Teve início na manhã desta terça-feira (5), no Fórum de Novo Hamburgo, o novo julgamento de Adriana Guinthner, de 55 anos, acusada de matar o escrivão judicial Paulo Cesar Ruschel. O caso, que se arrasta há quase duas décadas, volta ao Tribunal do Júri após uma sequência de reviravoltas judiciais.
Um dos pontos que mais chama atenção neste novo júri é a composição do conselho de sentença, que é composto por sete mulheres. A definição ocorreu a partir de seleção feita tanto pela acusação quanto pela defesa. As juradas terão a responsabilidade de decidir se a ré é culpada ou inocente.
O julgamento começou por volta das 9 horas, com a escolha dos jurados, mas o início da oitiva das testemunhas iniciou por volta das 10h30. Ao todo, sete testemunhas devem ser ouvidas. O júri deve se estender por pelo menos dois dias.
A acusação é conduzida pelos promotores Eugênio Paes Amorim e Robson Barreiro. Já a defesa é liderada pelo advogado Jader Marques. Os trabalhos são presididos pela juíza Bruna Casagrande.
Adriana está presente no plenário. Cerca de 30 pessoas acompanham o julgamento, a maioria familiares da ré. Familiares da vítima também estão no local.
Reviravoltas no processo
O caso ganhou novos contornos nos últimos anos. Em outubro de 2023, após um júri que durou cerca de 26 horas, Adriana foi condenada a 15 anos e nove meses de reclusão por homicídio duplamente qualificado. Na ocasião, saiu do fórum direto para o presídio.
Ela permaneceu presa por 13 meses, até novembro de 2024, quando a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça anulou o julgamento, acolhendo recurso da defesa. Com isso, o processo retornou à fase de júri.
SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!
O crime ocorreu na madrugada de 22 de outubro de 2006. Paulo Cesar Ruschel, então com 48 anos, foi morto com dois tiros na cabeça e um no tórax dentro da casa onde vivia com a companheira, na Avenida Pedro Adams Filho, no bairro Pátria Nova.
Segundo a investigação, a vítima dormia quando foi surpreendida pelos disparos. Poucos dias depois, uma reconstituição do crime apontou contradições na versão apresentada por Adriana, que passou a ser a principal suspeita.
Ela foi presa em novembro daquele ano, ao sair da prefeitura onde trabalhava, mas dias depois obteve habeas corpus e respondeu ao processo em liberdade. Desde então, o caso passou por diferentes decisões judiciais, incluindo absolvição em segunda instância, posterior anulação e retomada da acusação.