O policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) por duplo feminicídio, homicídio e ocultação de cadáver no caso da família Aguiar.
Em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (4), autoridades deram novos detalhes sobre o desaparecimento da ex-companheira Silvana de Aguiar, e dos pais dela Isail Aguiar, 69, e Dalmira German Aguiar, 70, no fim do mês de janeiro.

Foto: REPRODUÇÃO
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Cristiano também foi denunciado por falsidade ideológica, fraude processual, furto, associação criminosa e abandono de incapaz.
Além da perda do cargo na BM, o MP pediu a incapacidade para o exercício do poder familiar.
O promotor de Justiça Caio Isola de Aro descreveu a sequência de crimes graves praticados de forma articulada, com três vítimas mortas e corpos ainda não localizados.
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Mortes das vítimas
Segundo o MPRS, Silvana foi morta na noite de 24 de janeiro, em sua residência, no bairro Parque Granja Esperança, em Cachoeirinha, em crime praticado por emboscada e caracterizado como feminicídio, no contexto de violência doméstica e familiar.
No dia seguinte, 25 de janeiro, seus pais foram atraídos por mensagens e ligações fraudulentas, simuladas como se fossem feitas pela filha, e mortos em locais distintos da cidade.
A denúncia aponta que a motivação dos crimes está relacionada a conflitos envolvendo a guarda e a convivência do filho de Silvana com o PM, além do inconformismo com limites impostos pela vítima.
Os delitos foram cometidos de forma coordenada, inclusive para assegurar a impunidade dos crimes anteriores, com posterior ocultação dos cadáveres e reiteradas manobras para dificultar a atuação da polícia e do Judiciário.
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Denunciados
Cristiano
Foi denunciado por dois feminicídios (Silvana e Dalmira), um homicídio qualificado (Isail), três crimes de ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, furto e abandono de incapaz.
Atual companheira do PM
Foi denunciada por participação nos dois feminicídios e no homicídio qualificado, além de três crimes de ocultação de cadáver, fraude processual, associação criminosa, furto e falso testemunho, em razão do planejamento dos crimes, da criação de álibis e da manipulação de provas.
Irmão do PM:
Foi denunciado por três crimes de ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa, por auxiliar na ocultação dos corpos e atuar para dificultar o esclarecimento dos fatos.
Outros investigados
Em relação a outros três indiciados pela Polícia Civil, foram adotadas medidas diferentes conforme a conduta atribuída a cada um.
As mães do PM e da atual companheira dele não foram denunciadas por associação criminosa, tendo o MPRS promovido arquivamento parcial quanto a esse crime.
No entanto, em relação às duas, o promotor Caio Isola de Aro determinou a extração de autos para apuração em separado do crime de fraude processual, com a finalidade de avaliar a possibilidade de oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal, conforme previsto em lei.
Já quanto a um amigo do casal, o promotor entendeu pelo arquivamento dos indiciamentos por fraude processual e associação criminosa, por entender que não havia elementos suficientes para a denúncia por esses crimes.
Em relação ao falso testemunho, contudo, o promotor determinou a extração de autos em separado, para apuração específica desse delito.