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Queda de avião em Gramado: Acidente aéreo que matou 11 pessoas completa 1 ano

Investigações da causa do acidente ainda não foram concluídas; envolvidos na tragédia tentam se reerguer

Mônica Pereira
Publicado em: 22/12/2025 às 12h:18
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Um domingo chuvoso. Um dia que começou comum em Gramado, mas que foi assolado por uma tragédia. Em 22 de dezembro de 2024, a queda de um avião na Avenida das Hortênsias chocou a cidade, o Estado e até mesmo o País (assista ao vídeo no final da matéria).

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Antiga loja destruída dá espaço para nova construção, que deve ser concluída em breve



Antiga loja destruída dá espaço para nova construção, que deve ser concluída em breve

Foto: fotos Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

O acidente causou a morte de dez pessoas da mesma família na hora. E, três meses depois, a da moradora de Canela, Lizabel de Moura Pereira, de 56 anos.

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O cenário de destruição foi causado minutos após a decolagem do avião Piper, de prefixo PR-NDN, do aeroporto de Canela, por volta das 9 horas. A aeronave tinha como destino a cidade de Jundiaí, em São Paulo.

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O bimotor tocou no topo de um prédio que estava em construção na época e em uma casa antes de invadir uma loja de móveis e explodir. O impacto e as chamas atingiram uma pousada que ficava ao lado e 17 pessoas ficaram feridas, duas com extrema gravidade.

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Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano



Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

O piloto e dono do avião era o empresário paulista Luiz Claudio Salgueiro Galeazzi. Além dele, também faleceram a esposa, Tatiana Natucci Niro; as três filhas do casal, Maria Eduarda Niro Galeazzi, Maria Elena Niro Galeazzi e Maria Antonia Niro Galeazzi; Lilian Natucci, sogra de Galeazzi; Veridiana Natucci Niro, irmã da esposa de Galeazzi; Bruno Cardoso Munhoz Guimarães Araújo, diretor da empresa e marido de Veridiana; e as filhas do casal, Giulia e Matteo.

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Lizabel era camareira da pousada atingida e teve 43% do corpo queimado. Ela permaneceu internada até o dia 18 de março deste ano, quando não resistiu.

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Investigação do caso

As causas do acidente estão sendo investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Os motores da aeronave, de fabricação norte-americana, foram levados para os Estados Unidos e serão submetidos a análises técnicas específicas.

Segundo o órgão vinculado à Força Aérea Brasileira, os exames estão previstos para ocorrer em fevereiro de 2026. As atividades serão conduzidas por investigadores do Cenipa, com apoio da empresa fabricante dos componentes e participação da agência americana de investigação de acidentes.

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“Até o presente momento, não há resultados conclusivos a serem divulgados”, cita o Cenipa em nota.

Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano



Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Em janeiro deste ano, um relatório preliminar foi publicado, apontando dois fatores principais: voo controlado contra o terreno (Cfit) e uma perda de controle em voo (LOC-I).

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Isso significa que o acidente acontece quando a aeronave está em perfeito funcionamento e que “o principal fator contribuinte é o incorreto conhecimento, por parte do piloto, da real situação de sua aeronave em relação ao solo ou a obstáculos no terreno”.

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A atuação do Cenipa possui finalidade estritamente preventiva. Já a culpa ou responsabilidade penal está sendo investigada pela Delegacia de Polícia de Gramado. A delegada responsável, Fernanda Aranha, acentua que aguarda o relatório final dos órgãos federais para dar seguimento ao inquérito.

Reconstrução das áreas atingidas

Pousada passa por reformas e tem placa para locação



Pousada passa por reformas e tem placa para locação

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Um ano após a tragédia, tapumes ainda cercam parte do terreno da loja que foi atingida pelo avião. No local, uma nova estrutura comercial está sendo construída. O prédio tem dois andares e deve ter as obras concluídas nas próximas semanas.

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Já a antiga pousada, desde o acidente, passa por reformas, pois foi interditada pelo Corpo de Bombeiros. Há alguns meses, uma placa foi colocada na frente do imóvel informando a disponibilidade de locação.

