Ao saber da morte do jovem Daniel Thiesen Pinheiro, 17 anos, na passarela da Estação Fátima, durante um roubo, no último sábado (2), Gabriela Nunes sentiu um frio na espinha ao pensar que poderia ter sido ela a vítima.
A moradora do bairro Fátima conta que costuma se valer da Trensurb para circular em Canoas. Mais: havia sido roubada no mês passado, mas ao descer a passarela da Praça do Avião, em pleno Centro de Canoas.
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Foto: PAULO PIRES/GES
“Era um sábado à tardinha”, lembra. “Eu desci a rampa e logo notei um cara que estava em um banco da praça. Ele cruzou rápido ao me ver. Chegou gritando que queria o meu celular. Estava com alguma coisa na mão, mas nem sei o que era. Soltei o aparelho no chão e saí correndo.”
O roubo a pedestre que ceifou a vida do estudante do IFSul de Venâncio Aires é um dos crimes mais combatidos na cidade devido ao risco da ameaça se tornar um roubo seguido de morte (latrocínio).
Somente durante o mês de abril, houve 33 crimes, conforme os números computados pelo 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Canoas. De janeiro a abril, o número é de 179 registros. A média é de 1,3 casos por dia na cidade.
Entre os pontos considerados de incidência dos crimes pela Brigada Militar (BM), além da travessia que existe na Estação Fátima, há a passarela sobre a BR-116 na Praça do Avião e a passarela amarela ao lado do Conjunto Comercial.
“São locais onde acontecem roubos”, avalia o tenente-coronel Clóvis Ivan Alves. “Temos conhecimento disso. Trabalhamos com georreferenciamento e com informações da própria comunidade para planejarmos o policiamento. Posso garantir que há policiamento nestes locais.”

Foto: PAULO PIRES/GES
Reclamações
Comerciante no bairro Fátima, Carolina Ernst confirma que o policiamento existe, sim. Ela apenas pensa não ser suficiente para garantir a segurança da população em tempo integral, como necessário.
“Não dá para dizer que a gente não vê as viaturas da Brigada parando”, defende a trabalhadora de 37 anos. “O problema é que aparecem quando não têm ninguém na volta. Foi o que aconteceu no sábado. A viatura havia passado há pouco.”
Morador do Niterói, Marcelo Antunes, 58 anos, reclama não apenas de uma presença mais efetiva da Brigada. Ele aponta que as viaturas da Guarda Municipal param na passarela somente o tempo necessário para “postar uma foto”.
“Meu neto atravessa aquela do Rio Branco para ir e vir do serviço”, conta. “Morro de medo de ele ser abordado por um assaltante. Porque só vejo a Brigada passando ali. A Guarda é bem pior. Param na passarela só um minutinho, que serve para posarem para postar uma foto.”

Foto: PAULO PIRES/GES
Policiamento
Pensando na segurança nas passarelas e estações da Trensurb nos horários de pico, a Brigada Militar montou a batizada Caminho Seguro, lançada ainda no verão, meses antes da tragédia na Estação Fátima.
A ação visando a redução dos roubos a pedestres partiu do entendimento do comando do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de que era preciso guarnecer áreas de incidência dos crimes.
Foram destacados para as abordagens os policiais oriundos da Força Tática e aqueles que fazem parte da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) para abordagens pela manhã e ao entardecer.
Na avaliação do comandante Clóvis Ivan Alves, os roubos acontecem conforme a presença dos órgãos de segurança, mudando de endereço a partir das ações organizadas em torno do local.
“Quando se reforça o policiamento em determinada área, eles migram para outra”, esclarece. “Em um momento, o local mais visado pode ser X até conseguirmos identificar e eliminar o problema. Passa um tempo e os crimes passam a acontecer na área Y. É bem cíclico.”

Foto: PAULO PIRES
Guarda Municipal
Força de segurança vinculada à Prefeitura de Canoas, a Guarda Municipal havia montado a operação Entardecer Seguro, intensificando o patrulhamento no período de maior circulação de pessoas, no fim do dia.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança, mas acabou informada de que não haveria manifestação da Prefeitura sobre o assunto, que se trata de competência da Brigada Militar.
Orientação
O comando da Brigada Militar planejou uma série de dicas consideradas importantes para ter em mente, caso a pessoa seja surpreendida por um assaltante. Confira:
- Em caso de assalto, não reaja;
- Acredite sempre que a arma do bandido é verdadeira e está carregada;
- Evite fazer gestos bruscos, que possam ser confundidos como reação de sua parte;
- A Brigada Militar possui unidades especializadas em gerenciamento de crises e resgate de reféns, portanto, confie e tenha calma;
- Assim que os assaltantes deixarem o local, avise a Brigada Militar 190 o mais rápido possível, transmitindo o ocorrido e as características do(s) assaltante(s).
Roubos a pedestres entre janeiro e abril:
- 2021 – 724 crimes
- 2022 – 556 crimes
- 2023 – 557 crimes
- 2024 – 269 crimes
- 2025 – 202 crimes
- 2026 – 179 crimes
Roubos a pedestres somente no mês de abril:
- 2021 – 183 crimes
- 2022 – 137 crimes
- 2023 – 135 crimes
- 2024 – 49 crimes
- 2025 – 52 crimes
- 2026 – 33 crimes
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