*Alerta: Esta reportagem aborda violência contra a mulher. Se você é sensível ao tema, a matéria pode despertar gatilhos. Veja abaixo como denunciar.
Um crime brutal que entrou para a estatística de 11 feminicídios em janeiro no Rio Grande do Sul foi presenciado por uma adolescente de 13 anos e uma bebê de 9 meses em Novo Hamburgo. A vítima, Karizele Oliveira Senna, de 30 anos, foi assassinada pelo companheiro, Kelvin Luan Tavares Nunes, 31, no fim da madrugada o dia 24 de janeiro.
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Foto: Arquivo pessoal
O inquérito policial, remetido à Justiça na última sexta-feira (30), concluiu que o agressor cometeu o crime por ciúmes. Nunes foi indiciado por feminicídio e pode ser condenado a uma pena de até 40 anos de prisão.
O que aconteceu
Conforme o delegado Alexandre Quintão, na sexta-feira do dia 23 de janeiro, o casal teria ido a uma festa e, após Nunes se recusar a dançar com a vítima, ela decidiu dançar sozinha, o que teria desencadeado uma discussão que terminaria na residência, na Rua Ana Neri, esquina com a Avenida Primeiro de Março, no bairro Industrial, onde o crime aconteceu.
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Com a escalada da discussão, o agressor desferiu uma cabeçada na vítima, que teria ido para o quarto do casal. Após alguns minutos, Nunes chamou Karizele novamente para a sala. Porém, a vítima não sabia que o companheiro já estava em posse da faca e que, na sequência, seria golpeada, crime presenciado pela adolescente e pela filha bebê do casal.
Ao presenciar o início das agressões, a jovem saiu em busca de socorro e só ouviu o padrasto dizer, enquanto fugia: “Olha o que eu fiz lá.”
O crime e a fuga do agressor foram presenciados por uma vizinha, que encontrou Karizele já caída. Esta mulher de 41 anos, que tinha contato com a vítima, relatou anteriormente à reportagem que o casal tinha um histórico recorrente de brigas e descreveu o homem como uma pessoa com “ciúme possessivo”.
O Samu chegou ao local cerca de 50 minutos após ser acionado e constatou o óbito de Karizele no local. Nunes ficou foragido por 20 horas e se entregou no mesmo dia, acompanhado de um advogado. Ele está preso preventivamente.
Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher
Brigada Militar – 190
Deve ser acionada imediatamente em situações de violência em andamento. Atendimento 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
A vítima pode registrar ocorrência preferencialmente em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer Delegacia de Polícia. Também é possível solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Delegacia on-line
Permite o registro de ocorrência e a solicitação de medidas protetivas de urgência pela internet, sem necessidade de deslocamento.
Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para a rede de atendimento. A ligação pode ser anônima.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende vítimas em suas Promotorias de Justiça e oferece canais de atendimento virtual.
Defensoria Pública – 0800 644 5556
Presta orientação jurídica gratuita às vítimas.
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Oferecem acolhimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.