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Desfile das escolas de samba segue incerto em Canoas; comunidade carnavalesca busca alternativas

Sem recursos públicos para o carnaval, a Associação das Escolas de Samba de Canoas afirma que lutará para viabilizar o evento

Taís Forgearini
Publicado em: 07/03/2025 às 18h:45 Última atualização: 07/03/2025 às 18h:45
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O impasse do carnaval de Canoas continua. De um lado, o martelo já batido pela Prefeitura: “neste ano, não haverá destinação de recursos públicos para custear as despesas da festa popular.” Já na outra ponta, a Associação das Escolas de Samba de Canoas (Aesc) afirma que segue na luta para viabilizar o desfile das oito escolas de samba do município.

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Escola Nenê da Harmonia



Escola Nenê da Harmonia

Foto: Alisson Moura/Divulgação

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Para o vice-presidente da Aesc, Daniel Scott, os próximos dias serão decisivos para definir o futuro da celebração em 2025.

“Vamos nos reunir com a comunidade carnavalesca para definir estratégias e ações que sejam viáveis de executar em um curto prazo. Estamos correndo contra o tempo, na verdade, contra quase todos para fazer o desfile. Das oito escolas, cinco foram atingidas pela enchente de maio. É uma situação complexa e delicada”, ressalta.

No fim de fevereiro, a administração municipal anunciou o corte de verba pública para a realização de eventos municipais neste ano. A medida foi justificada pelo “objetivo de priorizar a recuperação da área da saúde, que enfrenta desafios desde a enchente ocorrida em maio de 2024, afetando a estrutura hospitalar e o pagamento dos profissionais de saúde.”

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Na ocasião, o prefeito Airton Souza (PL) afirmou que a medida também contempla outros eventos tradicionais, como a Semana Farroupilha. “Conseguiremos apenas apoiar os eventos de forma institucional, cedendo locais públicos, por exemplo”, disse.

Scott reconhece a possibilidade de não haver desfile de carnaval neste ano.

“A ideia inicial era fazer em abril, mas estamos cogitando realizar até em maio. Nossa expectativa era receber o repasse [pela Prefeitura] no valor de R$ 300 mil. Sem esse recurso, as escolas ainda não sabem como vão custear o transporte dos componentes e dos equipamentos, a compra de parte das fantasias e dos demais custos que um desfile gera.”

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Polêmica

No dia 18 de fevereiro, a Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) apontou preconceito e intolerância com religiões de origem matriz africana e com a comunidade LGBTQIAPN+ por parte da Prefeitura de Canoas.

A entidade trouxe a público que representantes da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo em reunião com a Aesc teriam apresentado exigências para ceder o espaço do Parque Eduardo Gomes para o desfile de carnaval, em abril. Segundo a Fenasamba e a Associação das Escolas de Samba de Canoas, as condições impostas seriam não utilizar temas de religiões de matriz africana, negros e comunidade LGBT+.

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No dia 19 de fevereiro, a administração municipal informou por meio de um comunicado que, mesmo sem a destinação dos recursos, está apoiando a realização dos desfiles no Parque Eduardo Gomes.

“O prefeito Airton Souza ressalta ainda que a atual gestão da Prefeitura é comprometida em governar para todos os canoenses e preza pela liberdade, o que inclui a livre manifestação artística, cultural e religiosa no carnaval”, disse o comunicado.

No dia 20 de fevereiro, a deputada estadual Laura Sito (PT), a Aesc e o Movimento Negro Unificado (MNU) fizeram um boletim de ocorrência na Delegacia de Combate à Intolerância, em Porto Alegre.

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No dia 21 de fevereiro, após denúncias das escolas de samba e entidades do município, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento para investigar a conduta do secretário municipal de Cultura e Turismo de Canoas, Pinheiro Neto.

Manifestação e pedido de exoneração

No dia 26 de fevereiro, manifestantes promoveram um “tamboraço contra a intolerância” em frente à Prefeitura de Canoas. A manifestação organizada pelo Movimento Amplo em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana reuniu integrantes de diferentes movimentos sociais e da sociedade civil canoense.

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O ato pedia a exoneração do secretário municipal de Cultura e Turismo, Pinheiro Neto, e da secretária adjunta, Larissa Rodrigues.

Um dia após a manifestação, representantes da Prefeitura se reuniram com as entidades e informaram oficialmente que não haveria destinação de recursos públicos para o carnaval e outros eventos municipais em 2025. Somente apoio institucional, ou seja, liberação de locais públicos e auxílio com equipes de trânsito, segurança e saúde.

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Em relação ao pedido de exoneração dos secretários, a administração municipal não apresentou manifestação pública. Até o momento, os secretários permanecem na pasta.

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