Com oito canteiros e uma boa variedade de hortaliças, uma horta comunitária foi inaugurada nesta terça-feira (9) no bairro Mathias Velho, em Canoas. O espaço que fica nos fundos do Restaurante Popular promete ser local de convivência e de educação ambiental.
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Foto: Paulo Pires/GES
As alfaces, cebolas, espinafres, cebolinhas, alhos-porós, couves, brócolis e repolhos foram plantados há cerca de 15 dias pelas mãos de alguns senhores que já estão engajados com a horta. Esse trabalho com a terra é bem-vindo para o aposentado João Alfredo Borges, 71 anos.
“É como se fosse uma terapia para a gente que é aposentado”, define. Mas plantar não é novidade para o morador do bairro. “Isso me lembra quando eu pequeninho, no interior, que eu auxiliava a minha mãe. É o conhecimento que eu tenho de hortaliça”, relembra.
Além de cultivar, Borges também deve regar e cuidar da plantação junto com o Nadiomar Dazzi Otto, 63 anos, e outros moradores. O trabalhador do setor de transportes aprova a iniciativa. “É um lugar bom, com pessoas boas que vamos poder conviver e ter essa plantação aqui.”
A horta é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI) com parceria da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) e da Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS).
LEIA TAMBÉM: Roubo acaba em luta entre três mulheres e um assaltante em Canoas; confira o vídeo
Para além das hortaliças
O que for produzido deve ser aproveitado por quem reside no bairro, como destaca a engenheira agrônoma da Emater-RS e responsável pela horta, Caroline Kolinski de Lima. “A ideia é que os moradores venham cultivar e também que aproveitem essa colheita. Claro que sempre tem um excedente e nada impede da gente distribuir para quem tiver interesse.”

Foto: Paulo Pires/GES
O aproveitamento dos alimentos junto ao Restaurante Popular também é uma possibilidade que a horta traz. “A gente pode praticar algumas receitar, pensar em molhos e outras formas de consumir essa hortaliça por inteiro. Às vezes, tu come só a cabeça da couve-flor, mas também tem as folhas que podem ser usadas”, ressalta Caroline.
Para além das hortaliças, a proposta é que o espaço seja expandido com o cultivo de novas espécies. “Queremos colocar alguns frutíferas no fundo para aproveitar a área que pode ser limão, bergamota e pitanga. E vamos começar a aproveitar o entorno com plantas medicinais que são mais rústicas. O pessoal vai poder colher um chá e um tempero”, comenta.
FIQUE POR DENTRO: Trégua rápida antecipa volta da chuva no RS influenciada por ciclone; saiba mais
Segurança alimentar
A engenheira agrônoma da Emater-RS, Caroline de Lima, também trabalha com outras hortas comunitárias espalhadas pela cidade, como as instaladas nos bairros Mathias Velho, Harmonia, Guajuviras e Niterói.
“Acho que a questão da segurança alimentar é a mais crucial porque é um grande ganho para a saúde, saúde mental e integração. O pessoal pode conviver aqui, tem troca de experiências e toda essa questão de aproveitamento do solo e das áreas verdes”, observa.
Cabe à Emater prestar assistência técnica na construção e desenvolvimento desses espaços. “É agora que os problemas começam a aparecer. Vai vir formiga, lesmas e por aí vai. É assim que a gente trabalha”, comenta.
Acostumada com o trabalho, Caroline acredita que a horta deva crescer ainda mais. “Nós estamos com seis senhores que estão engajados e a ideia é ir ampliando. A gente sabe que no primeiro momento não bate o coração. Depois que tá plantado e crescendo, as pessoas começam a se interessar um pouco mais.”
SIGA O ABC+ NO GOOGLE NOTÍCIAS!
Parcerias
A proposta da horta é encabeça pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação e teve o apoio da pasta de Assistência Social. Isso porque a horta fica atrás do Restaurante Popular.

Foto: Paulo Pires/GES
“A ideia é a que a própria comunidade se envolva. Mais do que e plantar hortaliças e vegetais, o objetivo é que tenha uma integração com a comunidade, educação ambiental e que traga qualidade de vida para a população”, ressalta a titular da SMDEI, Patrícia Augsten.
O restaurante e horta estão no mesmo espaço do Centro de Capacitação da Economia Solidária – atingido pela enchente que ainda não voltou a funcionar por completo. A secretaria busca recursos para reerguer o espaço e retornar com a qualificação.
A necessidade de parceria é também para mais uma horta. A ideia é que um novo espaço seja aberto no bairro Guajuviras, mas ainda sem prazo. “A gente tem um projeto e estamos buscando recursos com o governo estadual. Estamos mandando a documentação e a ideia é que a gente consiga expandir as hortas comunitárias”, completa a secretária.