Os impactos das enchentes de maio de 2024 ainda seguem no imaginário do canoense. Moradores que se mudaram, negócios que não retornaram, além de casas e prédios que seguem com a marca da água barrenta. E é pensando na prevenção contra este desastre que o Fórum das Entidades está propondo a realização de um estudo para tornar Canoas mais resiliente e sustentável.
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Foto: Paulo Pires/GES
A ideia é que a sociedade civil, as universidades e o poder público se unam na elaboração de propostas em nove frentes de trabalho. O projeto, que alinha desenvolvimento com meio ambiente, será lançado oficialmente no dia 30 de outubro, em uma solenidade na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços, a Cics Canoas, no Centro. (Ver as dimensões e metas no final da matéria)
Encabeçando a proposta, a presidente do Fórum das Entidades, Maria Isabel Bodini Viegas, destaca a importância desse olhar amplo e técnico para a cidade.
“Precisamos melhorar diversas questões, como vamos proteger a cidade é um ponto. Outro ponto é como vamos desenvolver Canoas. O que nós vamos buscar de inovação para a cidade? Nisso, podemos entrar em saúde, educação etc. Por enquanto, nós temos todas as dores e sabemos onde temos que atuar.”
Os estudos do projeto Canoas Resiliente e Sustentável devem ser desenvolvidos ao longo de dois anos. Após esse período, as ações elencadas deverão ser colocadas em prática dentro de uma década – principalmente pelo Executivo, órgãos públicos e demais entidades. Todo esse movimento tem o apoio do Instituto Nia Hub na organização.
Segundo o vice-presidente de Relações Institucionais da Cics Canoas, André Guindani, o projeto é essencial para a recuperação do município e manutenção do desenvolvimento. “É uma forma de pensar a cidade a longo prazo”, define.
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Em busca de selo internacional
De acordo com o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), Canoas possui 51,54 pontos na avaliação dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. O município está na posição 2.172 entre os 5.570 cidades brasileiras.
O valor é considerado um nível médio de desenvolvimento, segundo o Instituto Cidades Sustentáveis, responsável pela medição. As escalas variam entre muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto.
Além da chance de melhorar o índice, está no horizonte do projeto o selo internacional LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, na tradução Liderança em Energia e Design Ambiental), concedido pela organização estadunidense U.S. Green Building Council.
Para conquistar este selo, é preciso que Canoas atenda a diversos requisitos. E são justamente estas exigências que guiaram a determinação das áreas de estudo do projeto a ser desenvolvido. Na prática, a proposta fala de ações como energia limpa, gestão de recursos e espaços verdes.
“Temos o entendimento que ele vai ser desenvolvido através do poder executivo porque sem ele nós não conseguimos implementar essas ações. Muita coisa se depende. O que se vai buscar é uma certificação LEED”, explica a presidente.
A certificação estimula a construção e a transformação de edifícios e cidades em locais sustentáveis – caminho a ser seguido por Canoas. Como resultado, o selo, se adquirido, pode criar um ciclo virtuoso na cidade. “Possibilita a captação de recursos internacionais, por exemplo”, observa Guindani.
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Projeto coloca Canoas no Circuito Urbano da ONU Habitat
A preocupação principal do projeto é que a enchente de maio de 2024 não se repita. No entanto, muito se fala sobre a possibilidade de eventos climáticos extremos se tornarem cada vez mais frequentes. Tudo isso acontece em razão das mudanças climáticas no mundo inteiro.
“No ano passado, o Fórum sentiu a necessidade de contribuir com o município, para mudar essa possibilidade de haver novas enchentes. E tudo indica que haverá outros eventos semelhantes. Como um todo, o mundo está mudando, as temperaturas, o clima. Então, se pensou num projeto que fosse do município, que ele fosse perene”, ressalta Maria Isabel.
