A partir de 2028, quem seguir viagem rumo à Serra gaúcha encontrará uma nova realidade nas estradas: o trajeto entre Novo Hamburgo/Porto Alegre e Gramado pela RS-239 e RS-115 terá seis pontos de cobrança automática. (Veja mapa abaixo)
Os equipamentos fazem parte do modelo de concessões do Bloco 1, anunciado pelo governo do Estado na terça-feira (29), que prevê a substituição das praças tradicionais por pórticos de cobrança automática (free flow) a partir do segundo ano da concessão, que deve começar em 2027. Os valores ainda são estimativos e poderão sofrer alterações após a licitação.
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Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
O primeiro pórtico do trajeto para a Serra estará em Novo Hamburgo, no quilômetro 18,7 da RS-239, nas imediações do Complexo Ok Center, sentido Campo Bom, e custará R$ 3,11. A poucos quilômetros dali, estará o segundo ponto de cobrança: no quilômetro 25,2 da RS-239 — em Campo Bom, mas quase no limite com Sapiranga, com tarifa de R$ 2,93.
O equipamento ficará após o Posto do Comando Rodoviário da Brigada Militar para quem segue em direção ao Paranhana, pouco antes do pórtico turístico que marca a entrada de Sapiranga, onde não haverá pedágio. Desta forma, quem estiver dentro de Campo Bom e acessar a rodovia estadual pela Avenida dos Municípios também passará pelo free flow.
Já no trecho de Araricá, a cobrança voltará a ocorrer no quilômetro 36,6 da rodovia, próximo à entrada da Rua da Cabana e ao Paradouro Sucos e Lanches. O valor previsto nesse ponto é de R$ 3,28. Doze quilômetros adiante, praticamente no acesso a Taquara, o motorista passará pelo quarto pórtico do trajeto. Ele será instalado em Parobé, no quilômetro 48,7, ainda na RS-239, pouco antes da ponte sobre o Rio Paranhana, com tarifa estimada de R$ 3,44.
A partir dali, o trajeto segue pela RS-115 em direção à Serra. Muito próximo ao limite entre Igrejinha e Três Coroas estará o quinto pórtico do percurso. Localizado no quilômetro 14,9, esse equipamento será instalado nas proximidades da cervejaria Heineken, com cobrança prevista de R$ 3,92.
Já no destino final, em Gramado, o motorista encontrará o sexto e último pórtico no quilômetro 31,6, depois da Cascata da Santinha, no acesso ao Centro. Esse será o ponto mais caro do trajeto, com previsão de tarifa inicial de R$ 4,62.
Na soma, quem fizer a viagem completa entre Novo Hamburgo e Gramado pela RS-239 e RS-115 deve pagar R$ 21,30. Hoje, esse mesmo trajeto custa R$ 10,35, sendo R$ 3,25 na praça de pedágio de Campo Bom e R$ 7,10 na de Três Coroas.
O valor ainda pode ser alterado conforme ajustes no edital ou propostas das empresas que disputarem a concessão.
Alternativa mais barata
Existe, porém, uma alternativa com menor custo: seguir pela BR-116 até Nova Petrópolis e, de lá, acessar Gramado pela RS-235. Nesse caminho, serão apenas dois pontos de cobrança. A mudança, inclusive, deixará o trajeto com valor mais barato do que é hoje com uma única praça de pedágio, que fica em Gramado e custa R$ 7,10.
O primeiro pórtico ficará no quilômetro 14 da RS-235, próximo à Sociedade Cultural e Esportiva Linha Brasil, em Nova Petrópolis, com previsão de tarifa de R$ 2,24.
O segundo estará no quilômetro 29,9, já no território de Gramado, a cerca de um quilômetro e meio da Snowland e nas proximidades da Rua Germano Boff, onde está a Vila da Turma da Mônica, com valor de R$ 3,53. Nessa rota, o custo total estimado é de R$ 5,77 — quase um quarto do valor previsto pela RS-239 e RS-115.
A mudança também atinge os motociclistas, que hoje passam isentos, mas passarão a pagar nos pontos de cobrança automática.
Ao todo, serão 23 pórticos de pedágio no Bloco 1 de concessões, que abrange trechos da Região Metropolitana, Vale do Sinos e Serra. A licitação deve ocorrer em 2026, e os pórticos começam a funcionar a partir do segundo ano de contrato, após a fase de transição com as atuais praças físicas.
O investimento total no Bloco 1 será de R$ 6,41 bilhões ao longo de 30 anos, sendo R$ 4,86 bilhões nos primeiros dez anos, incluindo duplicações, terceiras faixas e melhorias de infraestrutura.
Leite comenta impacto para moradores
Ao comentar o impacto do novo modelo de concessões na rotina de quem vive na região metropolitana e no Vale do Sinos, o governador Eduardo Leite afirmou que moradores que circulam entre cidades vizinhas terão rotas alternativas sem cobrança de pedágio, como é o caso de quem se desloca entre Novo Hamburgo e Campo Bom.
Segundo ele, os pórticos de pedágio são voltados ao tráfego de longa distância, enquanto a mobilidade local seguirá garantida por vias urbanas já existentes.
“Em boa parte desses casos, essas cidades têm ruas e avenidas que já conectam a vida das pessoas. Entre Novo Hamburgo e Campo Bom, por exemplo, existe a Avenida dos Municípios, usada diariamente por quem mora em uma cidade e trabalha na outra”, afirmou.
Leite reconheceu que as praças e pórticos instalados em rodovias estaduais despertam preocupação na população, mas defende que o programa tem foco em segurança viária, redução de congestionamentos e desenvolvimento regional.
“As rodovias concedidas atravessam municípios e integram a economia local. Alguns pontos de conflito podem surgir, mas o benefício geral, com fluxo mais seguro e novas oportunidades de desenvolvimento, é o que prevalece”, disse.

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
Além disso, o governador ressaltou que o investimento em infraestrutura segue também uma estratégia de resiliência após as enchentes de 2024. Ele citou que rodovias como a RS-118 e a RS-020 foram essenciais como rotas alternativas durante a crise, e que a futura RS-010, se existisse, poderia ter evitado parte do colapso na mobilidade da região durante as inundações.
“Não se trata apenas de reconstruir o que foi danificado, mas de preparar o Estado para suportar novos eventos climáticos. Por isso, destinamos R$ 1,5 bilhão do Funrigs às concessões”, explicou.
Leite também argumentou que as concessões permitem acelerar obras que o Estado levaria décadas para realizar sozinho. “Com o Daer, teríamos capacidade limitada de investimento. Com as concessões, alavancamos R$ 6 bilhões e conseguimos avanços mais rápidos em duplicações, contornos e acessos”, afirmou.
Segundo ele, o novo modelo vai elevar o padrão das rodovias do Rio Grande do Sul, atrair centros logísticos e novas indústrias, e destravar o escoamento da produção das regiões metropolitana, Sinos, Paranhana, Hortênsias e Serra.
Veja onde ficarão os novos pedágios no caminho entre Novo Hamburgo e Gramado

Foto: Arte Alan Machado/GES