A quantidade expressiva de buracos nas ruas e avenidas de Canoas continua alvo de críticas recorrentes. Moradores de diferentes bairros contabilizam prejuízos e preocupação com a segurança no trânsito. Com o aumento exponencial da degradação asfáltica, a Prefeitura anunciou, na segunda quinzena de julho, uma medida paliativa, a chamada Operação Tapa-Buraco. No valor de R$ 12 milhões, o contrato, com duração de um ano, foi firmado com a empresa paulista BPF Engenharia.

Foto: Paulo Pires/GES
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Considerada um dos pontos críticos, a Avenida Guilherme Schell foi escolhida para ser palco da cerimônia de início da operação no dia 16 de julho, que prometia recuperar os primeiros 100 metros do trecho próximo à subestação da CEEE. Após quase um mês, a buraqueira permanece ao longo da extensão da via.
Na última sexta-feira (8), a reportagem esteve no local e constatou que inúmeros buracos não receberam o serviço de recapeamento. Em contrapartida, a poucos metros de distância, dois pontos que receberam a manutenção asfáltica já apresentam início de fissuras com afundamento do pavimento, deixando um alerta sobre a qualidade e durabilidade do serviço prestado.
Os condutores precisam redobrar a atenção para evitar acidentes ao desviar dos buracos. O aumento nas visitas às oficinas mecânicas também é citado com frequência pelos proprietários de veículos.
Considerada prioridade na Operação Tapa-Buraco, a Avenida das Canoas também segue sem manutenção no asfalto. Vários trechos no início da via apresentam erosões. Moradores da região reclamam que a área foi “abandonada pelo poder público”.
“Pagamos imposto para não ter retorno. É uma vergonha. Cadê o serviço que tanto prometem? As ruas do entorno da Avenida das Canoas também estão pedindo socorro. A falta de reparo acabou com o asfalto. Têm vias que não adianta mais tapa-buraco. Precisa fazer o recapeamento urgente”, critica o aposentado Antônio Carlos dos Santos, 71 anos.

Foto: Paulo Pires/GES
“Está muito ruim”, diz morador
Na Rua Dr. Barcelos, Centro, na altura do 2.300, uma cratera se formou no asfalto.

Foto: Paulo Pires/GES
“Está assim há meses. O serviço está muito ruim. Se os gestores responsáveis pela administração da cidade não conseguem ser eficazes com problemas visíveis como os buracos nas vias, imagina o que esperar para problemas complexos”, lamenta o policial rodoviário federal Guilherme Enderle, 40.
Morador do Centro, Enderle faz um apelo à administração municipal.
“Peço que consertem os buracos nas vias antes que mais veículos sejam danificados ou, pior, motociclistas se envolvam em acidentes. Tenho redobrado os cuidados ao andar pela cidade. Está difícil a situação.”
Na segunda-feira (11), uma motociclista caiu devido aos defeitos do asfalto na Rua B, no bairro Olaria. O vídeo foi publicado nas redes sociais.
Mais de seis meses sem serviço
O Município ficou o primeiro semestre de 2025 sem contrato vigente para a manutenção do pavimento asfáltico. Em abril, durante a cerimônia dos 100 dias de gestão, o prefeito Airton Souza criticou que a gestão municipal anterior deixou a Prefeitura sem contrato para manutenção do asfalto.
Na época, por meio de nota, o ex-prefeito Jairo Jorge rebateu as acusações e afirmou que “a atual administração poderia ter dado continuidade ao contrato suspenso, empenhando os recursos e realizando as obras ou ter realizado novas licitações para recuperação asfáltica.”
Após meses de espera, a nova licitação foi concluída em julho, dando início à Operação Tapa-Buraco.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura para falar sobre as demandas citadas na matéria, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. O cronograma com as próximas vias que receberão o serviço de tapa-buraco também não foi informado.