Reunindo materiais inéditos e em parceria com o vereador, historiador e jornalista Felipe Kuhn Braun, o pesquisador independente Cristian Lauck produz um novo livro sobre a Revolta dos Mucker.
Com estimativa de ser lançada em novembro deste ano, a obra deve contar com novos detalhes sobre o conflito que envolveu o grupo perseguido pelo Estado e pela Igreja no século 19, acusados de bruxaria por seguirem uma religião oriunda do luteranismo.
A Guerra Mucker, como também é chamada, teria acontecido no Morro Ferrabraz por volta de 1874, localizado atualmente na cidade de Sapiranga. Na época, a região pertencia à antiga Colônia Alemã de São Leopoldo.
Movido pelo desejo de se aprofundar na história de seus antepassados, Lauck já escreveu também os livros Memórias do Ferrabraz, Identidade – Um Estudo Genealógico e Um Novo Começo – Inspirado na História de Vida de Catharina Lauck. Já Felipe Kuhn Braun produziu mais de 30 obras sobre histórias das cidades da região, inclusive sobre o conflito religioso.
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Morador de Gravataí, Cristian Lauck conta que descobriu uma conexão entre a história de sua família e a do conflito. Agora, a obra deve ir além e trazer novos detalhes sobre o período histórico.
“No início, a ideia era apenas resgatar memórias da minha família, mas descobri que seis dos meus antepassados moravam no Ferrabraz na época dos Mucker, e isso despertou meu interesse pelo tema”, lembra Lauck.
“Eu já tinha escrito três livros pequenos voltados para a história da minha família, mas percebi que esse projeto era maior. Por isso, procurei o Felipe Kuhn Braun, que já tem uma trajetória reconhecida na área da imigração alemã, e desde então ele tem trabalhado comigo nesse projeto”, continua.
Pesquisa intensa, documentos históricos e registros inéditos
Cristian Lauck afirma que trabalha intensamente neste projeto há cerca de dois anos, buscando registros e documentos oficiais sobre o conflito junto a Felipe Kuhn Braun.
“Reunimos o material que eu havia acumulado ao longo dos anos com o amplo acervo de pesquisa do Felipe e, provavelmente, formamos o maior conjunto de documentos e informações já reunido sobre a história do movimento Mucker”, diz Cristian.
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“O Cristian fez o início de uma pesquisa sobre os Mucker, bem aprofundada por sinal, e me procurou para contribuir com o material que escrevemos juntos. Eu já havia pesquisado sobre os Mucker, alguns livros que escrevi tem capítulos sobre, e ele já havia publicado três livros, então nós já acompanhávamos o trabalho um do outro”, menciona Felipe Kuhn Braun.
Lauck descreve que, além da busca pelo acervo, o trabalho envolveu também entrevistas com descendentes de pessoas envolvidas. “Conversamos com diversos descendentes das famílias envolvidas, também pesquisamos em diversas instituições e acervos, como o Arquivo Histórico Nacional, o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, o Arquivo Público do Estado, o Acervo Benno Mentz, o Museu Visconde de São Leopoldo e jornais da época”, relata.
“Também consultamos praticamente todos os livros publicados sobre o tema, além de trabalhos acadêmicos e científicos. A ideia foi reunir o maior número possível de fontes para compreender melhor os acontecimentos”, finaliza.