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MUDANÇAS

Primeira semana das novas regras da CNH no RS tem retomada de procura e reforço na orientação aos candidatos

Após período de incertezas, CFCs voltam a receber interessados, mas destacam dúvidas, reprovações na teoria e fase de adaptação do sistema

Dário Gonçalves
Publicado em: 08/01/2026 às 16h:20 Última atualização: 08/01/2026 às 16h:35
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A entrada em vigor das novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) começou a alterar a rotina dos Centros de Formação de Condutores (CFCs) no Rio Grande do Sul. Na primeira semana do novo modelo, a movimentação voltou a crescer após um mês de dezembro marcado por forte retração, mas o cenário ainda é de adaptação com sistema híbrido e dúvidas frequentes por parte dos candidatos.

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Avaliações seguem formato tradicional | abc+



Avaliações seguem formato tradicional

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Diretor-geral do CFC Valderez, de Novo Hamburgo, e diretor do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do RS (SindiCFC-RS), Robson Miranda afirma que a procura aumentou a partir do dia 5 de janeiro, quando passou a ser possível avançar em etapas do processo com as novas regras. Segundo ele, dezembro foi um período praticamente paralisado, em razão das incertezas sobre como o novo modelo seria aplicado no Estado.

“A partir do dia 5 houve uma procura muito maior. Muitas pessoas chegam em busca de informação para tentar entender como vai funcionar, porque esse processo, da forma como foi instituído, trouxe mais dúvidas do que explicações. Esse tem sido o principal trabalho do CFC neste momento: orientar”, relata.

Candidatos usufruem do novo modelo

Além da busca por esclarecimentos, Miranda destaca que já há candidatos iniciando efetivamente o processo de habilitação, tanto pelo modelo novo quanto pelo formato tradicional. Parte dos interessados chega aos CFCs para validar o curso teórico realizado pelo aplicativo CNH do Brasil, enquanto outros optam por seguir a formação completa, com 45 horas/aula teóricas e 20 aulas práticas.

“Tem muita gente que entende que a formação de condutor é um processo sério e prefere não colocar a própria vida em risco. Essas pessoas seguem optando pelo modelo tradicional ou por um plano de aulas mais completo”, afirma.

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“As aulas fazem diferença”

Aos 20 anos, o mecânico Renan Winter Nicolai concluiu nesta quinta-feira (8) o processo de primeira habilitação em meio à transição entre os modelos antigo e novo de formação. Ele conta que iniciou o processo poucos dias antes da mudança nas regras e optou por seguir com a formação tradicional. “Eu comecei e, dois dias depois, apareceu o novo modelo. Mesmo assim, fiz todas as aulas normalmente”, relata.

Para o jovem, as aulas presenciais seguem sendo fundamentais, especialmente para quem está tirando a CNH pela primeira vez. “Eu acho que é fundamental ter as aulas, porque muita gente vai acabar fazendo só as duas obrigatórias e vai perceber que precisa de mais. Tem muita coisa que a gente aprende com o tempo”, avalia.

Renan conquistou sua primeira habilitação nesta quinta-feira (8) | abc+



Renan conquistou sua primeira habilitação nesta quinta-feira (8)

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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Mesmo já atuando como mecânico de carros — hoje de caminhões —, ele diz que o conhecimento técnico não substitui a prática da direção. “Eu tinha noção de como o carro funciona, mas o fundamento de dirigir mesmo, eu nunca tinha tido”, afirma.

Renan foi aprovado de primeira tanto na prova prática quanto na teórica. “Passei de primeira, zero ponto perdido. E a prova teórica também foi 100%”, conta.

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Reprovações já aparecem na prova teórica

Embora ainda não tenha havido tempo hábil para que candidatos que fizeram apenas as duas aulas práticas obrigatórias cheguem à etapa do exame de direção, os primeiros reflexos do novo modelo já aparecem na prova teórica. De acordo com Miranda, alguns candidatos que optaram exclusivamente pelo curso online têm sido reprovados.

