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HISTÓRIA

Aos 96 anos, professor Arthur Rambo lança seu 24º livro

Obra "Da Enxada à Cátedra" traz memórias, reflexões e vivências que atravessam diferentes fases da trajetória pessoal e profissional do autor

Publicado em: 01/06/2026 às 11h:50 Última atualização: 01/06/2026 às 11h:50
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O professor Arthur Blásio Rambo, lançou, sábado (30), aos 96 anos, o seu 24º livro, intitulado “Da Enxada à Cátedra”. A obra traz memórias, reflexões e vivências que atravessam diferentes fases da trajetória pessoal e profissional do autor, revelando as múltiplas facetas de sua atuação como antropólogo, filósofo e historiador.  

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O evento ocorreu no Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, junto com a obra Instituto Histórico de São Leopoldo – 50 anos (1975-2025), escrita e organizada por Erny Mügge, Marcos Antônio Witt, Rodrigo Luis dos Santos e Véra Lucia Maciel Barroso.

Por mais que o livro conte sua história, Arthur não o considera como uma biografia, mas um roteiro, com reflexões. “Por exemplo, quando viajávamos pela Europa, e passamos pela Suíça, escrevi comentários sobre a origem geológica daquelas montanhas e a história geológica e humana daquela região. Então, cada passo dado no livro vem acompanhado de reflexões inspiradas em cenários, pessoas e instituições.”



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Na obra, o professor mescla sua trajetória com fatos históricos que aconteciam no mundo. “É uma história, que no caso a minha presença é um ponto de apoio. Tudo vem acompanhado de reflexões e não de dados secos.”

Ponto principal

Conforme Arthur, o ponto principal da obra será decidido pelo leitor. “Filósofos e intelectuais darão mais atenção às partes que citam a Segunda Guerra Mundial, sobre a criação do Estado Novo, ou sobre a proibição de línguas estrangeiras. Outros podem se interessar sobre como era a vida na colônia.”

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O professor recordou que iniciou os trabalhos do livro, que tem cerca de 500 páginas, em meados de 2010, porém com muitas paradas. “Eu comecei a trabalhar intensamente para terminar depois que eu me aposentei, na Ufrgs foi em 1990, e na Unisinos foi em 2013, foi aí que eu comecei a realmente escrever.”

“A minha motivação é que eu não escrevo para mim. Escrevi o livro “A Natureza como Síntese”, como uma tentativa de conciliar as ciências naturais com as ciências do espírito, que conta com uma série de reflexões de diversos tipos”, afirmou Rambo.

Conforme o professor, no último capítulo “Ao Entardecer”, ele explica a maneira como encarou a história e como se interessou por tudo. “Abordo questões de fronteiras entre a ciência natural e a ciência do espírito. É uma questão que debate como surgiu a vida, o universo e como isso é explicado pelos dois lados, tanto pelas ciências naturais, quanto pelas ciências humanas e teologia.” 

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Mais cinco obras prontas

Entre traduções e obras originais, o professor já publicou 24 livros, e tem mais cinco prontos, que estão esperando ser publicados. Entre eles está um sobre ecologia, baseado em uma encíclica escrita pelo Papa Francisco; outro fala sobre como funcionavam as escolas comunitárias até 1940; outro é uma tradução de um diário de um marinheiro alemão que viajou na expedição de 1530, na fundação de Buenos Aires, na Argentina; outra obra é uma ficção sobre uma pessoa que vai ensinar filosofia e ciências humanas em Marte, que mesmo tendo uma civilização muito avançada, perdeu o senso humano. Sobre a quinta obra, o autor não deu detalhes.

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Irmão mais novo do padre jesuíta Balduíno Rambo

Arthur Blásio Rambo é irmão mais novo de Balduíno Rambo (1905-1961), padre jesuíta naturalista e pesquisador que dá nome à Reserva Florestal junto ao Zoológico de Sapucaia do Sul, e que coleciona feitos como a luta pela criação do Jardim Botânico de Porto Alegre e a declaração do Itaimbezinho como parque nacional.

Conforme o professor, o relacionamento com Balduíno foi de amizade. Tiveram inúmeras conversas científicas, e foi o irmão que o convidou para lecionar na Ufrgs, pois também dava aulas na universidade. “Convivi com ele de várias formas, como irmão, colega e chefe. Ele faleceu cedo, aos 56 anos.”

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Arthur recordou que já viajou muito com Balduíno para o Itaimbezinho, quando ainda se cogitava em transformar em parque. “Em 1956 ele recebeu um convite do governo americano para visitar vários institutos de pesquisas e parques. E ele voltou de lá com a obsessão de criar um parque aqui. Ele me falou, que no dia seguinte, falaria com o chefe dele na Secretaria Estadual de Cultura para terminar com essa história de desmatamento, e de fato ele foi lá. O então governador Ildo Meneghetti, deu o decreto de desapropriação e de utilidade pública, e depois ele encerrou as atividades do madeireiros e serralheiros.”

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Aos 96 anos, Arthur Rambo lançou seu 24º livro e tem mais 5 obras concluídas



Aos 96 anos, Arthur Rambo lançou seu 24º livro e tem mais 5 obras concluídas

Foto: Eduardo Zanotti/Especial

Trisavôs vieram da Alemanha

Nascido em fevereiro de 1930, no interior de Montenegro (hoje Tupandi), Arthur Rambo é o caçula de nove irmãos em uma família de agricultores. Os trisavôs vieram da Alemanha. Saíram de lá em outubro de 1829 e chegaram no Brasil em março de 1830, estabelecendo na região onde fica hoje Lindolfo Collor.

Arthur tem uma trajetória destacada na região, seja como professor na Unisinos, ou também na participação como historiador na Causa da Beatificação de Padre Reus. A formação tem longa lista: é licenciado em Letras Clássicas e Teologia e bacharel em Filosofia (Unisinos), bacharel em História Natural (Ufrgs), doutor em Filosofia e livre docente em Antropologia (Pucrs) e pós-doutorado em Antropologia Rural (Universidade de Paris V).

O professor vive hoje com a filha Ingrid Rambo Scopel, em São Leopoldo. O filho Paulo Cesar Rambo mora na Inglaterra há 25 anos. A esposa, Inês Presotto faleceu há 10 anos.

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