O reservatório onde um menino de três anos morreu afogado na tarde de quarta-feira (25), no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, é usado com frequência por crianças e adolescentes para banho, segundo relatos de moradores da região. [Veja vídeo ao final desta reportagem.]
Com cerca de 20 metros de largura por 33 de comprimento, a estrutura não possui nenhum tipo de cercamento ou proteção. Apesar de a água ser considerada imprópria para banho, o local acaba se tornando ponto de encontro, especialmente em dias de calor intenso.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
LEIA TAMBÉM: Número de mortos em enchentes em Juiz de Fora e Ubá chega a 49
Morador das proximidades da casa de bombas, Cristiano Morais da Silva, 19 anos, afirma que, além da poluição, há riscos adicionais dentro da água. Segundo ele, ferros e outros materiais estão espalhados no fundo do reservatório. “Um garoto já cortou feio o pé ali”, relata.
Sobre o acidente desta semana, ele acredita que o menino possa ter sido influenciado pelo comportamento dos mais velhos. “O menino via os outros tomando banho e deve ter achado que podia fazer o mesmo. Os pais estavam fazendo uma mudança e o portão estava aberto, foi quando ele saiu e acabou caindo na água”, conta.
Outro morador, que pediu para não ser identificado, disse que várias vezes alertou sobre os perigos de tomar banho no local, mas que acabava sempre sendo hostilizado: “A gente fala e acaba sendo ruim, porque acham que a gente quer estragar a diversão”.
Ele conta que viu o menino ser resgatado, mas que o estado era grave. “Falei pra sugar a água da boca dele, mas já estava todo molinho”.
VÍDEO: Além do consumo doméstico, “água invisível” eleva pressão sobre recursos hídricos
Fácil acesso
O reservatório tem acesso facilitado pelas ruas Assis Brasil e Alcântara, nas imediações da Avenida dos Municípios. Ao lado da estrutura há uma quadra de esportes, o que contribui para a circulação constante de jovens na área.
A casa de bombas começou a ser construída em 2013 e integra o sistema de drenagem e proteção contra cheias do município.
De acordo com a Prefeitura, trata-se de uma estrutura técnica, não destinada à circulação pública. Mesmo quando não há bombas em operação, a bacia auxilia no escoamento da água em períodos de chuva.
Após a morte da criança, a administração municipal informou que determinou a avaliação imediata das condições de segurança do local.
Medidas de proteção e restrição de acesso estão sendo analisadas pelas equipes técnicas, com o objetivo de reduzir riscos e prevenir novas ocorrências.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia e é investigado pela Polícia Civil.