A ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e outras oito pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) nesta quarta-feira (1º) por eutanásia ilegal de cães e gatos e outros crimes relacionados a maus-tratos contra animais domésticos.
Os crimes foram cometidos ao longo de 2025 na secretaria canoense e em outros locais da cidade, bem como em Porto Alegre, onde os animais domésticos estavam abrigados para tratamento de doenças.

Foto: Paulo Pires/GES
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Comandava execução
Segundo a denúncia do MPRS, os crimes foram comandados por Paula, que usou o poder de comando para determinar a execução de eutanásia dos animais.
A denunciada não tinha formação técnica em Medicina Veterinária, sem respaldo em exames laboratoriais que apontassem doenças ou problemas de saúde que justificassem o procedimento.
Outras oito pessoas também foram denunciadas por participação nos crimes. Uma delas é uma policial civil, que acessou e repassou dados restritos à ex-secretária para favorecer a prática criminosa.
Associação entre denunciados
O MPRS também denunciou uma associação, fundada e mantida pela então secretária, por participação em crimes de maus-tratos em três episódios.
Conforme a denúncia, a entidade foi usada em ações que envolviam arrecadação de valores para supostos tratamentos de animais. O dinheiro era revertido para a ex-secretária e o marido.
Ainda, uma das pessoas denunciadas é uma policial civil, que acessou e repassou dados restritos à ex-secretária para favorecer a prática criminosa.
“Conduta é desprezível”
O MPRS pede a aplicação de sanções previstas na legislação ambiental e penal, como a proibição de guarda de animais, perda de bens relacionados aos crimes e perda de cargo e função públicos.
Para o promotor de Justiça Leonardo Giardin de Souza, responsável pela ação, não é possível oferecer acordo para evitar o processo penal porque os crimes envolvem violência.
“A conduta é desprezível e de intensa crueldade, seja pela perspectiva da proteção do meio ambiente e das vidas dos animais, seja por considerar a dor causada nos tutores”, destaca. “Isso não se limita aos moradores de Canoas, mas reforça o sofrimento que eles viveram desde a enchente de maio de 2024. As eutanásias ilegais foram feitas em massa e com objetivos fraudulentos.”
Em tempo, Paula Lopes acabou presa no último dia 24, durante a segunda fase da batizada Operação Carrasco, que investigava os crimes cometidos em série em Canoas desde que ela assumiu a Secretaria do Bem-Estar Animal, em Canoas.
O espaço está aberto para manifestação da defesa.