Um dos endereços mais queridos pelos canoenses está completando 20 anos em 2025. O Zoológico Municipal de Canoas, carinhosamente conhecido como Minizoo, é a casa de animais silvestres e um espaço de cuidado com a natureza.
Atualmente, são 106 moradores, que não puderam ser soltos em seu habitat, de 42 espécies diferentes, cada um com a sua baia. São macacos, bugios, araras, tucanos, jabutis, lontras, corujas, capivaras, quatis, veados, entre outros. Além de outros animais que são recebidos e tratados, chegando a quase 1.900 em 2025.
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Eles recebem os cuidados diários de uma equipe de três veterinários e três biólogos, junto dos tratadores e auxiliares. Entre elas estão a veterinária Isadora Favreto e a bióloga Patrícia Valentim que contam sobre a rotina em um espaço que se tornou referência no tratamento dos animais.
“Aqui temos o serviço de zoológico, cuidados clínicos e cuidados de alimentação. Também tem a limpeza do recinto, todo enriquecimento. E a gente tem toda a nossa parte de recebimento de animais de silvestres de vida livre, que a gente faz toda a parte de triagem, tratamento que precisam. O nosso objetivo é sempre a soltura”, destaca a veterinária Isadora.
O Minizoo também é um espaço de educação ambiental. Cada uma das espécies possui um totem com informações sobre seu habitat, alimentação e curiosidades. Além disso, oferece visitas guiadas. Tudo isso para informar os visitantes que frequentam o local de terça-feira a domingo, sempre das 10 às 16 horas, dentro do Parque Getúlio Vargas, no Marechal Rondon.
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Cuidar e devolver à natureza
Junto com moradores fixos que atraem os visitantes, tem aqueles que só estão de passagem. Até o final de setembro, foram 347 solturas de animais reabilitados. As funcionárias calculam que o número já ultrapassou os 400 neste mês de outubro. Em 2024, foram 710 animais recebidos, tratados e soltos na natureza.
Segundo Isadora, não existem muitos locais que recebem e fazem esse tratamento. Por isso, o Minizoo de Canoas atende demandas de diversos municípios gaúchos, tornando seu trabalho de extrema importância e necessidade.
“Com o aumento das cidades, está tendo cada vez mais conflito com esses animais. Seja porque as pessoas não sabem como lidar, seja porque simplesmente as pessoas não aceitam que elas estão ocupando o local que na verdade são deles. Acaba tendo mais conflitos e consequentemente vai ter mais animais para serem atendidos”, observa a veterinária.

Foto: Paulo Pires/GES
Esse trabalho não é feito apenas com afeto e dedicação, mas também muito conhecimento. “Tem que ter uma preparação de toda a equipe, cada um tem que ter seu papel. O tratador que vai limpar a baia, por exemplo, não pode conversar com o animal. Ele não pode ficar olhando pro animal porque esse animal pode se acostumar com o ser humano e depois não voltar pra natureza”, explica Isadora.
E a reabilitação é algo complexo, dependendo de cada espécie e problema a ser tratado. O processo envolve a triagem, exames e definição do tratamento. “Vamos supor que seja uma ave, a gente precisa saber se ela está voando plenamente. Se for uma coruja, tem que saber se está caçando plenamente. Depois que atingir todas as características, estiver bem clinicamente, daí pode ser solto”, detalha.
“A importância é realmente a gente ajudar, o máximo que a gente conseguir, uma fauna que tá sofrendo tanto com o ataque humano”, completa a veterinária.
Gambás são os mais resgatados na primavera
Entre os animais que são recebidos pelos profissionais do zoológico, os gambás se destacam pela quantidade nessa época do ano. Nesta semana, por exemplo, mais de 40 animais vindos de Porto Alegre foram trazidos para a reabilitação em Canoas.
“Agora, eles estão em época reprodutiva. Recebemos muitos filhotes de gambá. As mães sendo atropeladas, atacadas por cachorro, por humanos. Joga água quente, joga fogo. Então a gente recebe muitos filhotes de gambá esse ano. E as ninhadas podem chegar a 11 filhotes”, relata Isadora.
