O ex-síndico e o dono de uma empresa de vigilância que atuavam em um condomínio residencial no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo, estão entre os presos na operação deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (12).

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Ambos são apontados como integrantes do grupo criminoso que tentava tomar conta do Condomínio Villa Germânica e vinha aterrorizando os moradores com ameaças, extorsões e tentativas de controle sobre a administração do local.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
De acordo com a investigação, a empresa de vigilância contratada para atuar na segurança do condomínio foi utilizada pela quadrilha como instrumento de dominação, obedecendo aos mandos do grupo para garantir ainda mais influência sobre os moradores e os serviços internos. Já o ex-síndico, que é advogado, usava do seu conhecimento jurídico para tentar se perpetuar no cargo e seguir desviando dinheiro do condomínio e financiando as ações da quadrilha.
Além destes dois, a Polícia Civil confirmou outras seis prisões, totalizando oito pessoas detidas durante a Operação Villa Germânica. A ofensiva, coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo, teve apoio de cerca de 190 policiais civis e cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e 31 de busca e apreensão em São Leopoldo, Estância Velha, Novo Hamburgo e Porto Alegre, com suporte aéreo.
“A gente veio trazer paz para esses moradores”, diz delegado
O delegado Rodrigo Câmara, titular da 2ª DP e responsável pela investigação, destacou que o objetivo principal da ação é devolver a tranquilidade aos cerca de 2 mil moradores do condomínio. “A gente veio trazer paz para esses moradores. Esse é o objetivo dessa operação hoje. A Polícia Civil traz uma resposta firme para a sociedade, afastando de vez esse grupo criminoso daqui para que os moradores possam viver em paz”, garante.
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Câmara explicou que a investigação durou aproximadamente três meses, com um trabalho intenso de coleta de provas.
“Foi uma investigação qualificada, extensa, realizada pelos policiais da 2ª DP com apoio da inteligência da Brigada Militar. Levantamos documentos, mídias, áudios dessas ameaças, colhemos dezenas de depoimentos de moradores e realizamos diligências discretas dentro do condomínio. Isso permitiu reunir um amplo acervo de provas, o que possibilitou o pedido de prisão ser acolhido pelo Ministério Público e decretado pelo Judiciário”, detalha.
O grupo é investigado por extorsão, ameaças, apropriação indébita e associação criminosa, além de tentar controlar eleições internas para síndico e interferir nas decisões administrativas do condomínio utilizando violência e grave ameaça.
O caso ganhou repercussão estadual após ser revelado com exclusividade pelos jornais do Grupo Sinos, que divulgaram áudios e provas das intimidações impostas pela facção. O material mostrou como o grupo chegou a impor regras, cobrar taxas ilegais e coagir moradores, instaurando um clima de medo e insegurança dentro do condomínio.
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A Operação Villa Germânica é considerada um dos maiores esforços recentes da Polícia Civil no combate à infiltração de facções criminosas em condomínios residenciais.
“É uma investigação complexa, porque como a gente diz, cada vez mais o criminoso se deu conta que a extorsão é uma forma de custear o grupo criminoso. É uma receita corrente do grupo criminoso. Então, é fundamental que as pessoas não cedam, não paguem e procurem as autoridades”, completa o delegado regional Eduardo Hartz, que acompanhou toda a ofensiva.