Foi um caso que chocou o Estado: no dia 18 de novembro, uma criança de apenas 2 anos deu entrada no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Não levou muito tempo para que os médicos concluíssem que havia sido abusada.
O pai do menino foi preso, acusado do crime e, igualmente suspeito, o tio foi assassinado a tiros. O que parecia um caso encerrado ganhou desdobramento na manhã desta quarta-feira (10), quando a mãe da criança acabou presa.

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO
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A Polícia Civil prendeu preventivamente a mãe sob a acusação de omissão diante dos abusos cometidos contra a criança, circunstâncias evidentes no inquérito coordenado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Canoas.
Segundo o delegado Maurício Barison, desde o começo da investigação, as atitudes da mãe foram consideradas suspeitas. Inicialmente, a mulher teria negado ser mãe do menino e se recusava a dizer o que teria acontecido na casa.
“Ela chegou a tentar fugir do hospital quando o caso estourou”, explica o delegado. “Além disso, ela não mostrava nenhuma preocupação quanto ao estado de saúde da vítima”, acrescenta.
Outras testemunhas foram ouvidas para reforçar o inquérito, aponta o delegado. À Polícia, disseram que a mulher era agressiva e batia constantemente com socos em seus filhos e, em especial, na vítima.
“Foram indicadas outras oportunidades em que o menino passava mal, com crises de vômito e diarreia, e os pais não davam bola, o que confirmou a negligência diante da saúde da criança”, esclarece.
A apuração deixou claro que o consumo de drogas, especialmente cocaína, era constante diante da criança, a ponto de testemunhas apontarem o pai colocando “pozinho branco” na mamadeira da vítima.
Houve até quem apontasse ter visto “importunações sexuais” praticadas pelo pai contra a criança, o que se revelou fundamental para o pedido de prisão preventiva ao Judiciário por omissão.
Entenda o caso
Foi por volta de meio-dia de 18 de novembro que a criança de apenas 2 anos e 4 meses deu entrada, desacordada, na emergência do Hospital Nossa Senhora das Graças.
Segundo a Brigada Militar, o menino chegou ao local após apresentar um quadro delicado com sinais de vômito e diarreia, conforme relatado pela mãe.
Durante a avaliação médica, foram constatados vários hematomas pelo corpo da criança, bem como indícios de abuso sexual.
A Brigada foi chamada por profissionais do hospital. Quando os policiais chegaram ao local, os médicos esclareceram a situação.
Os PMs prenderam o pai como suspeito, o que serviu de estopim para a posterior investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança de Canoas.
O outro suspeito do crime, o tio da criança, acabou assassinado com 20 tiros, no dia seguinte, em uma área descampada, em Cachoeirinha.
Criança deixou o hospital
Após semanas internada, a criança deixou o Hospital Universitário (HU), onde permanecia internada, sendo encaminhada para um abrigo do Estado.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) confirmou que ajuizou uma ação de destituição familiar contra pai e a mãe da criança ainda no mês passado.
Trata-se de uma medida judicial excepcional que retira permanentemente dos pais os direitos e deveres sobre os filhos, podendo ocorrer em casos graves como este.
O processo aberto pela Promotoria de Justiça abarca a criança vítima da violência e o irmão, que está sob a tutela do Estado desde que o caso veio à tona.