Após alguns adiamentos e mudanças na estrutura, a proposta que prevê o prolongamento da BR-448/RS está próximo de ser oficialmente entregue. O projeto de extensão da rodovia entre Esteio e Portão já foi concluído, afirma o Ministério dos Transportes.
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Foto: PAULO PIRES/GES
Com a finalização das determinações da obra, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) trabalha na elaboração do orçamento da intervenção. A conclusão deve ser feita em breve, destaca o Ministério.
“Após essa etapa, será realizada a entrega do projeto básico, que contemplará os custos das obras. Somente com a finalização do orçamento será possível estabelecer uma estimativa de valor para a obra e avançar nas definições relativas à futura contratação”, explica a pasta.
Entrega oficial pode ser em março
No final de janeiro, o prefeito de Nova Santa Rita, Rodrigo Battistella, afirmou que o prazo de entrega do projeto executivo deve ser feito em março. O anúncio foi feito após um encontro na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre.
Estiveram presentes o ministro dos Transportes, Renan Filho; o deputado federal e pré-candidato ao Senado Paulo Pimenta e o secretário de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Maneco Hassen.
“Saímos desse encontro com uma grande notícia para Nova Santa Rita: o projeto executivo da ampliação da BR-448 ficará pronto em março e seguirá até Portão, passando pela nossa cidade. Mais de R$ 1,5 bilhão nesta importante obra”, escreveu Battistella nas redes sociais.
Prorrogado mais de uma vez
Apesar da importância reconhecida, a proposta de prolongamento da rodovia teve seu prazo de conclusão prorrogado mais uma vez. Os estudos e projetos básicos e executivos de engenharia para as obras são de responsabilidade da empresa Magna Engenharia.
Inicialmente, o contrato havia sido firmado com o consórcio formado pela empresa e pela Enecon Engenharia, mas foi desfeito. O documento foi assinada em janeiro de 2023 junto ao Dnit.
A entrega do projeto estava inicialmente prevista para a metade de 2024, mas precisou passar por alterações em função da enchente. O prazo foi estendido para dezembro daquele ano. No entanto, o Dnit informou na época que o consórcio não conseguiria finalizar os estudos e projetos dentro desse período. A nova previsão ficou para julho de 2025.
Mas também não se concretizou. Em setembro, durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Nova Santa Rita, o Dnit deu prazo um novo prazo de conclusão: novembro.
Agora, a entrega de todas as etapas, incluindo projeto e orçamento, deve ser feita no próximo mês. A informação foi publicada pelo prefeito Rodrigo Battistella após uma reunião com o Ministério dos Transportes
Aumento de prazos e de valores
O adiamento na entrega da proposta de extensão da rodovia também está expressa nos aditivos de prazos e aumento nos valores assinados para reajustar o contrato com o consórcio. Essas manobras estão sendo feitas desde 2023.
O contrato foi assinado no final de 2022 com o valor de R$ 6,3 milhões. “O prazo de execução do contrato é de 360 dias; o prazo de vigência do contrato, por sua vez, é de 540 dias, considerando-se o prazo para possível adoção de procedimentos necessários à celebração de termo aditivo”, diz a cláusula de vigência.
Os trabalhos foram autorizados a começar em fevereiro de 2023, conforme a Ordem de Início dos Serviços (OIS). Em abril do mesmo ano, dois meses dois, foi feito o primeiro aumento de parcela. O valor total do contrato passou para R$ 6,7 milhões com prazo final em dezembro de 2023.
Já em janeiro do ano seguinte, o contrato teve o seu primeiro aditivo de vigência, passando a ter fim em dezembro de 2024. Em abril, o valor total do serviço teve um novo aumento, ficando em R$ 7 milhões.
Em julho de 2025, a Enecon Engenharia deixou o consórcio, restando apenas a Magna Engenharia como responsável pelo projeto. No mês seguinte, em agosto, o valor total do contrato passou a ser de R$ 7,3 milhões. Além disso, o prazo de vigência foi estendido até setembro de 2026.
“O presente Termo Aditivo tem por objeto o reinício do prazo de execução na data 01/09/2025 com saldo remanescente de um dia e sua prorrogação por mais 212 dias consecutivos, passando o fim do prazo de execução de 30/06/2025 para 02/04/2026 e a prorrogação do prazo de vigência por mais 276 dias consecutivos, passando de 27/12/2025 para 29/09/2026”, destaca.
