A partir do próximo ano, São Leopoldo deverá colocar em prática o Programa Nutrindo Vidas, da Secretaria de Assistência Social (SAS), que ampliará e qualificará as cozinhas comunitárias. A lei que cria o programa foi aprovada no último dia 25 por unanimidade na Câmara de Vereadores.
Atualmente, o Município conta com o Programa São Léo Mais Comida no Prato que auxilia 24 cozinhas comunitárias, beneficiando com refeições cerca de 12 mil pessoas. Segundo a SAS, o repasse mensal para o atual programa é de cerca de R$ 90 mil por mês. O novo programa, conforme a SAS, irá além do trabalho nas cozinhas sociais.
FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO JORNAL VS NO WHATSAPP

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial/Arquivo
Capacitação
Além da oferta de alimentação que continuará nas cozinhas comunitárias, haverá capacitação e formação profissional continuada para as pessoas voluntárias nas cozinhas sociais; fomento à geração de trabalho e renda; e promoção da educação alimentar e nutricional.
A primeira-dama e secretária de Assistência Social, Simone Dutra, destaca que o cenário de insegurança alimentar foi agravado pelas crises sociais e econômicas recentes, pelos impactos da pandemia e, especialmente, pela catástrofe climática de maio de 2024, que ampliou a pobreza e acentuou desigualdades.
Segundo a SAS, a ideia é atingir com o novo programa 23.543 famílias e 56.329 pessoas cadastradas do Cadastro Único (CadÚnico). “Estas pessoas não necessariamente estão em insegurança alimentar, mas é um indicador”, destaca.
“O Programa Nutrindo Vidas não é apenas uma ação emergencial de combate à fome, mas uma estratégia transformadora, que alia segurança alimentar, fortalecimento comunitário e qualificação profissional”, afirma a titular da SAS.
LEIA TAMBÉM: São Leopoldo promove primeiro fórum para debater e fortalecer o turismo
Inclusão
“Representa um avanço significativo para São Leopoldo, ao unir justiça social, inclusão, solidariedade e promoção da dignidade humana, buscando garantir que nenhuma família leopoldense fique sem acesso a uma alimentação saudável e que, ao mesmo tempo, possa conquistar autonomia para reconstruir sua vida com esperança e cidadania plena.”
Conforme a justificativa da lei, a iniciativa da SAS tem como finalidade estruturar um modelo sustentável de segurança alimentar e nutricional, apoiado nas cozinhas sociais de base comunitária, fortalecendo a solidariedade popular, reconhecendo o papel essencial do voluntariado e assegurando de forma suplementar insumos e suporte técnico para que essas iniciativas tenham continuidade e qualidade.
Geração de renda
Segundo a nutricionista da SAS, Camila Justi Coan, o novo programa será mais amplo. Contará com cozinha industrial, padaria industrial que vai possibilitar difundir técnicas e até conseguir que os voluntários das cozinhas comunitárias tenham renda.
As cozinhas comunitárias que quiserem participar do Programa Nutrindo Vidas terão que se inscrever em edital em fase de elaboração. Para isso precisam ser reconhecidas pelo Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
VEJA AINDA: Equipe do Colégio Marista Pio XII leva projeto de robótica à Apae São Leopoldo
Parcerias
A secretária diz que está fazendo vários contados em busca de parcerias para o Programa Nutrindo Vidas. Um das parcerias é com o Tecnosinos para a elaboração de um aplicativo do programa, com diversas informações como o cadastro das cozinhas comunitárias, horários das refeições, entre outros dados. A iniciativa também já recebeu doações como um forno industrial e uma cozinha industrial para a viabilização da geração de renda. “A ideia é colocar as cozinhas comunitárias nos eventos da cidade, ofertando seus produtos”, adianta a secretária.
Reunião com as cozinhas comunitárias
Segundo a estagiária de Nutrição do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria Municipal de Assistência Social, Jaqueline Nascimento Sela, serão realizadas reuniões com as lideranças e os voluntários das cozinhas sociais para ouvir as suas sugestões.
“Queremos que as cozinhas sejam protagonistas na luta contra fome e a promoção da segurança alimentar. Precisamos e já falamos com elas sobre este alinhamento, então iremos capacita-los para que participem desde a elaboração do edital, inscrição de projetos e programas de governos que possam acrescentar neste apoio até as prestações de contas. Vamos juntos com as cozinhas elaborar o edital feito em conjunto com elas e por elas”, diz Jaqueline.
“Os voluntários e as lideranças participam ativamente no Município na luta contra fome e com as enchentes de 2024 percebemos junto a gestão que elas são protagonistas e precisam desse reconhecimento. Acho que o programa vai mostrar todo esse olhar que queremos transmitir para o povo de São Leopoldo.”
SAIBA MAIS: Escala de anestesistas motiva fiscalização do Cremers no Hospital Centenário
Projeto de profissionais da SAS foi reconhecido
A estagiária de Nutrição Jaqueline Nascimento Sela e a nutricionista Camila Justi Coan, ambas da SAS, foram vencedoras na categoria Nutrição em saúde coletiva do Congresso Nacional de Formação dos Profissionais de Nutrição – CONFNutri 2025.
O artigo traz a análise dos níveis de insegurança alimentar no município de São Leopoldo, especialmente no contexto pós-enchente, cruzando dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) com informações sociodemográficas, na busca de contribuir para que as políticas públicas e as ações comunitárias sejam cada vez mais eficazes no combate à fome. O projeto foi apresentado em setembro em Brasília, durante o evento.