*Alerta: Esta reportagem aborda violência contra a mulher. Se você é sensível ao tema, a matéria pode despertar gatilhos. Veja abaixo como denunciar.
Rudinei Vieira da Silva, de 32 anos, autor confesso da morte da companheira Veridiana de Barros Alves, 43, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. A decisão foi confirmada nesta quarta-feira (8).
Silva já estava preso em flagrante após se apresentar na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Novo Hamburgo, na manhã de terça-feira (7), onde confessou ter matado a mulher dentro da residência do casal, localizada na Rua das Quaresmeiras, esquina com a Estrada Boa Saúde, no bairro Boa Saúde.

Foto: Arquivo pessoal
A informação sobre a decretação da prisão preventiva foi confirmada pelo delegado Alexandre Quintão, titular da Deam de Novo Hamburgo, que acompanha o caso desde o momento em que o acusado procurou a delegacia e admitiu o crime. “Por enquanto não temos nenhuma novidade ou avanço nas investigações, mas ele já está com preventiva”, sintetizou.
A Polícia Civil aguardou a conclusão dos atos fúnebres da vítima para, então, começar a chamar os familiares para prestarem depoimento.
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Veridiana, que trabalhava a cerca de meio ano em um lar de idosos em Novo Hamburgo, foi velada ainda na terça, e o sepultamento aconteceu às 9 horas desta quarta no cemitério municipal. Tanto o velório quanto o enterro ocorreram em cerimônia reservada, aberta a familiares e amigos próximos.
Pelas redes sociais, um dos filhos da vítima deixou uma mensagem de despedida à mãe. “Mãe, continue cuidando de nós do céu”, escreveu.
Perícia deve apontar contradição
Quando se apresentou à Polícia, Silva alegou que ele e a esposa teriam tido uma discussão na noite anterior, que acabou em vias de fato, momento em que ele teria estrangulado a vítima. Entretanto, essa versão deve ser desmentida pela perícia que, preliminarmente, confirmou à Polícia que a morte pode ter sido decorrente de um objeto contundente.
“Tem uma marca de perfuração de faca no pescoço dela”, informou Quintão logo após peritos deixarem o imóvel. Para as autoridades, essa contradição é determinante para, futuramente, levar à condenação do homem, que também chegou na delegacia alegando que agiu em legítima defesa.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Além de familiares de Veridiana, a Polícia também deve ouvir familiares de Silva, especialmente a mãe, que mora em Santa Rosa. Antes de se entregar, o acusado teria ligado para a mãe e confessado o crime. Foi ela quem orientou o filho a se entregar.
O casal mantinha um relacionamento há cerca de seis anos. Eles não tinham filhos em comum, mas Veridiana era mãe de dois, um menino e uma menina, de um relacionamento anterior.
Veridiana e Silva moravam há aproximadamente dois meses no endereço e, nesse período, vizinhos afirmam nunca terem escutado qualquer tipo de discussão ou briga. Também não havia registros anteriores de ocorrências de violência doméstica nem medida protetiva solicitada pela vítima.
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Um morador vizinho chegou a relatar que viu o autor confesso por volta das 5 horas da manhã de terça, sentado no degrau da porta da residência, com comportamento considerado incomum. Naquele momento, segundo a investigação, a vítima já estava morta dentro do quarto. Apesar da estranheza, o vizinho afirmou que não desconfiou da situação.
Este é o segundo feminicídio registrado em Novo Hamburgo em 2026. Somente na terça-feira, duas mulheres foram mortas pelos companheiros na região. Além do caso de Novo Hamburgo, uma jovem de 20 anos foi morta pelo companheiro de 31 anos em Parobé, o que aumentou o total de feminicídios para 27 no Estado.

Foto: Grupo Sinos
Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher
Brigada Militar – 190
Deve ser acionada imediatamente em situações de violência em andamento. Atendimento 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
A vítima pode registrar ocorrência preferencialmente em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer Delegacia de Polícia. Também é possível solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Delegacia on-line
Permite o registro de ocorrência e a solicitação de medidas protetivas de urgência pela internet, sem necessidade de deslocamento.
Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para a rede de atendimento. A ligação pode ser anônima.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende vítimas em suas Promotorias de Justiça e oferece canais de atendimento virtual.
Defensoria Pública – 0800 644 5556
Presta orientação jurídica gratuita às vítimas.
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Oferecem acolhimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.