A ideia de ser responsável 24 horas por dia durante uma semana por algo que é totalmente dependente parece uma tarefa difícil, mas na Escola Estadual de Ensino Médio (EEEM) Osvaldo Aranha, de Novo Hamburgo, a experiência tornou-se uma atividade divertida.
Além de explorar a criatividade e o compromisso dos alunos, conscientiza e educa sobre um assunto sério: a gravidez na adolescência. [Veja vídeo ao final desta reportagem.]

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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Essa é a proposta do projeto “Bebê Ovo”, realizado pelo terceiro ano consecutivo pela professora de biologia Silvana Vargas do Amaral.
A ideia surgiu em uma mudança de currículo, na disciplina de fisiologia humana, que trabalha o tema da reprodução, e é desenvolvido com estudantes do 3º ano do ensino médio.
Porém, antes do bebê ovo ganhar rosto, personalidade e até nome, existe uma jornada de conhecimento prévio.
“O primeiro bloco de conteúdos é saúde na juventude, então eu trabalho com os alunos gravidez na adolescência, gravidez precoce, Infecção Sexualmente Transmissível (IST), métodos contraceptivos e sempre gera muita discussão”, relata Silvana.
Quando chega um dos momentos mais aguardados pelos estudantes, a criação do companheiro dos próximos dias, a tarefa é levada de forma séria, como se, de fato, fosse um filho.
“A gente realmente vai imaginar que é uma vida, que não pode deixar sem o cuidado de um adulto e isso eles seguem a risca”, diz. Os estudantes tem a liberdade de escolher o arranjo familiar que desejarem.
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Rotina registrada
Com o bebê pronto, o ovo é rubricado pela professora e os alunos fazem a certidão de nascimento e registram toda a rotina do ‘filho’ em um documento, que passa por avaliação da professora.
Para comprovar os cuidados e a atividade sendo seguida integralmente, os alunos precisam fazer fotos e vídeos ao longo dos dias.
O estudante Jean Oliveira, de 17 anos, responsável na atividade por Humpty Dumpty e Kitty junto com outros dois colegas, relata que foi uma experiência diferente das demais vivenciadas na escola. “Tem que ser responsável porque o ovo é muito frágil e ter que levar para vários lugares não é tão fácil quanto parece”, conta.
Para Maiara Mangini, 17, a vivência cuidando da bebê ovo Maria Clara foi desafiadora. “As atividades foram meio complicadas, mas consegui”, comenta.
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Dados de Novo Hamburgo
Entre 2021 e 2026, Novo Hamburgo registrou 1206 nascidos vivos de mães adolescentes, isto é, de 10 a 19 anos. O número representa 8,38% do total de nascimentos no município.
Entre o período, o ano com maior incidência foi 2022, com 258 nascimentos. O número de gestações aumenta gradualmente conforme a idade da adolescente, sendo mais expressivos dos 17 ao 19 anos, conforme a Prefeitura.
Novo Hamburgo integra o Programa Saúde na Escola (PSE), estratégia do Ministério da Saúde que promove ações intersetoriais voltadas à saúde de crianças e adolescentes. Atualmente, o programa contempla 50 escolas e as 25 Unidades de Saúde do município.
De acordo com a Prefeitura, entre os temas prioritários destacam-se a prevenção da violência e a promoção da cultura da paz, saúde mental e saúde sexual e reprodutiva.
Casos no RS caíram mais de 50%
A proporção de casos no Estado caiu para menos de 50% nos últimos 20 anos. Em 2004, 18,51% das gestações no Rio Grande do Sul foram de adolescentes, enquanto em 2024 o número chegou a 7,66%, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), por meio do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc).