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POLÍCIA

"Eutanásia é o modus operandi dela": Como funcionava esquema criminoso que envolve ex-secretária do Bem-Estar de Canoas

Paula Lopes e mais dois médicos veterinários foram presos preventivamente nesta segunda-feira (15) na 2ª fase da Operação Carrasco

Publicado em: 15/06/2026 às 12h:05 Última atualização: 15/06/2026 às 17h:16
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“Enquanto gestora, o interesse era eficiência; enquanto protetora, o interesse era financeiro.” É assim que a delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, resume a atuação da ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes.

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Cão Dudu foi apreendido durante operação nesta segunda-feira | abc+



Cão Dudu foi apreendido durante operação nesta segunda-feira

Foto: Paulo Pires/GES

Ela e dois médicos veterinários foram alvos de mandados de prisão na segunda fase da Operação Carrasco, deflagrada nesta segunda-feira (15). Outros 12 mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em Canoas e Porto Alegre.

O objetivo é desarticular uma rede criminosa que continuou com a prática de eutanásia e maus-tratos contra cães e gatos e desviou dinheiros de doações que eram para tratar esses animais em clínicas veterinárias. As acusações são de maus-tratos, estelionato e associação criminosa.

A segunda fase investigou os crimes cometidos por Paula Lopes e pelos veterinários fora da administração municipal. A primeira fase aconteceu em setembro do ano passado, com foco na atuação dentro da Secretaria Municipal de Bem-Estar de Canoas (SMBEA).

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Como o esquema funcionava

Ao lado de cães e gatos debilitados, precisando de cirurgias e tratamentos, a protetora dos animais Paula Lopes fazia pedidos de Pix pelas redes sociais. Na legenda, o CNPJ do instituto que leva o seu nome era a chave para as doações.

No entanto, o dinheiro era repassado para contas pessoais em vez de ser usado nos cuidados com os animais. E o destino deles era a eutanásia em clínicas veterinárias particulares em Porto Alegre, mesmo em situações em que havia alternativa no tratamento.

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A ação era feita por médicos veterinários a mando da ex-secretária, segundo a operação. O número de cães e gatos mortos ainda não foi contabilizado. Os registros de microchip serão utilizados na investigação para dimensionar o tamanho do crime cometido contra os animais.

“Nessa fase, nós concluímos que sim, que a prática de eutanásia é um modus operandi dela. Enquanto protetora, o interesse é exclusivamente financeiro. Enquanto gestora, nós acreditamos que era o interesse mesmo de trazer para o público uma ideia de eficiência”, afirma a delegada Bertoletti.

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Delegada Luciane Bertoletti e delegado Cristiano Reschke esclarecem a Operação Carrasco deflagrada nesta segunda-feira (15) | abc+



Delegada Luciane Bertoletti e delegado Cristiano Reschke esclarecem a Operação Carrasco deflagrada nesta segunda-feira (15)

Foto: Paulo Pires/GES

Cerca de R$ 700 mil foram arrecadados por Paula após sua nomeação como secretária municipal, logo no início de 2025. Mas a operação investigou e aprofundou sua atuação a partir de 2020.

Nesse período, foram 549 vaquinhas realizadas, totalizando R$ 672.670,39 arrecadados pelo instituto. As doações foram feitas por 14.545 pessoas, contabiliza a operação.

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O delegado Cristiano Reschke, diretor da delegacia regional de Canoas, afirma que a investigada ordenava essa movimentação. “É uma espécie de estelionato em que eles usavam os valores arrecadados por Pix, levando as pessoas de boa-fé no meio social a acreditar que aqueles valores seriam empregados no tratamento daqueles cães e gatos.”

“Na verdade, essa não era a intenção real. Conforme se verificou, animais que eram passíveis de tratamento, mesmo tendo doenças graves, eram levados à morte por meio da eutanásia e por ordem e controle decisório por parte de Paula Lopes”, destaca.

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Cachorrinho Dudu

O vídeo mais recente nas redes do instituto é com o cachorro Dudu, que tem as duas patinhas dianteiras amputadas. O conteúdo buscava arrecadar dinheiro para reformar o espaço em que ele ficava e outros tratamentos. O animal também tem um perfil próprio com 7,5 mil seguidores.

Dudu foi apreendido na operação desta segunda-feira. “Chamou atenção porque há um sofrimento desnecessário para esse animal. Não há uma adaptação, não há uma proteção nisso que restou das suas patas para não ter o atrito”, observa o delegado Reschke.

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“Ele fica realmente agoniado com as lesões que tem na pele, as unhas no crescimento bem acima do normal para quem conhece de animais. Então, de certa forma, ele também ‘tá’ sofrendo algum tipo de falta de cuidado”, ressalta.

A delegacia busca agora a adoção do cachorro Dudu. “Ele está sob os cuidados nossos, mas não temos, obviamente, condições de cuidar. Chamamos as pessoas que possam contribuir e adotar ele, mesmo que momentaneamente”, completa o delegado.

Investigada escondeu celulares no banheiro

No cumprimento dos mandados, os policiais relataram como foi a ação envolvendo a protetora de animais. “Um policial pediu para utilizar o banheiro e verificou que, no lixo do banheiro, estavam escondidos os telefones celulares. Dispensados provavelmente na entrada porque houve uma resistência e uma demora a franquear o acesso à residência.”

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Informação privilegiada

A investigação da Polícia Civil de Canoas mostrou que Paula Lopes recebia informação privilegiada de uma policial, confirma o delegado Reschke. “Houve o cumprimento de medidas cautelares para coleta de mais informações em relação a isso.”

Paula Lopes | abc+



Paula Lopes

Foto: Paulo Pires/GES

“Comprovada essa participação dolosa no envolvimento, essa policial também vai sofrer as ações da investigação. Ou seja, indiciamento no final do devido processo legal. No momento adequado, confirmada essa participação, o compartilhamento desses elementos com a Corregedoria Geral de Polícia”, esclarece.

A policial ainda não está afastada do cargo. “Hoje foi um dia de ação. Mas agora é a fase de colher informações justamente para nós termos certeza quando a participação”, diz Reschke.

Próximos passos

A segunda fase deflagrada nesta segunda-feira é decorrente da primeira fase da Operação Carrasco, ocorrida em setembro de 2025. As ações foram feitas a partir da análise de materiais, conteúdos de telefones e mensagens e depoimentos recolhidos nesse período.

Segundo a Polícia, a operação comprova a continuidade da prática de eutanásia mesmo após a exoneração de Paula Lopes da secretaria municipal. Dessa vez, os crimes aconteciam em parceria com clínicas veterinárias em Porto Alegre.

Agora, a investigação segue com o que foi apreendido hoje. “A gente precisa analisar todo o material que foi apreendido. Nós temos bastante material que veio inclusive em pen drive dessas clínicas. Então, agora é o momento de nós sentarmos e vermos se eles vão relatar. Tem os depoimentos dos três presos e, a partir de então, cruzar essas informações para saber se haverá novos desdobramentos”, conclui a delegada Luciane Bertoletti.

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