A crise instaurada na saúde de Canoas segue sem prazo para acabar. Os médicos que atuam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Canoas decidiram, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) nesta terça-feira (7), restringir novamente os atendimentos aos casos de urgência. As fichas azul e verde serão encaminhadas às Unidades Básicas de Saúde (UBS). A medida valerá 72 horas após o Conselho Regional de Medicina (Cremers) ser oficialmente notificado, o que ainda não ocorreu.

Foto: Paulo Pires/GES
Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), parte dos profissionais ainda não recebeu todo o honorário de julho. Outros, apenas parte dele, e ninguém teve o valor de agosto depositado. As unidades são administradas pelo IBSaúde, que subcontrata outra empresa, a Dotmed, para gerenciar as escalas.
Na AGE, presidida pelo diretor do Simers, Ricardo Pedrini, além da restrição, os médicos tomaram diversas decisões para lidar com a precariedade da situação. Eles relataram as dificuldades financeiras enfrentadas, como os custos com despesas para transporte e alimentação, e o acúmulo de dívidas. Também disseram estar sendo pressionados a cumprir escala, mesmo não tendo um contrato formal e sem receber, e reclamaram da falta de retorno da Dotmed às tentativas de comunicação.
A equipe do Simers esclareceu as providências que os profissionais podem tomar diante das condições de trabalho e as medidas que estão sendo tomadas pela entidade. Entre as tantas ações, o Sindicato levou à Assembleia Legislativa a discussão sobre a crise na saúde em Canoas, buscando que haja um regramento que traga mais garantias à categoria. Também vem dialogando com a Prefeitura e solicitou que as novas licitações proíbam a subcontratação de empresas.
Sem manifestação
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Canoas não se manifestou sobre a situação. O espaço segue aberto.