes na pista.
“É uma sensação indescritível”

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
Natural de Gramado, Marina é amante do motocross desde os primeiros anos de vida. Começou a pilotar aos 8 anos, por influência do pai, Altivo Becker, mais conhecido como Pekinha, que é fundador do Gramado Cross Clube.
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Nem mesmo os acidentes que sofreu ao longo dos anos, como uma costela quebrada, a afastaram das pistas. “A gente se sente de alma lavada. Eu e a minha moto nos tornamos um só. É uma sensação indescritível, a liberdade e o desafio”, descreve a piloto, que compete com o número 86.
Depois de algumas pausas, Marina retornou ao cenário esportivo com mais intensidade neste ano. Ela mora atualmente em Novo Hamburgo com o marido, Leandro Schwindt, que também é piloto.
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Mesmo competindo em um nível profissional, leva o esporte como hobby. Ela concilia as provas e treinos com a rotina de advogada. “Eu vivo para o motocross, mas ele ainda não vive para mim”, brinca.

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL
A piloto comanda uma Yamaha 250 cilindradas. Para equilibrar a potência da moto com o peso de Marina, as suspensões precisaram ser modificadas. Em um esporte muito voltado aos homens, ela várias vezes precisou competir em categorias masculinas. “E até hoje, sou a única mulher campeã gaúcha de motovelocidade”, acentua.
Para 2026, a ambição é conseguir realizar todo o campeonato brasileiro e ficar no top 3.