Projeto fundamental
O prolongamento da BR-448, entre Esteio e Portão, é considerado um projeto importante e essencial para o desenvolvimento da região. Na avaliação da prefeitura de Nova Santa Rita, cidade pela qual passa a maior parte do traçado, a obra reforçará o polo logístico.
“Essa é uma notícia histórica para Nova Santa Rita. A ampliação da BR-448 fortalece nossa vocação logística, gera emprego, atrai investimentos e consolida o município como o maior e mais completo polo logístico do Rio Grande do Sul. É resultado de diálogo, articulação e muito trabalho em defesa do nosso desenvolvimento”, ressalta o prefeito.
A extensão impacta também as demais cidades da Região Metropolitana e Serra, contribuindo para a economia do Estado, entende o ministro Renan Filho. “Investir em infraestrutura é investir no crescimento do Rio Grande do Sul. A BR-448 é um eixo estratégico para o escoamento da produção, para a mobilidade e para a integração regional. Nosso compromisso é avançar com projetos consistentes que tragam resultados reais para a população.”
“O Rio Grande do Sul precisa de obras estruturantes, que preparem o Estado para o futuro. A ampliação da BR-448 é uma excelente notícia não só para Nova Santa Rita, mas para toda a Região Metropolitana e para a economia gaúcha”, completa o deputado federal Paulo Pimenta.
O que está previsto
O projeto em desenvolvimento prevê o prolongamento da BR-448, em pista dupla, até um pouco depois da RS-240, próximo a RS-239. O desenho começa na curva da rodovia, entre os km 6,5 e 7 – indo de Esteio, passando por Nova Santa Rita até Portão. A obra deve custar cerca de R$ 1,5 bilhão.

Foto: Dnit/Reprodução
O traçado tem extensão total de 18,45 km, sendo elevado ao longo de 12 km. Essa foi uma das alterações feitas após a enchente. As determinações básicas também preveem a ligação com estradas já existentes como a Carioca e do Socorro, além de abertura para conexões com futuras vias.
O Dnit também prevê um retorno no km 13, passando por baixo da rodovia. Após o final da obra, a quilometragem em toda a BR-448 deve ser revisada com início em Portão, já que ela é feita no sentido norte-sul. Todas as explicações foram dadas pelo departamento na audiência pública realizada em setembro em Nova Santa Rita. Confira o vídeo apresentado mais abaixo.
Nota oficial do Ministério dos Transportes
O projeto de prolongamento da BR-448/RS, entre o km 6,5 da rodovia implantada e a interseção com a RS-240, foi concluído dentro do prazo previsto.
Atualmente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) trabalha na fase de elaboração do orçamento, com conclusão prevista para os próximos dias. Após essa etapa, será realizada a entrega do projeto básico, que contemplará os custos das obras.
Somente com a finalização do orçamento será possível estabelecer uma estimativa de valor para a obra e avançar nas definições relativas à futura contratação. A entrega desta etapa do projeto integra as ações previstas no Novo PAC para o estado do Rio Grande do Sul.
Confira o vídeo apresentado pelo Dnit
“Vai abrir um novo flanco logístico para a cidade”, diz prefeito sobre impacto da BR-448
Se do ponto de vista técnico o projeto da extensão da BR-448 caminha para a fase orçamentária, politicamente e economicamente ele já começa a redesenhar estratégias nos municípios diretamente impactados pelo traçado.
Em Nova Santa Rita, cidade por onde passa a maior parte da futura extensão, o prefeito Rodrigo Battistella comemora não apenas a expansão da rodovia, mas o que ela representa em termos de planejamento urbano e transformação econômica. “Vai abrir um novo flanco logístico para a cidade”, afirma o prefeito, ao explicar que o traçado passa por uma área ainda pouco explorada do município, especialmente na região norte, nas proximidades do Passo do Carioca.
Segundo ele, o projeto prevê um acesso que se conectará à Rodovia Transaçoriana (antiga Estrada Sanga Funda), que liga a BR-386 à RS-240, em Portão. A proposta é pavimentar cerca de oito quilômetros dessa via, criando um novo eixo estruturante para atração de indústrias e centros logísticos. Toda essa área já está no radar do município. “Nós vamos atualizar o plano diretor e transformar aquela região em área de projetos estratégicos. Queremos deixar tudo preparado para quando a obra sair do papel”, explica Battistella. A ideia é de a partir de maio desde anos iniciar as movimentações para atualizar o plano diretor da cidade, já com o projeto executivo da 448 entregue.