Prejuízo de R$ 1,3 milhão e o recomeço

Deisi Freitas



Deisi Freitas

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A empresária Deisi Freitas, de 43 anos, tinha aberto há pouco mais de 10 dias a loja de venda de carros e consultoria automotiva. Localizada bem na frente de onde aconteceu a queda e a explosão da aeronave, todos os vidros da fachada estouraram com o impacto. Um ano depois, ela busca se reerguer de um prejuízo estimado em R$ 1,3 milhão.

Deisi relembra que, no dia anterior, havia combinado com uma funcionária para fazer a limpeza dos vidros da loja, que ainda estava em processo de acabamentos. E foi exatamente o clima daquele dia que evitou que ela estivesse lá no momento do acidente.

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“Estava tudo certo, mas eu acordei e vi aquele clima de chuva e mandei mensagem para ela, às 5h45, cancelando. Foi um livramento de Deus porque, com certeza, ela estaria na loja”, aponta Deisi.

Horas depois, quando estava tomando café da manhã, a empresária recebeu uma mensagem da empresa de segurança, contando que os vidros da loja tinham estourado. “Na mesma hora, eu liguei as câmeras e estava tudo destruído. A Volvo (uma SUV de luxo) estava destruída”, recorda a empresária.

Loja 1001 Carros precisou ser reconstruída, pois teve os vidros estourados com a queda de avião em Gramado



Loja 1001 Carros precisou ser reconstruída, pois teve os vidros estourados com a queda de avião em Gramado

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

Outros três carros de luxo que estavam na loja naquele dia também ficaram danificados. “Pensei que tinha acontecido algum acidente e que um carro tinha batido na fachada, mas nunca ia imaginar que um avião tinha caído. Quando consegui chegar e ver tudo foi um choque. Eu vi meu sonho destruído. Apesar de toda a tristeza pela perda das vidas, não tem como eu não sofrer. Meu sonho estava aqui. Meu mundo caiu naquele momento”, lamenta.

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Natal de 2025

No ano passado, Deisi e a família não conseguiram comemorar o Natal. “Fiquei três dias em pânico, mas eu decidi que iria recomeçar. Eu me perguntava se teria forças, mas consegui. Com a ajuda de Deus e por meus filhos. Tivemos que ser resistentes e resilientes, porque já tínhamos tido um ano difícil por causa das enchentes, mas demos a volta por cima”, pondera.

Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano



Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano

Foto: Mônica Pereira/GES-ESPECIAL

A reconstrução de toda a estrutura da loja levou cerca de dois meses para ser concluída. No início de março deste ano, o negócio foi reaberto. “Foi algo que, com certeza, mexeu com a minha estrutura financeira, emocional e psicológica. Foram meses sem dormir, mas o nosso propósito de continuar realizando os sonhos dos nossos clientes me motivou. Estamos seguindo em frente com esse objetivo. Hoje, dou graças a Deus por ter continuado”, atesta a empresária, que está desde 2007 no ramo.

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Deisi ressalta que, por meio de advogados, tentou contato com representantes da família Galeazzi. “Eles dizem que são vítimas, mas nós também somos. Chegaram a dizer que a gente estava querendo enriquecer às custas deles. Mas eu estou seguindo encarando o prejuízo e tentando resolver a situação”, comenta.

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Com a expectativa de um Natal de celebração neste ano, a família estará reunida. “Temos que dar valor a todos os detalhes”, salienta. “Já temos o nosso planejamento para 2026. Estamos dando a volta por cima e continuamos aqui realizando sonhos”, conclui a empresária.

“Ela é – e sempre será – nossa estrela-guia”, diz família de Lizabel

Lizabel de Moura Pereira foi uma das vítimas do acidente aéreo em Gramado e morreu depois de ficar três meses internada



Lizabel de Moura Pereira foi uma das vítimas do acidente aéreo em Gramado e morreu depois de ficar três meses internada

Foto: Divulgação

A família de Lizabel enviou um relato ao Jornal de Gramado. Como um pedido dos familiares, reproduzimos a íntegra do texto.