Essa busca por mais resiliência e pela certificação LEED contribuíram para a inclusão de Canoas no Circuito Urbano de 2025 das Nações Unidas Habitat. A iniciativa reúne diversos eventos que pensam as cidades e os desafios urbanos. O lançamento da projeto Canoas Resiliente e Sustentável integra o cronograma.
Conversa com o Plac
Este não será o único plano que trata do assunto na cidade. No mês junho, A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) lançou o Plano Local de Ação Climática de Canoas (Plac-Canoas). O documento possui 24 ações prioritárias a serem executadas a curto, médio e longo prazo por diferentes pastas.
Mas não haverá conflito entre as propostas. Muito pelo contrário, garante a presidente do Fórum das Entidades. “Por isso que nós estamos desenvolvendo esse memorando de entendimentos. É para conversar.”
O secretário de Meio Ambiente, Guilherme Haygert; e a secretária de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Patrícia Augsten, acompanham a organização do projeto, observa Maria Isabel.
E quem também vai poder acompanhar vai ser a comunidade. A ideia é que as diretrizes, propostas e ações sejam publicizadas através de uma plataforma digital já no período de dois anos do estudo. “Dentro do que buscamos, o que já temos? Por isso, a plataforma é importante. O que que nós já temos para obter a certificação LEED? Então, o que já existe vai ser absorvido aqui sim”, ressalta.
“Eu entendo que esse projeto vai tratar de questões muitos mais amplas e vai fazer as diferentes pastas e interesses conversarem para a construção de um grande plano. Precisamos colocar todas as iniciativas para se conversar”, comenta André Guindani.
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Projeto Canoas Resiliente e Sustentável
Dimensões: Processo de Integração; Sistemas Naturais e Ecologia; Transporte e Uso da Terra; Eficiência no Uso da Água; Energia e Emissão de Gases do Efeito Estufa; Materiais e Recursos; Qualidade de Vida; Inovação; e Prioridade Regional.
Metas até 2035
- Acréscimo anual entre 2 e 5% no PIB de Canoas
- 10 mil novos empregos verdes líquidos
- Aumento de 20 e 25% no setor de serviços especializados
- Reduzir em pelo menos 50% as áreas urbanas suscetíveis a enchentes até 2035
- Aumento de 20% na receita fiscal do município
- Reduzir em 20% as emissões de gases de efeito estufa
- Reduzir em 15% a população residente nas áreas de vulnerabilidade e riscos
- Aumentar a biodiversidade com espécies arbóreas nativas em espaços públicos
- Alcançar 30% das viagens diárias por bicicleta, caminhada ou transporte público até 2035
Sobre o Fórum das Entidades
Atuando desde os anos 2000, o Fórum reúne 18 entidades canoenses. O espaço é voltado para articulação entre lideranças empresariais, comunitárias, acadêmicas e setoriais da cidade, visando o desenvolvimento econômico, social e urbano. Compõem o Fórum das Entidades as seguintes organizações:
- Associação Brasileira de Odontologia (Abo) – Seção do Rio Grande do Sul
- Associação do Mercado Imobiliário de Canoas e Nova Santa Rita (Associ)
- Câmara de Dirigentes Lojistas de Canoas (CDL Canoas)
- Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas (Cics Canoas)
- Conselhos Comunitários Pró-Segurança Pública Canoas (Consepro Canoas)
- Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRC-RS)
- Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS)
- Instituto Modular de Educação e Responsabilidade Social (Imers)
- Universidade La Salle Canoas
- Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) – Subseção Canoas
- Parque Canoas Inovação (PCI)
- Associação de Engenharia e Arquitetura de Canoas (Seaca)
- Sindicato das Indústrias Metal Mecânicas e Eletro Eletrônicas de Canoas e Nova Santa Rita (Simecan)
- Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Canoas (Sindigêneros Canoas)
- Sindicato dos Lojistas do Comércio de Canoas (Sindilojas Canoas)
- Associação Médica de Canoas (Somédica)
- Universidade Luterana do Brasil (Ulbra)
- Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter)
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