Nova Santa Rita já é considerada um dos principais polos logísticos do Rio Grande do Sul, impulsionada principalmente pela implantação da primeira parte da própria Rodovia do Parque. O prefeito relembra que, após a inauguração da BR-448, em 2013, o município mudou de patamar. Battistella também destaca que praticamente não há mais áreas disponíveis às margens da BR-386 para novos empreendimentos, o que torna a nova frente logística estratégica para o crescimento sustentável da cidade.
Embora reconheça que ainda há etapas como orçamento, licitação e execução, o prefeito afirma que já há mobilização política regional para garantir recursos no orçamento federal. “Nós vamos trabalhar junto com deputados e senadores para que essa obra já tenha previsão na LOA de 2027”, projeta.
Portão adota postura cautelosa
Em Portão, ponto final da extensão prevista neste momento, o prefeito Kiko Hoff mantém uma postura mais moderada. Ele afirma que o município está preparado para receber a rodovia, mas prefere adotar o estilo ver para crer. “A cidade está pronta para receber a BR-448, mas na melhor das hipóteses chegará aqui em 2028. Portão está num contínuo desenvolvimento nos quatro cantos, e a vinda da 448 aumentará ainda mais o crescimento da cidade”, pontua.
Portão vive uma fase de expansão imobiliária e industrial, movimento intensificado após as enchentes de maio de 2024, quando empresas de outras cidades, como São Leopoldo e São Sebastião do Caí, migraram para o município após serem afetadas pela cheia.
Setor produtivo fala em projeto “sólido” após década de espera
A Câmara da Indústria, Comércio e Serviços (Cics Portão), entidade que há pelo menos uma década acompanha o tema, vê o momento atual como o mais consistente desde que o assunto começou a ser debatido.
A presidente da entidade, Maitê Hoff de Cesaro, lembra que o projeto passou por anos de avanços e recuos, mas acredita que agora atingiu outro nível de maturidade. “Estamos falando de mais de dez anos de mobilização. Sempre foi um processo moroso. Mas hoje temos um projeto muito mais estruturado, muito mais pensado. Eu acredito que agora ele está num patamar que não esteve há dez anos”, afirma.
Ela destaca que as alterações feitas após as enchentes, com mais trechos elevados e adequações ambientais, tornaram o projeto mais robusto. “Hoje é um projeto sólido, que representa a grandiosidade do que ele é”, analisa. Para o empresariado de Portão, a rodovia significará uma alternativa estratégica, já que hoje todos são reféns da BR-116 e da RS-240. “Seria um grande escoamento, fugindo desses gargalos. Isso muda o posicionamento da cidade”, diz.
Maitê também reforça que o planejamento urbano local já começa a se organizar considerando a futura extensão da rodovia. “O setor produtivo torce para que essa obra tão aguardada saia do papel num futuro próximo. A nossa cidade está numa crescente, e essa extensão só ampliaria as possibilidades”, sublinha.
Serra vê obra como urgente
Na Serra, o discurso é ainda mais enfático. A MobiCaxias, entidade que reúne mais de 50 organizações empresariais, acadêmicas e institucionais, também acompanha a pauta há mais de uma década por meio do chamado “Movimento Juntos pela 448”. Para o diretor executivo da entidade, Rogério da Silva Rodrigues, a obra é estratégica e urgente. “Não é uma questão de futuro. É uma necessidade do presente”, afirma.
Ele ressalta que o alto custo logístico e as limitações das rodovias atuais reduzem a competitividade da Serra frente a estados como Santa Catarina e Paraná. “Tempo é dinheiro. Já chegamos a levar mais de três horas de Caxias a Porto Alegre. Isso é inadmissível para uma região produtiva como a nossa”, pontua. Segundo ele, a extensão da rodovia até Portão pode reduzir em até 30 minutos o tempo de deslocamento de Caixas à Porto Alegre em horários de pico, além de oferecer uma rota alternativa em situações de emergência.
A MobiCaxias também acompanha, para o futuro, a possibilidade de prolongamento da Rodovia do Parque até Caxias do Sul, como alternativa à BR-116, já que sua duplicação é considerada inviável de Dois Irmãos para cima. “Faz parte das nossas pautas até 2040 a consolidação de um sistema rodoviário adequado à nossa produção. A 448 é a nossa pauta principal”, resume Rodrigues.
Colaborou: Isaías Rheinheimer