Segundo a bióloga Patrícia Valentim, essa relação deve continuar tensa. “Eles se adaptaram bastante à região urbana, mas em compensação também os conflitos também aumentados juntos. Então, a gente acaba recebendo muitos filhotes. Hoje estamos com mais de 200 filhotes”, calcula.
Moradores ilustres
Se os gambás estão de passagem, os três primeiros moradores do Minizoo seguem presentes. Os macacos-pregos Da Lua, Chico e Nico residem no local até antes de 2005, quando os primeiros recintos foram instalados. Os animais foram resgatados de um cativeiro ilegal e estão sendo cuidados desde então.
“Eles estão aposentados. Hoje em dia o público não pode mais ter contato com eles. O Da Lua ficou muito estressado com o público, também por ser muito velho. Faz 20 anos que ele tá aqui e eu era estagiária na época. Ele chegou praticamente quando ergueram os primeiros palanques”, relembra Patrícia, que foi a primeira estagiária de biologia no zoológico.
Histórias que se misturam e que marcam
A bióloga chegou em 2003 e continuou, depois de formada, até 2008. Seu retorno aconteceu em 2018. “Para mim não é realmente só um trabalho. Eu acredito que eu posso falar por todos os tratadores que o zoológico é uma relação de muito carinho e de muito pelo trabalho que a gente realiza aqui”, afirma emocionada.
Questionada sobre alguma história que a marcou mais em todos esses anos de trabalho, Patrícia preferiu não comentar para não chorar. Mas a veterinária Isadora, que atua no zoológico há cinco anos, relembra situações negativas e positivas.
“Uma que me marcou bastante foi uma que aconteceu há duas semanas atrás. Foi um gambá resgatado e recebemos ele esfaqueado. Ele leva duas facadas na cabeça e o cara colocou ele dentro da lata de lixo e ateou fogo pelo simples fato de que ser um gambá. Marcou bastante a gente porque é maus-tratos puro”, comenta chateada.
Mas de histórias boas, existem várias. “A parte que a gente pelo menos consegue fazer de tudo para oferecer o maior bem-estar possível para cada animal que tá aqui dentro. Já que não puderem ser soltos, eles têm que ser nossos eternos moradores. E temos que dar para eles uma vida digna aqui dentro. Mesmo que a gente tenha esse trabalho corrido, o estar aqui com eles todos os dias e saber que vale a pena. Eu acho que é a melhor parte”, frisa a veterinária.
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Homenagem na Câmara Municipal
O Minizoo começou a ser pensando ainda em 2003, quando a administração do então prefeito Marcos Antônio Ronchetti firmou um convênio com a Sociedade de Zoológicos do Brasil. A intenção era implementar mini-zoológico no Parque Getúlio Vargas. O valor era de R$ 200 mil.
“Este valor deverá ser utilizado para a construção, operação (01 (um) ano) de um mini-zoológico, contemplando a implantação de ambientes cercados para cisnes, capivaras, tartarugas, marrecos, araras, macacos, pavão e outros animais de pequeno porte cedidos pelo Parque Zoológico do Estado e adesão ao programa de revitalização do Parque Zoológico do Rio Grande do Sul”, dizia o texto.

Foto: Gian Nunes/Divulgação CMC
O espaço foi inaugurado em 2005 e 20 anos depois foi homenageado na Câmara Municipal de Vereadores pelos serviços prestados aos animais silvestres e à educação ambiental. A solenidade foi no dia 9 de outubro, no plenário da Casa.
“Ele realmente começou como um minizoo, mas de mini ele não tem mais nada. O nosso trabalho é bem grandioso e muito importante, não só pro município de Canoas, mas para o Estado mesmo. Temos esse reconhecimento do próprio Estado por conta desse trabalho que a gente faz com bastante amor, mas principalmente com bastante profissionalismo”, conclui Patrícia.
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