A formação precoce de um supertufão furioso no Pacífico é, para os meteorologistas, um forte indício de que o El Niño está próximo – e não só isso. Com as águas extremamente quentes, o fenômeno deve impactar o clima no Sul do País com risco de chuva excessiva, enchentes e temporais, enquanto o Centro-Oeste e Sudeste brasileiro será castigado por intensas ondas de calor.
É preciso ressaltar que o supertufão Sinlaku, que alcançou força de um furacão categoria 5, não oferece qualquer perigo ao Brasil, mas as condições oceânicas em que se formou são, segundo a MetSul Meteorologia, um prenúncio do El Niño nos próximos meses – este, sim, afeta todo o globo.
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Foto: NASA
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Sinais de El Niño
De acordo com o meteorologista Luiz Nachtigall, o cenário de aquecimento no Pacífico Oeste, onde Sinlaku ganhou força total em um pouco mais de um dia e alcançou rajadas de vento de 280 km/h, não é isolado, já que “faz parte de uma reorganização maior do sistema climático que está em curso, típica dos períodos que antecedem episódios de El Niño”.
“À medida que o fenômeno se desenvolve, há uma redistribuição de calor no oceano, com impactos diretos na atmosfera”, explica ele. O supertufão se fortaleceu justamente neste momento de mudança.
Supertufão nesta época do ano acende alerta
“A ocorrência de um tufão tão intenso nessa época sugere que a temporada pode ser mais ativa do que o normal. Em anos de El Niño, há maior probabilidade de formação de sistemas fortes no Pacífico, especialmente na sua porção Oeste”, destaca o meteorologista.
“Estoque” de águas quentes carrega energia para El Niño
Neste momento, há uma grande “piscina” de águas quentes no Pacífico Oeste, próximo à Indonésia e à Austrália.
Nachtigall esclarece que, durante o La Niña – fenômeno contrário ao El Niño, quando a água está mais fria do que o normal –, os ventos alísios se intensificaram e empurraram mais água quente para esta região, onde se formou, então, acúmulo de calor na superfície do mar.
Quando essas rajadas enfraquecem ou ocorrem os chamados Estouros de Vento de Oeste (WWB, na sigla em inglês), esses eventos deslocam a água quente acumulada em direção ao Centro e ao Leste do Pacífico por meio de ondas de Kelvin, que funcionam como pulsos de energia no oceano. Desta forma, a água quente passa a ocupar áreas onde anteriormente predominavam águas frias.
Ou seja, “esse deslocamento de calor marca o início de um episódio de El Niño, com a formação de uma faixa de águas quentes ao longo do Pacífico Equatorial”. “A mudança altera a circulação atmosférica global, provocando secas em algumas regiões e chuvas intensas em outras. Assim, o que começa no Oceano Pacífico acaba influenciando o clima em escala planetária, inclusive no Brasil.”

Foto: Reprodução/MetSul Meteorologia/AOML-NOAA