No Dia do Professor, celebrado nesta quarta-feira (15), educadores de Novo Hamburgo trocaram a sala de aula pelas ruas. A classe participou do “Ato em Defesa da Educação e das Trabalhadoras e Trabalhadores da Educação – No Dia dos Professores a aula será na rua”, promovido pelo Sindicato dos Professores Municipais (SindprofNH). A concentração ocorreu por volta das 11 horas, na Praça Punta del Este, e o grupo seguiu em caminhada pela Avenida Nações Unidas, Rua Marcílio Dias e Primeiro de Março, encerrando a mobilização na Praça do Imigrante.
A manifestação teve como foco denunciar o que o sindicato classifica como desmonte da educação pública municipal. Segundo a presidente do SindprofNH, Luciana Martins, há falta de professores em várias escolas e turmas com número excessivo de alunos, especialmente na educação infantil, sem a estrutura necessária para atender a demanda.
Luciana também criticou a decisão da Secretaria de Educação de suspender as eleições para diretores, que, segundo ela, fazem parte da legislação e da prática democrática nas escolas municipais. “A comunidade escolar é formada por professores, funcionários e também por pais e mães que escolhem quem vai dirigir a escola. Acabar com esse processo é retirar um espaço de participação”, afirmou.
Assistência à saúde
Outro ponto levantado pelo sindicato é o fim da contribuição da Prefeitura no plano de assistência à saúde dos servidores municipais, comunicada por meio de ofício na última semana. A medida, segundo Luciana, transfere mais de 10 mil pessoas para o atendimento do sistema público de saúde, o que deve pressionar ainda mais as unidades municipais. “O plano é colaborativo, o servidor paga e o município contribui. Ao se isentar, o prefeito aumenta a sobrecarga da rede pública e prejudica também quem depende dela”, disse.
A categoria também cobra o pagamento da reposição inflacionária retroativa a abril, prevista em lei aprovada pela Câmara de Vereadores, mas ainda não repassada aos profissionais. O sindicato afirma que os educadores estão em estado de greve e que uma assembleia deve avaliar os próximos passos do movimento nas próximas semanas.
Luciana informou que o SindprofNH já solicitou uma reunião urgente com o prefeito para discutir as pautas, mas ainda não obteve retorno. “Não é possível que o diálogo não aconteça. Queremos avançar, mas isso depende de vontade política e de respeito às trabalhadoras e trabalhadores da educação”, concluiu.
A reportagem encontrou em contato com a Prefeitura de Novo Hamburgo, mas até a publicação desta matéria o retorno ainda não havia sido dado. O espaço segue aberto para a manifestação.