O Hospital Centenário (HC), de São Leopoldo, realizou mais uma captação de órgãos para doação. A ação ocorreu na manhã desta terça-feira (9) e poderá ajudar e salvar a vida de cinco pessoas. Já é a segunda captação neste mês. A iniciativa ocorreu dentro das atividades do Setembro Verde, campanha que tem por objetivo reforçar e conscientizar sobre a importância da doação de órgãos.
A enfermeira e presidente da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos, Tecidos e Transplantes do Hospital Centenário, Fernanda Estrella conta que foram captados, nesta terça-feira, de um homem de 27 anos, as duas córneas, os dois rins e o fígado.
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Foto: Divulgação/Hospital Centenário
Poder transformador
No dia 1.º de setembro, já havia ocorrido outra captação, de dois rins, e este procedimento no HC, realizado pouco depois da meia-noite, foi o primeiro do Setembro Verde no Rio Grande do Sul.
Segundo a enfermeira, “a doação é um ato de generosidade, protagonizado pelas famílias doadoras e pela equipe dedicada do hospital, é um testemunho do poder transformador da doação de órgãos”, destaca a Fernanda, que também é presidente da Liga de Transplantes dos Acadêmicos de Medicina da Ulbra, aqui na região.
O Setembro Verde é um mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e transplantes, e o Hospital Centenário faz parte da causa como instituição captadora.
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Esperança e gesto de amor
Segundo o presidente da Fundação Hospital Centenário, Diego Cardoso da Silveira a doação de órgãos é um gesto de amor ao próximo que impactando positivamente famílias inteiras e a sociedade como um todo.
“Ao doar órgãos, o cidadão não apenas salva vidas, mas também leva esperança e um futuro para quem mais precisam”, salienta Silveira.
“A doação de órgãos se torna um alento”
“A doação de órgãos é um procedimento, é um tratamento para quem recebe um órgão e sempre digo que não adianta ter um hospital de ponta, o melhor bloco cirúrgico, os melhores profissionais, a melhor estrutura, se não tivermos a autorização da família para a captação”, afirma Fernanda Estrella.
“Se a família não autorizar a captação, todo este investimento, as capacitações que a gente faz, toda nossa formação, tudo isso não adianta para nada e não conseguimos colocar em prática todo o nosso aprendizado”, destaca a enfermeira. “Ao mesmo tempo em que ficamos muito felizes por estas pessoas que são salvas, somos empáticos e entendemos a dor da família que está perdendo seu ente querido. A doação de órgãos, com o tempo, se torna um alento para esta família que teve a perda, isso no desenrolar do luto vai servir de consolo.”
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Média de recusa chega a 40%
Desde janeiro deste ano foram captados 23 órgãos no Hospital Centenário. O número poderia ser maior não fosse a recusa das famílias no momento da abordagem dos profissionais.
“Considero o número bom, toda a captação é boa, mas claro que poderia ser bem maior, pois se pensarmos que temos no Brasil 78 mil pessoas na fila, este número ainda é muito pequeno. Claro que morte encefálica é um por cento dos óbitos que vamos ter. Neste mês de setembro, tivemos duas: uma captação no dia 1º e uma nesta terça. “Temos que conversar bastante para diminuir as recusas, para as pessoas falarem mais ‘sim’.”
Conforme Fernanda, geralmente se tem uma média de 40% de recursa. “A recusa ocorre porque as famílias não conversam sobre este assunto. Quando falamos com os familiares, muitos não sabem se o seu ente querido queria doar os órgãos ou não e por isso temos esta taxa de recursa.” Para Fernanda é possível melhorar este índice com “as famílias conversando sobre doação de órgãos, desmistificando este tema, esclarecendo as dúvidas”.