*Alerta: Esta reportagem aborda tema sensível, por isso, pode despertar gatilhos. Veja abaixo contatos para buscar ajuda.
O autor do feminicídio que chocou o Vale do Taquari no início desta semana já acumulava um histórico de violência contra mulheres que começou muitos anos antes, no Vale do Sinos.
Elton Luiz Leuze, 58 anos, responsável pela morte da ex-companheira Juliane Cristiane Schuster, 30, e do ex-marido dela, Fabiano Luiz Fleck, 37, tinha registros de violência doméstica desde 2008, quando perseguiu e ameaçou uma moradora de Campo Bom, com quem manteve um relacionamento por oito anos.
“Silêncio aprisiona. Informação liberta”: Grupo Sinos lança campanha para incentivar mulheres a denunciarem casos de violência

Foto: Santa Clara Online | Zique
O crime mais recente ocorreu na noite da última segunda-feira (9), em Santa Clara do Sul. Leuze matou Juliane a tiros, atropelou e matou Fleck – pai das filhas de Juliane – e ainda feriu o atual namorado dela, 45, que também foi atingido no atropelamento.
Uma menina de 6 anos, filha de Juliane com Fleck, foi poupada pelo autor e encontrada trancada em um dos cômodos da residência na manhã de terça (10).
O caso representa o 13º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026. No fim da madrugada desta quarta-feira (11), Elton Luiz Leuze, que era natural de Lajeado, foi encontrado morto em frente ao quartel da Brigada Militar de Santa Clara do Sul. A suspeita é de suicídio.
Histórico de violência começou em Campo Bom
O histórico de violência doméstica atribuído a Leuze teve início formal em fevereiro de 2008. A primeira ocorrência foi registrada pela então esposa, moradora de Campo Bom. No próximo dia 20, a denúncia completaria 18 anos.
Na época, a mulher relatou à polícia que saiu de casa “pois não aguentava mais as ameaças” e que, “por várias vezes, ele já havia batido em toda a família”. Além das agressões, ela denunciou perseguições e ameaças de morte não apenas contra ela, mas também contra os pais.
LEIA MAIS: RS chega a 13 feminicídios em 2026 após novos casos em sequência
Cinco dias depois do primeiro registro, a vítima voltou à delegacia para comunicar que, mesmo após sair de casa, continuava sendo alvo de ameaças. Com medo, ela fugiu de Campo Bom e foi morar em outra cidade da região metropolitana. Segundo a vítima, após a mudança, Leuze passou a perturbar a mãe e o padrasto dela, o que motivou o pedido de medida protetiva.
Em dezembro de 2008, conforme os registros policiais, o agressor voltou a atacar a ex-mulher em um apartamento onde ela morava, quando já havia retornado para Campo Bom.
Denúncias por abuso sexual
Anos depois, o nome de Leuze voltou a aparecer em investigações, desta vez por crimes de natureza sexual contra menores. Em janeiro de 2022, ele foi denunciado por abusar de uma criança em Xangri-Lá, no litoral norte.
Exatamente ano depois, em janeiro de 2023, já residindo em Santa Clara do Sul e durante o relacionamento com Juliane, foi denunciado por abusar sexualmente de outra criança, uma menina de 10 anos à época.
Foi também em razão desse estupro que Juliane passou a sofrer perseguições. Em novembro do ano passado, ela registrou ocorrência contra Leuze e solicitou medida protetiva, que foi deferida pela Justiça e estava em vigor. O relacionamento entre os dois durou cerca de dois anos.
Violência contra a mulher é crime, denuncie
SILÊNCIO APRISIONA. INFORMAÇÃO LIBERTA. DENUNCIE! LIGUE 180.

Foto: Grupo Sinos
- Polícia Civil – 197
- Disque-Denúncia – 181
- Brigada Militar – 190
Em caso de gatilho, procure ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas por dia.
O CVV tem cerca de 3 mil voluntários e atende aproximadamente 8 mil ligações por dia.
Telefone do CVV: 188
LEIA TAMBÉM