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“No sábado 21/12, fomos fazer as compras de Natal. Estávamos com tudo preparado para a nossa ceia, e a mãe estava ansiosa pela chegada de um de nossos irmãos, que mora em Florianópolis. No domingo 22/12, ela saiu cedo para trabalhar. Ligou para minha irmã, combinando um almoço, e logo depois me ligou também. Era por volta das 8h45 quando disse: “Vou sair cedo para todos nós almoçarmos juntos.” Ela estava tão feliz.

Pouco depois, recebi a ligação de um rapaz avisando sobre o acidente. Levei um susto. Saímos de casa de pijama e, quando chegamos na avenida em direção a Gramado, recebemos outra ligação dizendo que um avião tinha caído e que a mãe havia se ferido. Nós não conseguíamos acreditar; achamos que era mentira. Até comentamos: “Imagina, um avião cair em Gramado.”

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Quando chegamos ao hospital, havia muitas pessoas assustadas, começamos a nos preocupar ainda mais. O atendimento foi muito rápido. Logo nos chamaram e explicaram o estado da mãe e a gravidade das queimaduras. Não sabíamos se chorávamos ou se agradecíamos a Deus por ela estar viva.

Dissemos a ela que o nosso maior presente de Natal era exatamente aquele: ela estar ali, viva. Prometemos que ficaríamos do seu ladinho até sua recuperação completa. Ela estava ansiosa, preocupada, chorava muito, mas a preocupação dela nunca era consigo mesma, e sim conosco, filhos e netos.

No mesmo dia, ela foi transferida para Porto Alegre, para a UTI do HPS. Nós sabíamos que era grave, mas não imaginávamos a dimensão de tudo aquilo. Vieram inúmeras intercorrências, desbridamentos, enxertos… cada bloco era extremamente doloroso e desgastante para o corpo dela. Durante três meses, sem falhar um único dia, nós estávamos lá, ao seu lado. Ela nos esperava; víamos no olhar dela a calma que sentia quando chegávamos. O hospital foi muito humano e permitiu visitas estendidas.

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Nós, os quatro filhos, nos revezávamos para que ela nunca ficasse sozinha. Largamos nossos empregos para estar 100% com ela. Nosso foco era a mãe. Entrávamos na UTI fardados de força, amor e fé – e saíamos destruídos. Nunca foi tão difícil ser forte e esconder o nosso próprio sofrimento perto dela. Doamos sangue, nos oferecemos para doar pele, na esperança de aliviar um pouco sua dor nos procedimentos, mas infelizmente não era possível.

Lizabel de Moura Pereira foi uma das vítimas do acidente aéreo em Gramado e morreu depois de ficar três meses internada



Lizabel de Moura Pereira foi uma das vítimas do acidente aéreo em Gramado e morreu depois de ficar três meses internada

Foto: Divulgação

As intercorrências continuaram acontecendo: anemia, bactérias resistentes, sangramentos… Ela lutou muito por nós. Nós víamos, todos os dias, que ela lutava por nós e para nós. Como queríamos ter o poder da cura… Pedíamos a Deus para aliviar a dor e dar forças à mãe. E Deus escutou nossas orações, mas do jeitinho dele.

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Ele a tirou da dor, do sofrimento e levou ela para um lugar muito melhor. Temos a certeza, hoje, de que ela está feliz. Deus não permitiu mais sofrimento a ela. Ele a levou da dor para a luz. Hoje, temos a certeza de que ela sorri feliz. Deus não prometeu dias sem dor, risos sem sofrimento, sol sem chuva, mas ele prometeu força para os dias difíceis, conforto para as lágrimas derramadas e luz para o caminho percorrido.

A mãe sempre foi nosso farol. Em meio à tempestade, ela sempre foi luz. Ela era força, era amor, era coragem – e é isso que ainda nos abraça em meio ao luto. Hoje, lá de cima, ela é nossa estrela-guia: nos acalma, nos acolhe e nos devolve ao caminho certo. Se seguimos em frente é porque ela nunca deixou nossa luz se apagar.

Ela vive em nós, no que somos, em cada batida do nosso coração. Sempre soube transformar nosso medo em abrigo e a turbulência em esperança. Hoje, ela é – e sempre será – nossa estrela-guia.”

Saudades e reconstrução: Queda de avião em Gramado que matou 11 pessoas completa 1 ano
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