Da mitologia e astrologia ao papel nas lavouras, a lua tem e já teve diversos significados ao longo dos tempos. E foi inspirada nessa temática que a Escola de Samba Protegidos da Princesa Isabel, de Novo Hamburgo, apresentou o tema enredo Protegidos Sob a Luz da Lua para o Carnaval 2027, de autoria do carnavalesco Rogério Douglas.
A presidente da agremiação, Lana Flores, destaca que a escolha vai de encontro ao estilo da Protegidos. “A Escola gosta de enredos românticos, abstratos, alegres, que não falem de dor ou de desamores. Então, a gente escolheu esse enredo por admirar esse fenômeno noturno que traz tantas emoções para a gente e que influencia a natureza, no amor, na dor, que influencia na agricultura, na ciência e em tudo que existe em nós, nas marés, nos rios, nas águas…”, comenta.
“A gente simplesmente tem uma quadra aqui aberta com os céus e então durante os ensaios a gente consegue contemplar a noite, a lua cheia, a lua minguante, a lua crescente, a lua nova… então muitas vezes a gente fala, até no microfone, ‘vocês viram a lua lá fora?’”, completa.
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De acordo com a equipe da Protegidos, a escola de samba já trabalha na produção do samba-enredo, que tem seu lançamento marcado para o dia 12 de setembro. O intérprete oficial deve ser Dodo Ananias.
Do misticismo à ciência: sinopse reflete sobre simbologia da lua
A sinopse escrita por Rogério Douglas e divulgada pela Escola de Samba nas redes sociais propõe uma reflexão sobre os diferentes significados atribuídos à lua. Confira:
“A Lua sobe no céu como um segredo antigo, branca e silenciosa, bordando prata sobre os telhados do mundo. Desde o primeiro olhar humano, ela é espelho de sonhos. Um farol suspenso na noite, guardiã das marés e do coração.
Foi sob seu brilho que poetas prometeram eternidades e que amantes sussurraram juras frágeis como o orvalho. No Romantismo, ela é cúmplice, testemunha de cartas escritas à luz de velas, de silêncios compartilhados e beijos à meia-luz. Mas a Lua não é apenas suspiro; é também força invisível que dança com os oceanos. Seu abraço gravitacional move as águas da Terra, erguendo e recolhendo as marés, como se o planeta respirasse em seu ritmo.
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E houve o dia em que o sonho tocou o pó: em 1969, sob o olhar atento da humanidade, a missão Apollo 11 levou os passos de Neil Armstrong ao solo lunar. Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade. A Lua, antes intocável, sentiu o peso leve da bota humana, e os olhos que antes viam apenas um pequeno ponto azul viram-se diante de um grande salto na eternidade da noite.
Mesmo conquistada, ela não perdeu o mistério; continua a reger signos e destinos. Na astrologia, a Lua governa emoções, intuições e ciclos da alma. Em cada mapa astral, ela é maré interna, a fase que cresce e mingua dentro de nós. Nos campos agrícolas, os antigos ainda observam e sabem que seu ciclo acompanha as colheitas: na lua crescente, planta-se; na minguante, é tempo de poda e recolhimento.
Entre ciência e tradição, ela continua a desenhar estações. E, nas lendas, quantas faces ela já teve? Foi deusa, foi mãe, foi guardiã da noite. Na mitologia, tornou-se Selene, cruzando pelos céus em uma carruagem prateada. Em outras terras, inspirou histórias de lobisomens, coelhos lunares e amantes transformados em constelações.
A Lua é presença e distância, ciência e superstição, maré e metáfora. Ela nos ensina que o que parece inalcançável pode, um dia, ser tocado, mas jamais deixará de ser poesia. Porque, mesmo marcada por pegadas humanas, continua sendo espelho dos nossos mistérios e, cada vez que cresce no céu escuro, renova o antigo pacto entre o homem e o infinito, onde afirma que tudo passa por fases: começa no escuro, cresce em silêncio e, no momento certo, brilha por inteiro.
Assim segue a tricolor de Novo Hamburgo, movida pelo desejo de ser campeã e tendo a certeza de que estamos todos “Protegidos sob a luz da Lua.”