Que o verão de 2025 já nos reservaria desafios de saúde, isso já sabíamos. Afinal, o combate ao Aedes Aegypti se intensifica com as altas temperaturas e muitos já estavam preparados para essa “batalha”.
No entanto, ninguém imaginava que outro animal entraria na “briga” pela nossa atenção, ainda mais um peçonhento. Pelo menos três cidades da região já foram listadas pela Secretaria Estadual da Saúde (SES) como infestadas pelo escorpião-amarelo: Sapucaia do Sul, Esteio e São Sebastião do Caí. Em Esteio, por exemplo, mais de 150 exemplares foram capturados em apenas uma semana, de acordo com informações da prefeitura.
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Foto: acervo pessoal
Com potencial para envenenamento grave através de sua picada e de fácil disseminação no meio urbano, a lista onde o peçonhento já foi avistado no Rio Grande do Sul conta com 37 municípios.
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A relação completa, no entanto, não foi detalhada pela SES. Mas em Novo Hamburgo, a confeiteira Franciele Aguirre, 32 anos, moradora do bairro Primavera, garante que o animal peçonhento já está pela cidade. Em dois meses, ela capturou dois escorpiões no pátio de casa — sendo um amarelo. “A primeira vez que encontramos aqui em casa foi há sete anos. E nunca mais tínhamos visto. Agora, em menos de dois meses, já foram dois”, relata.
Com dois filhos em casa, de 5 e 13 anos, a hamburguense não esconde o medo de algo acontecer. “Afinal, não sabemos se pode nos matar ou não”, reconhece.
Além das três cidades da região, o governo do Estado também aponta que Porto Alegre, Horizontina, Três de Maio, Marcelino Ramos e Nova Bassano são consideradas as principais áreas de infestação no Estado. De 2013 a 2024, esses animais foram localizados em até 37 municípios, sendo que em 17 foram registrados acidentes em humanos.
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Embora desempenhem um papel importante no equilíbrio ecológico, os escorpiões representam um risco significativo em ambientes habitados. Uma picada pode causar dores intensas, reações alérgicas e, em casos mais graves, complicações cardíacas e respiratórias.
Mas vale destacar: o escorpião não ataca, apenas se defende. Ferroa apenas quando é molestado, para se defender, ou seja, quando alguém coloca a mão ou se encosta nele intencionalmente ou sem perceber.
Em caso de picada, a orientação é buscar atendimento médico de urgência, de preferência em hospitais com a disponibilização de soro pela vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde. O plantão de emergência do CIT/RS, disponível 24 horas pelo telefone 0800-721-3000, registra acidentes pelas picadas dos peçonhentos e orienta o uso de soros.
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Mas que animal é esse?
O escorpião-amarelo é um animal peçonhento, de pequeno porte e altamente adaptável, frequentemente encontrado em locais como entulhos, terrenos baldios e até dentro de residências. Seu veneno é de alta toxicidade, que pode causar complicações graves e até levar ao óbito, especialmente em crianças e idosos.
Seu habitat consiste em locais escuros e frescos, frestas de paredes, pedaços de madeira, restos de materiais de construção, tijolos e caliça empilhados, entulhos, esgotos, ralos, caixas de gordura, encanamentos de luz e telefone, caixas com verduras, legumes e frutas, roupas, calçados, cama, travesseiros e cortinas, entre outros.
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Tendo como fonte principal de alimentação as baratas, a reprodução ocorre, em média, duas vezes por ano, dando origem a 20 filhotes por vez, chegando a 160 filhotes durante a vida. Os filhotes sobem no dorso do animal e ali permanecem. O período entre o nascimento e a dispersão dos filhotes é de aproximadamente 14 dias.
Esta espécie reproduz-se por partenogênese, ou seja, só existem fêmeas e todo indivíduo adulto tem filhotes sem a necessidade de acasalamento. Este fenômeno, aliado a facilidade de adaptação a qualquer ambiente favorece sua dispersão. Uma vez transportado de um local a outro (introdução passiva), o animal instala-se e se prolifera com muita rapidez. Além disso, a introdução do escorpião amarelo em um ambiente pode levar ao desaparecimento de outras espécies de escorpiões devido à competição.
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Como controlar a proliferação?
Para controle do escorpião-amarelo, são importantes as atividades de limpeza de terrenos baldios, quintais e jardins, retirando o acúmulo de entulhos, folhas secas e acondicionando o lixo em sacos plásticos. Os escorpiões alimentam-se, principalmente, de baratas, procurando abrigos infestados por esses insetos. Assim, o controle de baratas deve compor as medidas de manejo ambiental.
A restrição do acesso à água mostra-se como o elemento decisivo para a sua sobrevivência. Mesmo em situações de falta de alimento, se houver acesso à água da chuva ou gotejamento de canos, eles podem permanecer escondidos, à espreita de presas, por períodos que podem passar de 12 meses. Ainda, a restrição de alimento não interfere no tamanho ou peso de ninhada do escorpião-amarelo, que mantém boa capacidade reprodutiva por mais de meio ano mesmo sem alimentação.
Outra medida essencial é manter fossas sépticas bem vedadas e paredes externas e muros rebocados, sem vãos ou frestas. Nas áreas internas de domicílios, utilizar telas em ralos, pias e tanques; vedar vãos e frestas em paredes, soleiras de portas e rodapés soltos. As portas devem permanecer fechadas e estarem bem ajustadas ao batente, nas laterais e nas partes superiores. Manter todos os pontos de energia e telefone vedados.
Preservar os predadores naturais dos escorpiões também é uma forma de controlar a população do aracnídeo, especialmente aves de hábitos noturnos (como corujas e joão-bobo), pequenos macacos, quati, lagartos, sapos, gansos e gambás.
Confira dicas de como evitar acidentes com o escorpião-amarelo
– Verifique calçados, vestuário, toalhas e roupas de cama antes de utilizá-los;
– Não deixe roupas no chão;
– Mantenha os ambientes das residências limpos, sem entulho e lixo, inclusive os terrenos baldios;
– Mantenha resíduos (lixo) bem acondicionados em recipientes bem fechados;
– Evite queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões;
– Remova folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros;
– Mantenha limpos caixas de gordura, ralos de banheiro e de cozinha;
– Tape frestas nas paredes, móveis e rodapés de maneira para que não possam servir de abrigo aos escorpiões;
– Mantenha camas e berços afastados das paredes;
– Evite encostar lençóis no chão;
– Use telas em aberturas de ralos, pias e tanques;
– Mantenha fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões;
– Controle infestações de baratas, eliminando assim a principal fonte de alimento;
– Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha;
– Vede as frestas de janelas e coloque telas;
– Reboque paredes e muros, eliminando as frestas;
– Mantenha todos os pontos de luz e telefone bem fechados;
– Usar luvas grossas, de raspa de couro ou similar durante a manipulação de caixas com frutas e verduras, materiais de construção, transporte de lenha, madeira, e pedras em geral;
– Não utilizar inseticidas no escorpião, o animal tem a tendência a ficar agitado e com isso se espalha mais rapidamente no ambiente.