Com a etapa mais difícil prestes a ser concluída, a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Luiz Rau, em Novo Hamburgo, parece estar próxima de virar realidade. A informação foi confirmada pelo diretor técnico da Comusa, Neri Chilanti, e deve resultar no atendimento direto de pelo menos 100 mil moradores da cidade.

Foto: Bruno Morais/GES-Especial
Nos últimos dias, o emissário e a linha de recalque, as tubulações que levam e trazem o esgotamento sanitário entre a Estação e o Arroio Luiz Rau, foram instaladas no trecho público e, agora, iniciam a conexão com a própria ETE. Na área, já são erguidos os tanques de tratamento do afluente, bem como as estruturas para tratamento de lodo.
“Diferente de um edifício, essa obra tem muitas coisas que tu podes fazer ao mesmo tempo. Tu podes começar o laboratório, a casa de químicos e a estação de tratamento de lodo, tudo ao mesmo tempo, porque não depende do outro”, explica o diretor, sobre as ações simultâneas. Dentre as construções que ainda não são visíveis, estão as chamadas estruturas técnicas, como o laboratório de químicos e o próprio escritório da ETE.
A expectativa é de que a obra alcance os 95% de conclusão ao fim deste ano. Desta forma, fica projetada a fase de testes para os primeiros meses de 2027. A diretoria entende que o mês de abril deve contar com a estação em pleno funcionamento.
Por que demorou?
Conforme o diretor Neri Chilanti, vários percalços atrapalharam o desenvolvimento do projeto. O primeiro deles foi a enchente de 2024, quando a fase de fundações começava a ser montada. De maio a setembro daquele ano, o contrato foi revisado.
Já em abril de 2025 iniciaram os testes da fundação. No segundo semestre de 2025, os prédios para operação da ETE Luiz Rau tiveram alguns dos primeiros trabalhos realizados, iniciando a possibilidade de enxergar a estrutura. E em 2026, além de dar continuidade nas estruturas, a construção do emissário e da linha de recalque passaram a receber a atenção das equipes.
Como vai funcionar:
A ETE Luiz Rau possui um encanamento ligado ao arroio de mesmo nome, responsável por captar o esgoto não tratado. O material é despejado entre dois tanques, iniciando o chamado tratamento primário. Neste processo, os resíduos mais volumosos já são descartados e apenas o conteúdo mais líquido entra ao primeiro tanque.
O trabalho de limpeza utiliza lodo ativado e injeção de oxigênio, visando dissolver a matéria orgânica. No momento em que o primeiro tanque se enche neste processo inicial de purificação, é aberta uma passagem ao segundo tanque, que quando cheio, inicia o deslocamento do material para uma lagoa exposta ao sol. O trajeto do afluente é reforçado com o uso de desinfetantes, que atuam na limpeza do líquido quando este chega ao lago artificial.

Foto: Bruno Morais/GES-Especial
Depois deste momento, o esgoto tratado chega até uma estação de bombeamento e retorna ao arroio, já tratado e com uma eficácia avaliada em 90%. “Quando esse esgoto voltar para o (arroio) Luiz Rau, ele vai estar ‘n’ vezes melhor do que a qualidade da água do próprio (arroio) Luiz Rau. Vai acabar melhorando as condições do próprio Luiz Rau”, descreve Neri.
Novas enchentes previstas em projeto
Elemento que atrasou o andamento das obras, as fortes chuvas que assolam o Estado nos últimos anos não devem atrapalhar o funcionamento da ETE, quando pronta. Para evitar a inoperância da estação em períodos de alagamento, todas as estruturas que corriam risco de ficar submersas serão erguidas em até 1,2 metro, impedindo o acesso da água em condições até piores das que foram sentidas no local em 2024.
Privatizações
O governo do Estado trabalha para privatizar os serviços de água e esgoto no estado. Após a iniciativa privada assumir a Corsan em 2023, restam 176 municípios do RS que não respondem a esse padrão de operação.
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A Comusa, autarquia hamburguense, busca provar sua capacidade de operação e investimentos com a conclusão da ETE Luiz Rau. “Toda essa intenção do Estado de fazer uma privatização dos outros 176 sistemas que não eram da Corsan e não são Aegea, a justificativa era para universalização. Nós (Comusa) conseguimos universalizar com os nossos recursos, com as nossas forças, e vamos provar isso bem rápido”, afirma Neri Chilanti, diretor técnico da Comusa.
Em busca do marco do saneamento
Até 2033, todas as cidades do Brasil devem apresentar a tal universalização dos serviços de água e esgoto, com 99% e 90% de atividade, respectivamente. A estimativa da Comusa, com a conclusão e operação da ETE Luiz Rau é saltar dos atuais 9,8% de tratamento de esgoto para 50%.
Em uma segunda etapa da obra, cujo projeto já está previamente estruturado, o tratamento deve se estender também ao Arroio Pampa e, com isso, chegar a até 97% de cobertura do esgotamento sanitário. Para execução deste projeto, a Comusa busca recursos externos.