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SÃO LEOPOLDO

VÍDEO: Praça do Imigrante ganha mural cheio de arte, cores e simbolismo

Obra produzida pelo artista Feu Cardoso foi legado deixado pela Aldeia Sesc Capilé

Priscila Carvalho
Publicado em: 15/10/2025 às 17h:12 Última atualização: 15/10/2025 às 17h:12
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A 18ª Aldeia Sesc Capilé acabou, mas o legado deixado pelo evento ficou para além da memória de seus mais de 20 mil participantes. A Praça do Imigrante, que sediou os cinco dias de programação, foi presenteada com um mural artístico, desenhado pelo artista plástico leopoldense Feu Cardoso e que levou o nome do tema do evento: “Território & Saberes – Lugares de Memórias”.

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Artista Feu Cardoso mostra detalhes dos desenhos feitos no muro do dique da Praça do Imigrante



Artista Feu Cardoso mostra detalhes dos desenhos feitos no muro do dique da Praça do Imigrante

Foto: Priscila Carvalho/GES-Especial

A obra fica junto ao dique que separa a praça do Rio do Sinos e recebeu desenhos, cores e elementos étnicos, totalizando uma pintura de 90 metros de comprimento. A ideia partiu do Sesc São Leopoldo, teve patrocínio da Sicredi Pioneira e execução de Feu Cardoso.

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Temática

O mural foi entregue oficialmente na noite do sábado (11), ainda dentro da Aldeia Sesc, em evento que contou com a participação da secretária de Cultura e Relações Internacionais, Lionella Goulart, que auxiliou no encaminhamento do pedido, feito ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) – já que o espaço fica junto também à Ponte 25 de Julho, que é tombada –, para revitalizar o muro. “Estamos com documento autorizando e depois vamos fazer um relatório, pra falar que ficou de presente para a comunidade”, disse a diretora do Sesc leopoldense, Andrea Guedes.

Ela destacou que em um momento da curadoria, foi lembrado da enchente de 2024 e de como Feu teve um olhar da tragédia com a exposição Memórias Sedimentadas. Por isso, a temática da Aldeia Sesc esse ano, Territórios e Saberes – Lugares de Memórias, foi passada ao artista. “A gente sabe que o nosso território tem várias etnias, que não era só a alemã quando chegou aqui. E ele apresentou para nós essa proposta, explicou as cores. E ficou lindo!”, ressaltou Andrea.

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Desafio de transmitir emoção pelo olhar

O mural traz a representação dos rostos de um menino indígena, de uma mulher de origem germânica e de uma mulher negra. “Procurei trazer a ideia de que o rio está olhando de volta para a cidade e para as pessoas, como se os nossos ancestrais tivessem nos espiando aqui, por isso são só os olhos”, explica Feu, citando que a altura do muro também não permitiria a pintura do rosto inteiro. “Por isso optei em colocar só os olhos, e me desafiar a transmitir toda a emoção e a ideia que eu queria somente através do olhar”, acrescenta.

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O que representam os desenhos

“Juntos dos rostos, tem uma ilustração de elementos da cultura de cada um”, comenta o artista descrevendo os detalhes. “Do lado do menino indígena, tem essa textura de trama de cestas e também setas e pinturas em listras, usadas na pintura corporal, que vem da cultura dos tupis-guaranis e caingangues, que são aqui do Sul”, inicia.

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“Ao redor da mulher alemã, tem os desenhos de Bauernmalerei, pinturas em madeira que eles fazem tudo com uma pincelada só, em formato de gotas. Ele é bem tradicional e tem regras rígidas de como deve ser a pintura para ser uma Bauernmalerei”, continua.

“E tem também essa textura africana, que leva cores bem quentes, bastante preto e alguma coisa de verde. Como são losangos e poderia ficar mais genérico, eu decidi colocar o mapa da África para ficar bem óbvio para quem olha”, completa.

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Tudo feito após estudos sobre as etnias. Segundo Feu, o processo de pesquisa e a parte burocrática com aprovação do Iphae levou mais de um mês. Já a produção do mural, feita com ajuda de uma equipe, foi realizada em cinco dias, de terça a sábado passado. “Usamos tinta acrílica e foi tudo feito com pincel. Foram muitas horas e muitas pessoas para conseguir terminar a tempo”, pondera.



“Eu quis fazer esse olhar do rio para a cidade”, destaca artista

O artista lembrou ainda que fez um trabalho com pintura de pessoas que foram atingidas pela enchente, tendo um link direto como mural desenhado agora e que representam nossos ancestrais.

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“Montei uma história de que todo mundo chegou pelo rio e o rio é a fonte de tudo na cidade, de comércio, de transporte, de cultura. Até que ele foi abandonado, esquecido, até por necessidade, pela questão das enchentes. A gente teve que fazer muros de contenção e, com isso, a cidade virou as costas para o rio. E, houve essa enchente, essa grande catástrofe ano passado, e agora com essa oportunidade de fazer esse mural aqui no muro, eu quis fazer esse olhar do rio para a cidade”, contextualiza.

 

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