Avaliações seguem formato tradicional | abc+



Avaliações seguem formato tradicional

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

“O que a gente já observou é reprovação na prova teórica. Pessoas fazem aquele curso online rápido e vão direto para a prova, e algumas acabam não passando. Em relação à prova prática, ainda é cedo para avaliar, porque esses candidatos ainda estão cumprindo as etapas iniciais”, explica.

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Diante do novo cenário, a orientação dos CFCs tem sido direcionada à formação do condutor, independentemente das flexibilizações previstas na legislação. Segundo o diretor, embora o candidato possa optar por cumprir apenas o mínimo exigido, o papel das autoescolas continua sendo o de preparar adequadamente quem vai para o trânsito.

“Duas aulas não ensinam ninguém a dirigir. Isso é evidente. Quem já tem alguma experiência pode tentar esse caminho, mas nosso papel é explicar que aprender a dirigir não acontece por mágica. A orientação é sempre buscar a melhor formação possível, pela segurança do próprio condutor e de todos que circulam no trânsito”, afirma.

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Ele explica que, mesmo com a redução da carga mínima obrigatória, os CFCs seguem oferecendo a formação completa e também planos intermediários, com mais aulas práticas do que o mínimo exigido, conforme a necessidade de cada aluno.

Processo avança, mas avaliações seguem o mesmo rigor

Na prática, os candidatos já podem iniciar todo o processo de habilitação. Quem opta pelo curso teórico digital realiza as aulas pelo aplicativo, procura o CFC para validar o conteúdo, agenda a prova teórica e dá sequência às demais etapas. Exames médicos e psicológicos seguem sem alterações.

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Avaliações seguem formato tradicional

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Segundo Miranda, embora a formação tenha sido flexibilizada, os exames continuam com o mesmo nível de exigência. “A avaliação segue no modelo antigo, com o mesmo rigor. O que mudou foi a formação, que foi reduzida. A prova continua exigente”, observa.

Sobre o início das novas regras, o diretor avalia que o processo tem sido desafiador, sobretudo pela necessidade de adaptação em um curto espaço de tempo. Ele reconhece que falhas sistêmicas eram esperadas, mas afirma que os CFCs têm conseguido manter o atendimento aos candidatos. “Não foi um início tranquilo, e dificilmente seria. Mas os CFCs estão acostumados a trabalhar de forma regulada e séria, e têm conseguido contornar os problemas e atender quem procura o serviço”, diz.

Candidatos poderão perder até 10 pontos na prova prática

Uma das mudanças mais significativas previstas pela Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) diz respeito aos critérios de avaliação na prova prática de direção veicular. Pelo novo regramento, o exame deixa de ter eliminação automática por faltas específicas e passa a adotar um sistema de pontuação acumulativa, semelhante ao utilizado em diversos países.

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Avaliações seguem formato tradicional

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Pela resolução, o candidato inicia a prova com pontuação zero, que é acrescida conforme as infrações cometidas durante o exame. Cada infração gera pontos multiplicados pelo seu peso. Para ser aprovado, o candidato poderá somar até 10 pontos — até então são três. Acima disso, será reprovado. A norma também prevê que a segunda tentativa seja gratuita, sem cobrança de nova taxa, e que, havendo disponibilidade operacional, o candidato possa realizar uma nova prova no mesmo dia.

Apesar de já estar prevista na resolução nacional, a mudança ainda não está em vigor no Rio Grande do Sul. Segundo Robson Miranda, os exames seguem sendo aplicados exatamente como antes.

“Por enquanto não teve nenhuma alteração. As provas teóricas e práticas continuam no modelo antigo, sem flexibilização e sem mudança nos critérios. Não temos nenhuma previsão de quando isso vai mudar”, afirma.

Enquanto o sistema segue em fase de ajustes, a procura volta gradualmente aos centros de formação, com candidatos divididos entre a expectativa de um processo mais rápido e barato e a busca por uma formação mais completa antes de enfrentar as provas e, principalmente, o trânsito.

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