Durante o julgamento de Andrew Heger Ribas — que ocorre nesta quarta-feira (6) no Fórum de Cachoeirinha —, a defesa do réu afirmou acreditar na inocência do cliente em relação ao duplo homicídio do avô Rubem Affonso Heger e da companheira dele, Marlene dos Passos Stafford Heger, assassinados em fevereiro de 2022.
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O advogado André von Berg afirma que orientou Ribas a falar durante o interrogatório, que acontecerá ainda na tarde de hoje.

Foto: Juliano Verardi/TJRS
Segundo a defesa, Ribas deve repetir em plenário o que já declarou em delação premiada homologada pela Justiça, que participou apenas da ocultação dos corpos das vítimas, após o crime já ter sido cometido pela sua mãe, Cláudia de Almeida Heger, que morreu em março deste ano. Ele afirma ter ajudado a incinerar os cadáveres em uma churrasqueira, a mando da mãe, mas nega ter cometido os homicídios.
“A intenção é que o Andrew fale e conte exatamente tudo que ele sabe. E a gente espera que isso termine ainda hoje, para que todos os envolvidos, em especial as famílias do seu Rubem e da dona Marlene, possam virar essa página”, declara André von Berg.
O advogado afirma que não há elementos nos autos que sustentem a participação direta de Ribas nos homicídios. “Não tem nenhum elemento nos autos que indique que o Andrew teria motivo e que tenha tido qualquer participação nesses homicídios. Tem alguma prova de que ele cometeu os homicídios? Não. Tem alguém que viu? Não. Tem alguma filmagem? Não. Tem uma série de circunstâncias, mas dos homicídios, não”, pontua.
Von Berg também destacou que a morte de Cláudia tornou o processo mais complexo, já que, segundo ele, a mãe teria um histórico de manipulação e episódios graves no passado. “Talvez ela pudesse validar tudo o que ele disse (na delação premiada), confessando todas as maldades que fez ao longo de toda a vida. Ela chegou a simular um sequestro e acusou o pai do Andrew, junto com um amigo, de cárcere privado e violência sexual. O amigo chegou a ficar 30 dias preso e, depois, a Cláudia foi condenada por denunciação caluniosa, porque tudo se comprovou falso”, lembra.
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O advogado ainda revelou que Cláudia exercia um tipo severo de controle emocional sobre o filho. “Ela fazia uma alienação parental muito séria e muito grave com ele. E eu espero que ele possa, algum dia, retomar a vida normal”, conclui.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
O julgamento segue no Salão do Júri do Foro da Comarca local, sob presidência do juiz Márcio Luciano Rossi Barbieri Homem. Andrew Ribas está presente, mesmo estando internado no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), após ter sido considerado inimputável em laudo pericial.
A acusação é conduzida pelo promotor de Justiça Caio Isola de Aro, com apoio advogados que são assistentes de acusação. O júri é formado por seis homens e uma mulher.