Detalhes do 23º feminicídio do RS em 2026 foram revelados pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (20). A mais recente vítima da onda de violência contra as mulheres é Daiane Rosa Zastrow, de 39 anos, que foi morta a facadas pelo companheiro, de 60, na última terça-feira (17), em Esteio.

Foto: PAULO PIRES/GES
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O suspeito, que já tinha passagens por violência doméstica, foi capturado por volta das 18h30 de quinta-feira (19). A prisão preventiva aconteceu em uma casa no bairro Pasqualini, em Sapucaia do Sul.
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Histórico de ocorrências
A última registro de Daiane contra o companheiro ocorreu no dia 26 de fevereiro. “Havia um histórico de ocorrências do casal”, explica a delegada Marcela Smolenaars. “No último dia 26, ela voltou a procurar a polícia para prestar queixa por ameaça, mas havia reatado com ele e acabou morta.”
Daiane estava morando na casa do irmão, em Esteio, conforme a Polícia Civil. A residência foi invadida pelo suspeito durante a madrugada. Ela foi morta com diversos golpes de faca.
“Temos imagens de câmeras de segurança do indivíduo saindo sozinho da casa às 5h05 da manhã da última terça-feira”, aponta a delegada. “Ele não possui residência fixa, então não foi fácil achá-lo.”

Foto: Grupo Sinos
Medida protetiva
A Polícia Civil apontou que o suspeito não havia sido intimado pelo oficial de Justiça acerca da medida protetiva, razão pela qual o instrumento de proteção criado pelo judiciário não estava vigente.
“O oficial de Justiça não localizou o indivíduo e ele não acabou intimado sobre a medida protetiva. Ele era uma pessoa que não tinha residência fixa. Não foi fácil nem para nós encontrá-lo”, esclareceu a delegada.
Marcela lamentou que muitas vezes a vítima procura a polícia, mas não quer representar criminalmente contra o agressor, porque não quer que ele seja punido pela lei, o que complica o trabalho da polícia.
“Isso dificulta muito nosso trabalho de proteção”, observa. “Nesse caso, ela não quis representar contra ele e nem o acompanhamento da Patrulha Maria da Penha”, lamenta.
Confira a entrevista
Onda de violência
A morte de Daiane Rosa Zastrow marcou o 23º feminicídio no Rio Grande do Sul neste ano. A onda de violência pressiona o Estado por medidas mais enérgicas de proteção às vítimas.
“Neste tipo de caso, é muito difícil trabalhar com a prevenção”, afirma o delegado Cristiano Reschke. “Não houve falta de atenção no caso. Pelo contrário, o suspeito foi procurado em vários endereços.”
Ainda segundo o diretor da Polícia Civil, os casos de feminicídio seguem como prioridade do órgão, com ações imediatas tomadas após a denúncia das vítimas, de maneira a cessar o ciclo da violência.
“É importante dizer que a prioridade é total em casos de agressão e, quando acontece o crime, a rápida solução é importante para os agressores entenderem que não permanecerão impunes perante a sociedade”, concluiu.
Violência contra a mulher é crime, denuncie
SILÊNCIO APRISIONA. INFORMAÇÃO LIBERTA. DENUNCIE! LIGUE 180.
- Polícia Civil – 197
- Disque-Denúncia – 181
- Brigada Militar – 190
Em caso de gatilho, procure ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas por dia.
O CVV tem cerca de 3 mil voluntários e atende aproximadamente 8 mil ligações por dia.
Telefone do CVV: 188
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