O pai acusado de tentar matar o próprio filho se apresentou à Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo na manhã desta terça-feira (23), mesmo sabendo que havia um mandado de prisão preventiva em aberto. Ele afirma que decidiu se entregar porque não se considera um criminoso e sustenta que agiu em legítima defesa ao desferir golpes de faca contra o filho durante uma discussão familiar.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
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O caso aconteceu na noite da última sexta-feira (19), na Rua Chico Mendes, no bairro Boa Saúde. Conforme a versão apresentada pelo pai, Dorsi de Sousa Marques, de 57 anos, a situação foi o desfecho de uma sequência de conflitos envolvendo o filho, que mora em uma casa nos fundos do mesmo terreno.
Segundo ele, nos dias que antecederam o episódio, a Brigada Militar havia sido acionada pelo menos duas vezes para atender ocorrências relacionadas à vida do filho, o que, conforme relatou, passou a gerar desgaste e preocupação. O pai afirma que, na sexta-feira, decidiu procurar o filho para conversar e tentar encerrar a situação, inclusive pedindo que ele deixasse o imóvel e voltasse a morar em um apartamento que possui.
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Durante essa conversa, conforme Marques, o filho teria se exaltado, arremessado uma faca em sua direção e, em seguida, o imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”. Os dois caíram no chão e, segundo ele, já com falta de ar, acabou pegando a faca que estava no chão para se defender. “Comecei a sentir falta de ar e caí. Eu peguei a faca pra me defender. Depois dos golpes, perdi os sentidos, não lembro de mais nada”, relata.
Marques também disse que já havia sido agredido pelo filho em outras ocasiões e que chegou a registrar ocorrência policial anteriormente. “Eu registrei uma vez, mas ele já me agrediu mais de três vezes. Quando ficava alterado, ameaçava me matar e colocar fogo na casa”, afirma.
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O pai destacou que jamais desejou viver uma situação como essa e reforçou que tem apenas um filho. “É meu único filho. É muito triste, quem quer fazer isso para um filho? Eu amo muito ele, mas foi ato de defesa. Eu não tinha outra escolha. Senão, capaz dele me matar também”, disse.
“Se eu tive um erro, vou ter que pagar”
Sobre a decisão de se apresentar à polícia mesmo na antevéspera de Natal, Marques afirmou que acredita que precisa responder pelos seus atos, mas que confia que a verdade virá à tona. “Eu tenho que me apresentar. Se cometi um erro, vou ter que pagar. Tenho que ser honesto. Mas a verdade é que agi em legítima defesa”, frisa.
Mesmo diante do drama familiar, o pai diz torcer pela recuperação do filho e espera ainda poder reconciliar a relação. “Estou torcendo que ele se recupere. É muito triste o que aconteceu”, completa. O filho segue internado em estado grave no Hospital Municipal de Novo Hamburgo.
“Nem um pai levanta de manhã e pensa: hoje eu vou esfaquear o filho”
Marques se apresentou à Polícia acompanhado dos advogados Antenor Colombo Neto e Ingrid Pauly. A defesa afirma confiar que, a partir do depoimento prestado e da apresentação de documentos e testemunhas, a Polícia Civil irá reconsiderar o pedido de prisão preventiva encaminhado à Justiça.
Segundo Antenor Colombo Neto, a defesa entende que o pai foi levado a uma situação extrema e que não havia intenção de ferir o filho. “O pai ser levado a tomar uma atitude violenta contra o filho é porque a vida do pai está em risco. Nem um pai levanta de manhã e pensa: hoje eu vou esfaquear o filho. Então ele foi levado a essa atitude, ele teve que tomar essa ação para, hoje, poder estar aqui respondendo”, pondera.
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O advogado também destacou que a prisão preventiva foi decretada sem que o investigado tivesse sido ouvido formalmente e que a expectativa é de que, com os esclarecimentos prestados, a medida seja revista. “A polícia faz o seu ofício investigar. E vendo as provas, ouvindo os depoimentos, as testemunhas que ele tem para indicar, que comprovam esse histórico todo de violência do filho contra ele, não acredito que vai ser mantida uma prisão injusta, indevida, de uma pessoa que só quer o bem para sua família”, completa.
Caso a prisão não seja reconsiderada na esfera policial, a defesa afirma que poderá adotar medidas judiciais, incluindo o pedido de habeas corpus, para buscar a liberdade do cliente. Até o fechamento desta matéria, Marques seguia preso na Central de Polícia de Novo Hamburgo.